terça-feira, 12 de junho de 2012

Universal War One


Assunto novo no blog hoje! (só no blog, na vida já é "véi de guerra" hahaha)

Semana passada eu vi em algum site nerd por aí a notícia de que a HQ "Universal War One" seria adaptada para o cinema, com anúncio realizado durante o Festival de Cannes. Como eu adoro quadrinhos, cinema e adaptações de quadrinhos para o cinema, resolvi conferir que HQ era essa.


Universal War One é uma HQ francesa, criada por Denis Bajram. Ela tem seis partes, sendo dois arcos de 3 edições cada. Em 2008, a Marvel (lindona *.*) publicou uma versão americana, obviamente em inglês, juntamente com todo um grupo de HQs europeias.

O que me chamou a atenção inicialmente foi a premissa: a história se passa no fim do século XXI e início do século XXII, quando a humanidade já colonizou o Sistema Solar, e se encontra dividida entre a UEF (United Earth Forces, uma espécie de "evolução" militar e política da ONU) e a CIC (Colonization Industrial Companies).

Um dia, surge uma "esfera" no espaço, mais ou menos perto de Urano, visível da Terra, que coloca os dois lados em alarme. A UEF envia seu Esquadrão do Purgatório - um esquadrão formado por militares e cientistas que foram condenados ou estão aguardando julgamento na corte marcial - para investigar. Descobre-se que a tal esfera na verdade é um corredor, um buraco de minhoca que partiu Urano ao meio e ameaça a existência da Terra. E mais: existem outros geradores de buracos de minhoca pelo sistema solar.

A existência dos buracos de minhoca e o uso que se pretende dar a eles faz com que a história vá para lugares inimaginados e surpreendentes. O principal aqui não é necessariamente a guerra ou a colonização, mas o que a humanidade faz com suas próprias descobertas e criações, e o risco de que descobertas mais novas ainda sejam mal utilizadas. Nisso, incluem-se teletransporte, viagens no tempo e toda uma discussão sobre o Paradoxo Temporal ou outras tentativas de se modificar o passado.

Uma das coisas que eu mais gostei em Universal War One é que os personagens não são previsíveis. Não se sabe desde o início quem vai ser responsável pelo desfecho da história. Além disso, o fato de todos os membros do Esquadrão do Purgatório terem ficha suja faz com que não se possa julgá-los de imediato. Todos eles estão presos ao seu passado, assim como todos eles tem chances de mudar o comportamento padrão ou não.

Outra coisa legal é que a história é toda escrita em paralelo com o livro Gênesis, da Bíblia. Alguns acontecimentos estão obviamente ligadas à criação do mundo segundo o livro sagrado, outras nem tanto.

O final da história me lembrou Watchmen: você é até levado a tirar suas próprias conclusões, mas isso só acontece quando você já ficou espantado e surpreso. Além de o momentinho Deus Ex Machina não servir necessariamente para tudo voltar ao que era antes, mas para apresentar uma nova situação, com a qual os personagens - e o leitor - têm que se conformar. É como o início da Bíblia, citada na história: é o início de todo um mundo.

Enfim, bem interessante a história. Recomendo pra quem gosta de ficção científica, quadrinhos e coisas parecidas. E pra quem só quer se divertir também... ;)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sobre Neil Gaiman, Dave McKean e artistas



Recentemente comprei um livro sobre Neil Gaiman (já mencionei ele aqui). Foi uma compra por impulso: estava passeando pela livraria, olhando os livros expostos, quando meu olhar parou num livro mais grosso e com a cara do meu “escritor-ídolo” estampada na frente. Confesso, não pensei duas vezes, peguei e levei. Tá, parei na maquininha pra olhar o preço, mas foi só por uma questão de consciência. Aquele livro já era meu. E como meu livro, já está sendo lido.
Esse post não é sobre o livro. É sobre algo que se passou na minha cabeça agora há pouco, quando eu acabei de ler uma entrevista com Dave McKean, estrategicamente posicionada entre os capítulos sobre Violent Cases (que, agora que sei, achei o trocadilho do título genial) e Signal to Noise. Pra quem não sabe, essas histórias foram feitas em parceria entre os dois, com Gaiman obviamente na escrita e McKean na arte.
A questão é: eu já comecei a entrevista rindo. Sendo um livro sobre o Gaiman, obviamente ele era a temática da entrevista. E quando McKean começou a descrever o autor e a relação entre os dois, achei uma comédia. Fossem duas pessoas semi-conhecidas, talvez fossem dizeres problemáticos, mas dá pra perceber claramente que tudo o que Dave McKean falou teve um “quê” de brincadeira, zoação e tal. E no final, vem um comentário do Gaiman dizendo que queria a entrevista toda escrita no túmulo dele, mesmo que fosse em letras pequenininhas.
Essas coisas me fizeram parar pra pensar em algo ridiculamente básico e óbvio, mas que muita gente esquece. Por mais que nossos ídolos pareçam seres de outro mundo, que a gente se espante com o talento deles e tal, eles são humanos. São gente que tem relações, que passam por situações variadas na vida. Os livros ou seja lá o que os artistas fazem são o trabalho deles. Eles também passam pelo estresse diário de prazo, pressão dos “chefes”, repreensão caso você não faça o que é esperado, e por aí vai. É legal ver as coisas por esse lado. Mesmo que seja óbvio, também é bom lembrar disso. Achei isso ainda mais óbvio qdo McKean contou que estava no seu “auge da confiança” na época em que fez as capas pra Sandman, enquanto Gaiman estava pressionado e estressado com prazos. Que odiaram fazer Mirrormask.
E dei uma risadinha do tipo “sacanagem, mas eu ri” quando ele disse que os dois amavam musicais – não os mal feitos, tipo os do “Andrew Lloyd Desgraça Webber”, mas os bons, tipo os do Sondheim. Além de McKean se garantir contra a danação de Gaiman (ele hipnotiza, não se esqueçam) guardando fotos comprometedoras dele.