terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sobre Neil Gaiman, Dave McKean e artistas



Recentemente comprei um livro sobre Neil Gaiman (já mencionei ele aqui). Foi uma compra por impulso: estava passeando pela livraria, olhando os livros expostos, quando meu olhar parou num livro mais grosso e com a cara do meu “escritor-ídolo” estampada na frente. Confesso, não pensei duas vezes, peguei e levei. Tá, parei na maquininha pra olhar o preço, mas foi só por uma questão de consciência. Aquele livro já era meu. E como meu livro, já está sendo lido.
Esse post não é sobre o livro. É sobre algo que se passou na minha cabeça agora há pouco, quando eu acabei de ler uma entrevista com Dave McKean, estrategicamente posicionada entre os capítulos sobre Violent Cases (que, agora que sei, achei o trocadilho do título genial) e Signal to Noise. Pra quem não sabe, essas histórias foram feitas em parceria entre os dois, com Gaiman obviamente na escrita e McKean na arte.
A questão é: eu já comecei a entrevista rindo. Sendo um livro sobre o Gaiman, obviamente ele era a temática da entrevista. E quando McKean começou a descrever o autor e a relação entre os dois, achei uma comédia. Fossem duas pessoas semi-conhecidas, talvez fossem dizeres problemáticos, mas dá pra perceber claramente que tudo o que Dave McKean falou teve um “quê” de brincadeira, zoação e tal. E no final, vem um comentário do Gaiman dizendo que queria a entrevista toda escrita no túmulo dele, mesmo que fosse em letras pequenininhas.
Essas coisas me fizeram parar pra pensar em algo ridiculamente básico e óbvio, mas que muita gente esquece. Por mais que nossos ídolos pareçam seres de outro mundo, que a gente se espante com o talento deles e tal, eles são humanos. São gente que tem relações, que passam por situações variadas na vida. Os livros ou seja lá o que os artistas fazem são o trabalho deles. Eles também passam pelo estresse diário de prazo, pressão dos “chefes”, repreensão caso você não faça o que é esperado, e por aí vai. É legal ver as coisas por esse lado. Mesmo que seja óbvio, também é bom lembrar disso. Achei isso ainda mais óbvio qdo McKean contou que estava no seu “auge da confiança” na época em que fez as capas pra Sandman, enquanto Gaiman estava pressionado e estressado com prazos. Que odiaram fazer Mirrormask.
E dei uma risadinha do tipo “sacanagem, mas eu ri” quando ele disse que os dois amavam musicais – não os mal feitos, tipo os do “Andrew Lloyd Desgraça Webber”, mas os bons, tipo os do Sondheim. Além de McKean se garantir contra a danação de Gaiman (ele hipnotiza, não se esqueçam) guardando fotos comprometedoras dele.

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