terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A Garota das Cicatrizes de Fogo


Decidi que precisava ler esse livro depois de chegar ao perfil do facebook do Ricardo Ragazzo, graças a uma série de posts que ele fez sobre como escrever bem, storytelling e afins. Acompanhei tudo, sempre tentando aproveitar o que podia, e me sentia um pouco "culpada" por não conhecer o produto dele mesmo botando as dicas em prática. Até que ele lançou A Garota das Cicatrizes de Fogo, o título me atraiu, e eu "ganhei" (do verbo 'pedi') de Natal.

Eu poderia falar muitas coisas sobre esse livro. Poderia fazer como a maioria esmagadora dos blogs de literatura fazem: contar a resenha, falar "gostei disso ou aquilo" e fim. Mas isso é chato, é repetitivo, e a minha intenção aqui no blog não é vender livro, é comentar o que eu achei mesmo... hahaha 

Enfim, eu me senti "enganada" no começo. Não no sentido ruim, mas mais porque achei que as resenhas, ou mesmo o resuminho na capa do livro, eram diferentes do que o conteúdo. Acho que, depois de tanto tempo ouvindo falar dele, imaginei um tipo de história totalmente diferente do que aque encontrei.

Eu imaginava uma coisa meio Stieg Larson e a trilogia Millenium.

Encontrei uma mistura de Stephen King, com Underworld, Van Helsing e sei lá mais quantas histórias sobrenaturais. 

O que eu quero dizer é que eu jamais esperaria tanta coisa sobrenatural junta. Então já falo pra vocês o que não me falaram: é um livro com um monte de coisas fantásticas. Não aparecem vampiros ou lobisomens, mas eles são mencionados, sim. Não fazem parte do arco principal, mas faz toda a diferença saber disso, porque é isso que cria o mundo onde a história acontece. 

Eu li o livro em um dia. Bom, comecei em uma tarde e terminei na manhã seguinte, com pausa pra dormir, comer, ver tv, entrar na internet. Mas o prazo foi um dia. E tudo porque eu não consegui largar o livro. Pra mim, isso é o que faz uma boa história: a forma como as coisas são entrelaçadas, criam interesse, prendem nossa atenção e não nos deixam querer fazer outra coisa (no caso, a pausa pra dormir e fazer outras coisas aí foi porque eu já tava com a vista e o corpo cansados haahah). - Ás vezes eu acho meio sacana essa coisa de ler em um dia. O autor vai lá, gasta meses (ou anos) escrevendo a história, fazendo pesquisa, quebrando a cabeça, pra vir um sujeito qualquer e consumir em um dia. UM DIA!

Outra coisa que eu acho legal: por mais absurdo que algumas coisas soem, eu adoro quando elas são tão inimagináveis que sua única opção é pagar pra ver hahaahaha E A Garota das Cicatrizes de Fogo tem tudo isso, tem ceifadores, uma garota que descreve em detalhes um álbum do Judas Priest (aliás, toda vez que música virava o assunto da história, eu percebia o autor falando, não necessariamente o personagem).

A única ressalva que eu tenho com o livro é uma ressalva que eu tenho com inúmeros outros, e que é algo que eu costumo querer dos livros que leio: um pouco mais de revisão, pra fazer os diálogos ficarem mais realistas, um pouco mais de pesquisa pros personagens ficarem mais naturais. Tudo bem um autor falar "famigerado", mas as pessoas não usam palavras do tipo quando estão conversando, muito menos quando estão conversando em um momento de desespero... (ou pelo menos eu não conheço quem fale hahaha) Também achei um pouco chato o tanto de ênfase na personagem gordinha e como a obesidade dela era tratada. Ok, se tiver a ver com a história, tipo representação de uma cena de bullying, sei lá. Mas então acho que isso poderia ter recebido um pouco mais de atenção, nem que fosse pra mostrar de forma mais clara que o protagonista é que via as coisas assim, ou que a própria personagem se sentia mal com isso. 

Enfim, gostei do livro, e gostei de como ele soa diferente do que a gente costuma encontrar frequentemente na literatura brasileira. Tirando os que são forçados na categoria "infanto-juvenil", não é comum encontrar histórias com tanta coisa fantástica e uma "bagunça" divertida na tentativa de solucionar os mistérios - só vejo isso quando forçam aquela coisa de encontrar a "identidade brasileira" e se prendem só a sereias, seres folclóricos locais e por aí vai. A Garota das Cicatrizes de Fogo me pareceu beeeem mais livre nesse quesito, sem se importar em ser local, em ser específico. Ficou bem abrangente. E é isso que eu acho que a literatura daqui precisa pra atrair mais público - público brasileiro mesmo, mas que quer ler mais do que o de sempre.

Achei uma ótima leitura pras férias, e ótima como a minha última leitura de 2013: descompromissada, feita porque eu queria, porque eu gostei e por puro entretenimento. Gostei!

Nome: A Garota das Cicatrizes de Fogo
Autor: Ricardo Ragazzo
Editora: Novo Século
No Skoob: 3/5

sábado, 28 de dezembro de 2013

Orquídea Negra


Toda vez que eu leio alguma graphic novel do Neil Gaiman, não sei muito o que comentar. A qualidade é inquestionável, não preciso nem dizer. Mas sempre tenho aquela sensação de que tem tanta coisa pra processar, que é preciso um tempo quieta, na minha, "digerindo" a leitura. Coisas do Gaiman têm MUITAS referências, muitas mensagens, muita coisa entrelaçada. 

Orquídea Negra é uma releitura do autor para uma personagem que já estava descartada pela DC nos anos 80, quando a minissérie foi escrita. E sendo assim, é também uma releitura dos velhos "super-clichês" (meio que aquilo que Watchmen também critica). Como está na introdução do livro, é uma história onde a violência é usada para criticar a violência, ao mesmo tempo que aqueles que a criticam. Uma forma de dizer para o público (e alguns produtores) de quadrinhos: "ei, vamos levar isso a sério, por favor?" 

Além disso, a releitura em si merece atenção: é uma versão nova e muito própria de uma personagem já existente. Neil Gaiman pegou uma personagem abandonada e a reinventou, criou um novo contexto e mostrou que dá pra criar histórias incríveis com aquilo que já é considerado esgotado ou sem utilidade. Foi um ensaio para o Sandman, que também foi um resgate a um personagem desaparecido (e que resgate!).

Outra coisa que eu curto muito nas GN do Gaiman, principalmente nas que ele faz em parceria com o Dave McKean (como é o caso da Orquídea Negra), é o tanto de colagens, referências, cruzamento de mídias e afins. Em uma página é possível encontrar desenho, fotografia, esculturas, música e por aí vai. Me dá até saudade de estudar Intermidialidade que nem na época da iniciação científica... hahaha E devo dizer que ou o Gaiman faz pesquisas absurdas quando escreve, ou ele tem uma mente fantástica pra encontrar sempre a letra de música perfeita pra encaixar em momentos específicos da história.

Também curti muito o uso das cores. Não preciso falar do trabalho do Dave McKean, é fantástico! Mas aqui, aproveitando a personagem, tem um jogo de tons de lilás, roxo e orquídea que me deixam que nem criança, ADORO! Dá vontade de pegar algumas das páginas e emoldurar! hahaha

Enfim, ainda vou processar mais informações. 

Nome: Orquídea Negra - Edição Definitiva
Autores: Neil Gaiman e Dave McKean
Editora: Vertigo - Panini books
Nota no Skoob: 5/5

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Divergente


Comecei a ler Divergent influenciada pelas notícias de que uma adaptação para o cinema estava vindo. Saiu o trailer, vi o pôster no cinema, e resolvi que queria ler antes de ver o filme, pra formar um julgamento antes de ter contato com outras versões. Boa parte do meu interesse foi influenciado pelas comparações que alguns fizeram com Jogos Vorazes: trata-se de uma distopia onde a protagonista é uma adolescente, e por aí vai. As duas histórias são escritas em primeira pessoa, o que coloca o leitor próximo aos pensamentos e sensações da protagonista, podendo acompanhar o que está acontecimento através das reações dela e da forma como ela lida com tudo. (A outra parte do interesse veio de a Tris ser a Shailene Woodley, que na época do anúncio do filme estava vivenciando a polêmica de ser chamada de "não bonita o bastante pra ser a Mary Jane", além de interpretar a Hazel na adaptação fílmica de A Culpa é das Estrelas.)

Muita coisa se passou na minha cabeça durante a leitura. Tantas, que eu já tinha um post inteiro escrito antes de acabar o livro. Algumas opiniões se mantém, outras mudaram radicalmente.

Primeiro: comparar Divergente com Jogos Vorazes é coisa de empresário querendo fazer propaganda de um produto usando a fama de outro, sem conhecer nada do que tá vendendo (nem do outro). Enquanto um usa adolescentes para encontrar o público (chamado nos EUA de "Young Adults"), mas mantendo um tom sério e tentando despertar o interesse desses jovens pra temáticas políticas - e mostrando que a coisa é bem séria através das crises e da destruição psicológica da protagonista, que narra a história -, o outro usa adolescentes para contar uma história adolescente, e talvez dar um tom de perigo e adrenalina, prendendo o público com um clima beeeem hollywoodiano. Únicas semelhanças entre as duas histórias: uma protagonista de 16 anos que é narradora em 1a pessoa e alguma violência, daquele tipo que choca os adultos como desnecessária...

Divergente tem também um lado bem "highschool", que fica evidente quando a gente analisa as facções da sociedade na história. Por exemplo, temos os Eruditos, que são os inteligentes, mas também esnobes, convencidos, arrogantes e que tratam o resto do mundo mal. Temos a Abnegação, onde os membros são tão altruístas que não podem olhar no espelho, pra não incentivar a vaidade e o egoísmo. Temos várias outras, mas a que mais me chamou a atenção foi a facção onde Tris passa a maior parte da história: a Audácia, onde os membros só vestem preto, são todos tatuados e agem feito a turma do fundão da escola, vistos pelas outras facções (com aquela visão preconceituosa de adolescente) como burros, impulsivos e coisa parecida - e descritos assim mesmo. Nem vou mencionar o clichezão de a galera da Audácia ficar fazendo tatuagens o tempo todo (noooooooooossa, radical, hein #ironia), enquanto o povo Erudito fica usando óculos mesmo sem precisar, só pra pagar de inteligente mesmo. (Devo dizer que acho isso falta de criatividade e atenção. Um povo realmente inteligente ia se preocupar em achar solução e cura pra problemas "inconvenientes" como a dependência de óculos e afins).

Sem falar em bullies. Cara, pra que isso? Faz vilões decentes, por favor? - Porque colocar a culpa de todo o problema político em uma mulher malvada também não me convenceu. Nem fazer um exército atacar porque está "hipnotizado".

Apesar de ter achado a história muito ingênua e boba, reconheço que está bem estruturada e a escrita prende. Me deu a impressão de ser o dever de casa de um curso de escrita, onde a ideia até pode não ser das melhores, mas tudo na história está no lugar certinho. Mas não sei ainda se vou ler as duas sequências...

Uma coisa que eu curti bastante é o que faz os leitores conseguirem se identificar com a Tris: ela ser Divergente. É diferente, não se encaixa nos padrões clichezões e pré-definidos para as facções e tem opiniões próprias. Pode ser perseguida por isso (ser único é perigoso), e por precisar aprender a não deixar tudo aparente (pra se proteger), acaba também aprendendo muita coisa sobre si mesma e sobre as outras pessoas. E o melhor, pra fazer pensar na sociedade: aos poucos, Tris vai descobrindo que existem muito mais Divergentes do que ela imaginava. Todos escondidos por aí, misturados ao resto das pessoas.

Mas tá, ignorando tudo o que eu não curti no livro, algumas frases merecem ser destacadas (viva a ferramenta de destaque do kobo!):
"We are not the same. But we are, somehow, one."
"For most people, it's not hard to learn, to find a pattern of thought that works and stay that way."


Mesmo assim, acho que poderiam ter explorado isso um pouco melhor - como assim todo mundo ajuda ela de cara, ng antagoniza além dos bullies? E justo quando a gente acha que a coisa vai ficar um pouco melhor, aparecem coisas que deixam a história ainda mais boba, tipo o "soro da lavagem cerebral que deixa o povo zumbi". :S

Nome: Divergent
Autora: Veronica Roth
Editora: Katherine Tegen Books
Nota no Skoob: 3/3

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Revista Trasgo - Edição Piloto


Há alguns dias, pelo twitter da Karen Alvares, fiquei sabendo da criação da revista Trasgo, uma revista que seria dedicada a contos de fantasia e ficção científica, tentando não só incentivar a produção desse tipo de histórias no Brasil, como abrir espaço pra elas. Achei a iniciativa fantástica (rááá, trocadalho do carilho), porque não só concordo que esses dois estilos não andam muito fortes ultimamente, como também tenho minha vontade de me aventurar nesse mundo... (interesseeeeeeira!) 

Enfim, saiu a primeira edição, que eu baixei no site, e aqui estão meus comentários! Só deixando claro que eu escrevi cada um a medida em que ia lendo e que só depois descobri as entrevistas no final do livro hahaah E bom, não coloquei os nomes dos autores nesse post não só porque minha intenção é comentar os contos e como foi ler cada um deles, e não falar do trabalho de autores especificamente, como também quis dar fogo à revista como uma coisa só, e não como "um monte de contos nada a ver entre si colocados juntos", ok? Leiam a revista, que tem download gratuito, e divirtam-se!


Conto: Ventania

Qual a primeira coisa que vem à cabeça quando se lê o nome "Ventania" e a explicação de que o conto se passa no nordeste? Na minha, imediatamente veio a imagem de um cavalo correndo pelo sertão e causos fantásticos.Bom, não tem cavalos, a não ser os mecânicos (palavras do próprio autor). A ação não se passa exatamente no sertão, mas no litoral nordestino. Mais precisamente, em um farol gigantesco, o Ventania, que dá nome à história. 

Gosto de histórias "pós-apocalípticas", mas reconheço que não é sempre que a gente acha a coisa bem feita. Normalmente as pessoas se preocupam tanto em contar aventuras hollywoodianas que se esquecem da estrutura, do envolvimento do leitor... Não é o caso desta. Curti ainda mais a forma como algumas coisas são só sugeridas. Adoro quando o autor sugere coisas, confiando na inteligência e imaginação de quem está lendo. Fica chato quando tudo é explicadinho e óbvio. 

Outra coisa que eu "reparei": nunca li/vi Akira, mas vendo resumos e um pedacinho do filme, acabei associando as criaturas estranhas à história japonesa. Não sei se procede, mas algo me diz que sim, principalmente quando li a biografia do autor e vi que ele mora no Japão! :P

Pra encerrar, acho que foi uma ótima escolha pra começar a revista!


Conto: Azul

Bom, não é mistério pra ninguém que eu não gosto de histórias de terror/horror (tá, algumas de terror ainda vai, dependendo de como são estruturadas). E tenho a impressão de que ler "Azul" me fez perceber um dos motivos: eu fico um tempão me perguntando qual a explicação praquele elemento extra, justamente o elemento principal da história. Sou racional, gosto de explicações, e muitas dessas histórias simplesmente não tem explicação. Quando a gente lê uma história de fantasia (bem escrita), geralmente existem regras criadas para explicar elementos fantásticos, porque eles são capazes de fazer e provocar acontecimentos que seriam impossíveis no "mundo real". Em histórias de terror, isso não existe. A intenção é justamente que algo fique deslocado.

(Sobre eu não gostar de histórias de horror: eu não gosto de monstruosidades por monstruosidades, violência, assassinatos e afins. Não acho isso diversão, fim. Acho que em algumas histórias elas podem até ter um propósito melhor - como quando se conta uma história sobre alguma guerra - , mas nunca vi ter propósito em histórias de horror...)

Em Azul, eu fiquei sim me perguntando daonde saiu o tal do "azul". Mas eu sei que não interessa hahahaha É a estranheza que conta. E a estranheza está lá no conto, até o final, até o último momento. Não sei opinar muito sobre qual seria o efeito do conto pra quem curte o estilo, mas vale a pena ler e decidir! (e poxa, eu curtia tanto o Blue Man Group antes desse conto... :S)


Conto: Náufrago

Adorei a história desse conto. Acho que se a gente considerar a intenção da revista Trasgo, que é incentivar a produção de contos fantásticos no Brasil, "Náufrago" cumpriu perfeitamente a missão. E também achei muito legal a "tacada" do Caramuru! Misturar a história do Brasil com uma história de fantasia parece difícil, porque não vemos isso com muita frequência, mas o autor conseguiu fazer de um jeito que não soou forçado, nem cansativo, mas perfeitamente natural. Gostei muito mesmo!

A única coisa que eu senti um pouco incômoda no conto foi a parte da escrita. Acho que a história merecia uma revisão um pouco mais detalhada. Essa parte é importantíssima, acho que inclusive influencia em como o conto é lido, a fluência, o quanto a história nos prende. Já larguei um livro no meio porque não suportava a estrutura gramatical e ortográfica. E olha que eu não me considero muito chata nisso, nem sou fã de coisas muito bonitinhas e "cheias de frescura", com cara de literatura clássica. Adoro histórias que usam a linguagem popular mesmo, do dia a dia, mas acho que mesmo nesses casos, a pontuação tem uma enorme influencia. É ela que dá as respirações, as pausas dramáticas, que tira o fôlego... Sorte que a história do conto é legal e salvou!


Conto: Gente é tão bom!

Eu confesso, não sei se entendi esse conto. Talvez não tenha o que entender. Me pareceu uma crítica à sociedade mas, se for mesmo, acho que esse lado poderia ter sido mais desenvolvido, não sei... Me pareceu no meio do caminho entre a fantasia e a ficção científica: neve amarela? Mágica! Ou talvez tenha uma explicação científica (como um acidente em experimentos de uma fábrica). Ainda assim, meio indefinido. E tão pequenininho! 

Outra coisa que eu posso dizer é que tive a impressão de que a autora tava tentando convencer os leitores a não comer coisas industrializadas (tipo o frango - e eu saquei a crítica, mas acho que ela ficou um pouco na superfície, então tem hora que eu não tinha certeza...). A protagonista, que não é lá das mais simpáticas (e que mostra aquele lado mal humorado e sem regrinhas morais) é a parte que eu gostei do conto. Mas mesmo ela eu acho que poderia render mais coisas. Quando eu começo a me identificar, tenho vontade de ter mais acesso, mais informações, mas aí o conto acabou :S


Conto: A Torre e o Dragão

Na minha cabeça, esse conto tem duas partes: a história principal, que aparece já no início, e a história de Tristam na cidadela, "contada" pela Princesa na Torre. Essa segunda parte é uma história "normal", com aquele clima de fantasia tradicional, onde um rapaz simples tenta crescer e correr atrás dos sonhos, se transformando em Cavaleiro. Legal, mas normal.

O que chama atenção no conto, e que me fez gostar BASTANTE dele, é a primeira parte que eu mencionei, a parte maior e principal: a Princesa na Torre. Não é a descrição da princesa ou do lugar onde ela está (hahaha não consegui não pensar na Fiona presa no castelo quando o Shrek vai resgatá-la, MALZ AE! HAHA), mas o que se passa na cabeça dela. É o lado psicológico que dá o tom e a graça da história: no começo, como uma forma de fazer o leitor pensar no que a Princesa encarcerada sente, já que, normalmente, só prestamos atenção nos acontecimentos e no lado "bonitinho e fantasioso" desse tipo de história; depois, como uma forma de mostrar que essas histórias podem ter outro significado, um mais profundo e complexo. Aliás, essa palavra "complexo" acaba sendo um ótimo adjetivo pra história. É como se finalmente tivéssemos um conto de fadas contemporâneo, onde o sujeito não é simplesmente um arquétipo ou estereótipo, mas tivesse várias facetas (professora de Psicologia ia curtir ver que eu lembro dos textos do Morin, AHN HEIN!). E curti a apresentação da Princesa, que vem devagar, revelando um pouquinho de cada vez, à medida em que a história é contada. Gostei mesmo do conto!


Ilustrações de Filipe Pagliuso: Curti, mas não entendo nada de ilustrações, não me sinto no direito de falar "é legal por isso, gostei do traço X". Sei que me lembram ilustrações de livros de RPG (que eu nunca joguei, mas gostava de folhear quando era adolescente). E ajudam a dar um clima legal pra revista!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Roverandom


A cada livro do Tolkien que eu leio, mais fã eu fico, fato! Cada leitura me faz ver o quanto Tolkien dá motivos pra ser tão aclamado, mas também o quanto ele ainda não é aclamado o suficiente. Porque ele não é só o autor daquela saga gigantesca e cheia de detalhes bem amarrados que é O Senhor dos Anéis (e aqui eu coloco junto tudo o que gira em torno dessa história, como O Hobbit, O Silmarillion e por aí vai). Tolkien era mais que um escritor, era um contador de histórias muito bom!

Ler Roverandom me deu uma sensação de retorno à fantasia, à mágica que a gente vive na infância, e que parece estar sendo substituída por outras coisas nas histórias modernas. Se eu tivesse um filho/irmão/primo mais novinho, leria o livro pra ele com certeza.

Mas não pensem vocês que só porque é uma história infantil, só crianças apreciam. Pra esse pensamento, eu dou duras respostas alternativas: 1)todo mundo tem uma criança interior, deixa a sua ler um pouquinho!; 2)Leia, nem que seja pra prestar atenção na forma como o Tolkien entrelaça os acontecimentos, na linguagem que ele usa, em como tudo é muito bem pensado ao mesmo tempo em que flui tão naturalmente.

E, aliás, falando em entrelaçar acontecimentos: estava terminando o livro, super empolgada com a história do cachorrinho que foi enfeitiçado por um mago por não ter sido gentil, quando cheguei nas notas finais do tradutor, explicando alguns termos da história. E não é que a história está cheia de referências a acontecimentos reais (uma maré muito alta que destruiu algumas construções no litoral inglês no início do século, e que na história é provocada por uma serpente gigante marinha, que acabou de acordar), a lendas e mitos (Merlin, dragões que comem a Lua e provocam eclipses, e por aí vai) e, É CLARO, uma breve e quase imperceptível referência à Valinor, a “terra prometida” dos elfos (sim, estou falando de O Senhor dos Anéis), que é secreta e ninguém tem permissão pra alcançar.


Mas não se preocupem, não conhecer nenhuma dessas referências não prejudica em nada a leitura, até porque o centro das atenções é Rover – ou Roverandom –, um cachorrinho que não tem nem descrição física direito, mas que eu consegui imaginar como sendo super fofinho e que dá vontade de apertar. Mas não se enganem, ele se tornou um cachorro muito sábio após visitar a Lua, o fundo do mar e alguns lugares mágicos na Terra...

O livro é tão fluido, tão bem escrito, tão simples ao mesmo tempo que criativo... É sempre bom ler fantasia bem feita!

Nome: Roverandom
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Martins Fontes
Nota no Skoob: 5/5

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Astronauta: Magnetar


Grandes aventuras, grandes descobertas, pioneirismo, reconhecimento, conhecimento adquirido... Isso tudo vale à pena quando o preço é o isolamento extremo?

Acho que desde sempre a humanidade encontra esse embate entre a vida com o outro e realizações “pessoais”. Até onde vale a pena ir, o que vale a pena sacrificar? Pelo que? É uma escolha diferente pra cada um? Acho que sim.

Magnetar mostra não só a escolha do Astronauta, mas o que o levou a fazê-la. As vezes é assim: a gente não dá ouvidos a um monte de coisas, então a vida vai lá e nos obriga a dar um jeito.

Li essa revista depois de Laços (que eu comprei num evento de lançamento, enquanto a Magnetar foi comprada no FIQ), mas ainda assim vi o quanto foi perfeita a escolha dela como a primeira da série de releituras dos personagens de Maurício de Souza. É muito grande o impacto que dá ver personagens que a gente sempre relacionou à nossa infância sendo mostrados com um outro enfoque, mais sério, mais realista, mais maduro. O Astronauta é um desbravador, vive um monte de aventuras, mas é um ser humano. E como tal, também depende de relações sociais, de pessoas, da vivência que tem com elas (não atoa a história começa com uma lembrança dele relacionada ao avô e o porque deste não ter saído pelo mundo explorando coisas).


Quer saber? To ansiosa pelas outras revistas que vem por aí!

Nome: Astronauta - Magnetar
Autor: Danilo Beyruth
Editora: Panini Comics

sábado, 30 de novembro de 2013

Folheteen - Tiras pra todo lado


Eu vou começar o post confessando: não comprei esse livro porque fui intensamente atraída pela capa, pela personagem ou pelo tema. Isso aí eu tive pelo livro da Alemanha, do mesmo autor, que vai ficar pra outro post. 

Eu comprei o Folheteen porque fui habilmente convencida. Por uma tira. A primeira do livro.

Foi assim: eu fui ao FIQ no domingo, levando meu belo exemplar de Ícones dos Quadrinhos para ser autografado, mas não cheguei a tempo de pegar senha pra primeira sessão. Fiquei na fila pra segunda, consegui um monte de autógrafos (incluindo um aquarelado fantástico do Lelis) e acabei tendo que circular o evento todo até as 20h atrás dos autógrafos que faltavam e que eu fazia questão. Minhas exigências: o Sandman, a Morte e a Fênix, meus três personagens favoritos. Consegui a Fênix, mas não consegui a Morte (irônico, não? hehehe). Hora do Sandman. 

Estava presa no estande da Pandemônio há muitas horas, fazendo várias compras (e pedindo uns cinco autógrafos pra Chris Peter) quando uma amiga minha me mostra o José Aguiar, aquele que autografaria meu Sandman, lá na porta. Pedi o autógrafo e recebi como resposta o seguinte: "claro, mas só se você conhecer meus outros livros!"

Eu conheci, eu não resisti, eu comprei hahahaha (com direito a autógrafos desenhados muito legais uhuu)

Folheteen - tiras pra todo lado não é algo que eu compraria espontaneamente. Porque? Porque eu não curto adolescentes, porque eu não me dava muito bem com a minha própria adolescência e porque eu sou muito feliz por ter deixado ela uns bons anos pra trás. 

Mas vou dizer pra vocês: como é fácil se identificar por essas tiras, viu? Até porque a própria Malu (protagonista) não se sente muito confortável sendo adolescente. As tiras são exatamente sobre todos aqueles dramas que enchiam a nossa paciência, ou que nos deixavam perdidos (só pra constar, o irmão da Malu também protagoniza algumas tiras, então acho que o livro serve para 'meninos' e 'meninas'!). Eu lendo as tiras agora, já "crescidinha" foi uma espécie de volta. Não só de nostalgia, mas também uma forma de encarar coisas que eu fingia não ver na época, porque me incomodavam. E ver que tudo passou, que eu superei. Que é clichê, mas melhora sim com o tempo (se a gente deixar). Que é uma fase complicada, mas também é uma fase promissora. E que adolescente pode ser um "bicho" irritante, mas também são pessoas com um potencial absurdo pra coisas fantásticas. 

Valeu por me convencer a levar o livro e por me mostrar isso, José Aguiar!

Nome: Folheteen - Tiras pra todo lado
Autor: José Aguiar
Editora: Quadrinhofilia

Valente por Opção


Sabe todas aquelas vezes em que a gente se pergunta porque a vida não se parece com aqueles filmes onde a história dos protagonistas é fantástica, emocionante, de tirar o fôlego? Pois é. A vida é. Só que a gente nunca vê, seja porque estamos lamentando alguma coisa mais do que deveria, seja porque o ônibus já vai embora sem a gente, seja porque estamos preocupados demais em evitar a carne moída do pastel.

E é tudo ao mesmo tempo, sabe? E nem sempre a gente consegue organizar e ordenar os pensamentos, os acontecimentos, as opiniões e as ilusões. Fica tudo misturado. E não podemos parar de fazer escolhas. E aí não vemos o quanto a vida é legal com a gente.

E é pra isso que o Valente tá aí, pra esfregar isso na nossa cara. Hahahaha

Antes dá vontade de gritar “Valente, olha pro lado! Presta atenção!”, mas aí a gente acaba se reconhecendo em algum quadrinho...

Valente por opção é o terceiro livro do Valente, personagem do Vitor Cafaggi (de quem eu virei fã porque não tem nada que eu leia dele – e da irmãzinha que humilha em relacionamentos amorosos – que eu não ache lindo!), agora publicado pela Panini. Ao mesmo tempo que a gente conclui que algumas coisas podem ser autobiográficas, percebemos que outras são aplicáveis à vida de qualquer pessoa. A vida é assim: quando você está lá se lamentando, pode ser que seu melhor amigo também esteja, pelo mesmo motivo.  E nunca se esqueça: Rocky Balboa é o exemplo, cara. 

Valente é bonitinho, é divertido, é uma lição de vida!


Valente é Valente! Por opção!

P.S.: Sério que eu li 94 páginas assim tão rápido? :P

Nome: Valente por opção
Autor: Vitor Cafaggi
Editora: Panini Comics
Nota no Skoob: 5/5

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Menina Iluminada


Mais uma leitura do FIQ: comprei Menina Iluminada no estande da Comix (junto com o Instruções), cinco minutos depois de chegar ao evento. É assim mesmo, a gente chega, vê um estande com um monte de coisas lindas e desejáveis e sedutoras... E não resiste. Também, a gente não quer resistir. :)

O livro foi escrito para Tori Amos, cantora e amiga de Neil Gaiman, quando ela estava grávida de uma menina. O texto é uma prece, onde o autor deseja um monte de coisas mágicas e lindas para a menina.

O que chama a atenção são duas coisas:
1      1. O que ele deseja: o que toda menina quer, mas que nem sempre a gente lembra disso (seja ao querer, seja ao desejar a alguém);
2    2. Se dirige a QUALQUER menina, de qualquer idade.

Acabei de ler o livro com vontade de comprar mais um tanto de cópias e presentear várias amigas/conhecidas/familiares mulheres. Senti que muitas precisam ler, outras não tanto, mas tirariam um monte de coisas boas da leitura. É um resgate aos sonhos, à pureza, ao que  está lá dentro, muitas vezes enterrado pela vida cotidiana. Tudo isso muito ressaltado pelas ilustrações de Charles Vess, bem no estilo dos livros vitorianos infantis, mas ainda com algo próprio e atual.


É um livro mágico, viu?

Nome: Menina Iluminada (Blueberry Girl)
Autor: Neil Gaiman
Ilustrações: Charles Vess
Páginas: 32
Editora: Rocco Pequenos Leitores
Nota no Skoob: 5/5

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Totalmente Subjetivo

A capa do meu é diferente, mas só achei essa online...

Mulheres. Cores. Dias. Tudo muito subjetivo.

Esse é um livro bem curtinho, com 10 páginas onde as cores circulam o texto e mandam no que a gente vê. Sim, o tema do livro são as cores, cuja interpretação cada um tem a sua, dependendo da história de vida, tendências, mundos particulares. Uma única cor pode significar coisas bem diferentes pra pessoas distintas. Assim, já na primeira página a autora avisa: isso não é um guia ou uma lista com regras, mas um convite a pensar no que cada uma das cores significa pra quem lê.

Um tempo atrás, vi no Catarse (ele de novo) o projeto da Chris Peter para um livro sobre o uso das cores. Só não contribuí porque estava apertada na época, além de não ser muito da área. Eu teria um livro bonito, mas talvez sem uso. Aí comprei este, Totalmente Subjetivo, e comecei a pensar se não me enganei feio... Ainda que seja curto, a sugestão do que cada cor pode significar me deu muita vontade de me aprofundar mais nisso.

Aprofundar. Ir mais fundo.


Não sei vocês, mas essa ideia de ‘profundo’ me soa extremamente feminina. Me faz pensar em coisas implícitas, sugeridas, intensas, fortes, mas nem sempre óbvias. Sutis. Como tudo que é feminino. Não à toa, cada cor no livro corresponde à imagem de uma mulher e um texto com suas impressões, que dá impressão de estarmos em contato com sensações e sentimentos muito profundos delas. Branca, Rosa, Verde e Amarela. Ás vezes recolhidas ou temerosas, as vezes bem vivas e enérgicas. Cada uma com sua devida porcentagem de cores básicas (porque a maioria das cores é uma mistura de várias outras, né? O que me faz pensar em tons e nuances – exatamente como as pessoas)

Nome: Totalmente Subjetivo
Autora: Chris Peter
Marsupial Editora

domingo, 24 de novembro de 2013

Ana e o Sapo

Conheci Ana e o Sapo no Catarse, há pouquíssimo tempo, quando vasculhava os projetos do site em busca de coisas legais. Achei a página do projeto, curti o desenho (cara, quer chamar minha atenção? Coloque uma personagem de cabelo vermelho. Hahaha), curti o sapo, curti a ideia e apoiei. Aí a AnaLu, a criadora, dona do cabelo mais vermelho que eu já vi na vida, deu a opção de quem fosse ao FIQ desse ano poder pegar o livro lá de uma vez, ao invés de esperar o processo do site acabar. E, sortuda como sou por morar na cidade da Feira mais legal do mundo, fui lá e peguei (com autógrafo e sapinho uhuu)!

E curti!

Sabe todas aquelas vezes em que alguma acontece e as pessoas acham que você está quieta e sem reagir, mas na verdade você está com a sua cabeça a mil, com um monte de pensamentos em polvorosa? Ou quando para pra pensar na vida, precisa comentar com alguém, mas o alguém que merece ouvir só existe na sua cabeça?

Pois bem, me identifiquei com vários dos “quadrinhos de um quadro só” de Ana e o Sapo. Acho que todos nós temos nosso próprio sapo, ainda que as vezes ele tenha cara de gente, de objeto ou de outro animal (vai da sua cabeça, né?) As vezes o sapo aparece quando precisamos processar informação. As vezes, quando estamos sozinhos, e aí ele vem pra fazer companhia. Outras, pra inspirar. E por aí vai. Ele é bem companheiro...

E, através das conversas com seu Sapo, Ana vai mostrando seus pensamentos, conflitos, questionamentos, dúvidas... todas elas bem pessoais, mas fáceis de provocar identificação.


E o que eu mais gostei é que “verde com vermelho dá rosa”! :)

Nome: Ana e o Sapo - Quadrinhos de um Quadro Só
Autora: AnaLu Medeiros

sábado, 23 de novembro de 2013

Duo.tone


Imaginação é uma coisa linda, gente. Não sei nem mais o que dizer.

Sei que tive um momento de identificação instantânea com esse livro, principalmente com a primeira parte. Dá vontade de chorar em algumas partes? Dá. É bonitinho? É. Aliás, é lindo.

Gente, o Senhor Lobo... :S

Duo.tone funciona como um lembrete de como víamos o mundo quando éramos crianças. Coisas corriqueiras para adultos podiam ser imensamente importantes, ou mesmo sofridas, e vice-versa. É uma simples questão de ponto de vista.

Só não digo “que saudades do meu ponto de vista de criança” porque eu acho que nunca o abandonei de verdade, só ganhei outros que me distraem com frequência. (me julguem hahaha)


P.S.: Sim, to achando meu comentário dessa vez bem bobo e sem graça. Desculpem, mas acho que dessa vez eu to “processando” a leitura mais internamente. Vai ver é o fim do ano. :P
P.S.²: Não sei se deu pra perceber, mas comecei a ler os livros que comprei no FIQ, então vai ter uma leva de quadrinhos por aqui agora... hehehehe

Nome: Duo.tone
Autor: Vitor Cafaggi
Páginas: 40
Nota no Skoob: 5/5

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Instruções

Todo mundo deveria ler Instruções.

Todo mundo tem uma criança lá no fundo, esperando por atenção. Alguns escondem mais que outros, mas todo mundo tem. E quando fingimos que não a vemos, aí os problemas surgem. Porque não se pode deixar uma criança sozinha, abandonada.

Crianças querem aventuras. Querem ação. Querem desafios pra ser ultrapassados, pra que elas possam provar que são grandinhas e sabem muito bem cuidar de si mesmas. E quer saber? Elas conseguem sim. Elas são tão espertas e sábias que conseguem sair vitoriosas e mais fortes só com a ajuda de algumas dicas (afinal, elas não conhecem tudo ainda, né).

E é por isso que basta apenas um manual de instruções. Você não precisa dizer exatamente o que acontece, como acontece, quais as consequências e tal. Você só precisa dar um toque sobre qual porta leva a qual lugar, quem é mais confiável e por aí vai. O resto as crianças fazem sozinhas.

Esse livro é exatamente isso, um manual de instruções pra uma grande aventura. Sem detalhes, sem narrações, sem consequências. Só um pequeno guia pra que cada criança consiga se aventurar naquele outro país mágico, onde as regras são bem diferentes das do nosso mundo. Um pequeno guia pra você saber se vai se afogar ao nadar com o peixe de prata (não vai, não se preocupe) ou qual das irmãs da torre não é confiável.

O protagonista? A criança que está lendo. É, você mesmo, escondidinho aí no fundo...

Nota: quanto tempo dura a aventura depende de cada um. Pode ser que você não queira seguir alguma instrução, e aí vai ter que encontrar atalhos...


Nome: Instruções
Autores: Neil Gaiman e Charles Vess (ilus.)
Editora: Rocco
Páginas: 40
Nota no Skoob: 5/5

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Noites Negras de Natal e outras histórias


Vamos lá: terror definitivamente NÃO é a minha praia. Mesmo. Me chamem de ‘franga’, de medrosa, de sei lá mais o que, mas não dou muito certo com esse estilo de histórias (sou ansiosa e não gosto de piorar isso com literatura e filmes, que supostamente deveriam melhorar meu humor hahaha). Mas resolvi dar uma chance para o livro porque gosto de conhecer autores nacionais, principalmente os não tão famosões, e dar apoio (o ebook custou míseros R$2,27 na Livraria Cultura, mas gosto de pensar que ajudei em algo com a compra hahahaha). Sei lá, é sempre bom dar uma chance pra autores que a gente não conhece, ver se vai ficar legal, né? O livro foi escrito, revisado e diagramado pelas autoras, há que se reconhecer o trabalho!

Bom, não tem nenhum conto chamado “Noites Negras de Natal”, o que me fez estranhar o “e outras histórias do título”, mas achei isso o de menos. O livro tem quatro contos de “terror natalino”: “O Último Panetone de Natal”, “Lembranças Vermelhas, “Setor B12” e “A Morte do Cisne”, intercalando as autoras. O 1º e o 3º são da Karen Alvares,  enquanto o 2º e o 4º são da Melissa de Sá.

Comentando um por um, com o meu pé atrás (porque são de terror hahah):

O Último Panetone de Natal 
Não sei se curti muito, mas algo me diz que o que eu não gostei foi meio proposital. O conto começou como uma cena dramática de uma novela ou seriado: um casal na estrada, com o humor um pouco ruim, influenciado pelo aniversário de morte dos pais da ‘mocinha’. Pra mim isso tava bem normal, não antecipando nada muito aterrorizante. Perto do final, a coisa começa a mudar de figura de uma maneira que pra mim foi um pouco repentina e pareceu desconexa com o início da história. Depois fiquei com a sensação de algo no estilo Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, com cenas meio trash. Outra coisa um pouco confusa pra mim foi a linguagem: uma hora tava com o vocabulário “normal”, noutra tinha palavras, digamos, “de baixo calão”, refletindo o pensamento do ‘mocinho’. Entendi a intenção, mas acho que isso podia ser mais fluido... Enfim, foi o conto trash do livro (até pelo nome)

Lembranças Vermelhas
Pra mim foi o melhor conto do livro. Começa com uma situação aparentemente corriqueira, mas ainda assim incômoda, graças aos personagens com problemas de relacionamento, onde algo parece fora do lugar. Aos poucos, as coisas vão acontecendo como num filme de terror clássico: um vulto aqui, um barulho estranho ali, e vamos ficando tensos, não por conta do que está acontecendo, mas por estarmos muito conectados com o protagonista e a forma como ele reage às coisas. Acho que o que eu gostei no conto é que ele é mais o estilo que eu costumo “tolerar” mais: o terror psicológico, com suspense, ao invés daquele horror escancarado. E não quero saber de renas no Natal, fim.

Setor B-12
Este conto também segue um pouco da linha suspense, mas com toques de horror, onde operários sofrem acidentes muito tensos em uma obra (o tal setor B-12). O mistério fica por conta do que está causando esses acidentes. E não esperem uma explicação racional. Algumas coisas não são pra ser entendidas...

A Morte do Cisne
Nossa, que coisa triste! Quando li a resenha do livro, confesso que foi esse conto que me convenceu a lê-lo. Fala dos momentos finais de Odette, protagonista de O Lago dos Cisnes (aquele balé famoso – e lindo – do Tchaikovsky). São cenas bastante tensas, com coisas como beber o sangue de uma outra “vítima” do vilão, mas é o desespero e o estado psicológico da protagonista que contam. Desespero tão grande que a leva ao desfecho da história (que já conhecemos, né?)


Em resumo, tirando o primeiro conto, que estrapolou o MEU limite, gostei das histórias. Os acontecimentos foram bem entrelaçados, bem construídos e me fizeram esperar um clímax, alguma resolução, continuando presa até o final da história (que, como a maioria das histórias de terror, não tem final feliz, obviamente).  

A 5a Onda


Primeiro comentário que me vem à mente para falar de A 5ª Onda: eu não sei se gostei ou desgostei. Tem algo de muito bom e algo de muito ruim nesse livro, e acho que até agora não consegui ter certeza do que é.

O livro fala sobre uma invasão alienígena, mas uma de “verdade”, não aquelas hollywoodianas onde a nave mãe passa por Los Angeles e é derrotada no final por um mocinho corajoso e impetuoso. Cassie, a protagonista, repete o tempo todo na história que “nós entendemos tudo errado”. Não há tempo pra isso. Quando os alienígenas chegarem, nós nem perceberemos.

E, de fato, o início do livro dá essa sensação de não saber o que está acontecendo. Cassie se encontra sozinha na floresta, e seu objetivo é apenas a sobrevivência. Qualquer pessoa pode ser um dos “Outros” (como ela se refere aos aliens) tentando se passar por humano, então não se pode confiar em ninguém. Confiar = morrer. E por estar sozinha, Cassie – e nós, leitores – não sabe muito bem o que fazer, pra onde ir, o que vai acontecer. Não sabe nem se ainda existem outros seres humanos vivos no planeta.

A invasão alienígena que matou sete bilhões de pessoas na história foi feita em 4 ataques, chamados de “ondas”, que vão de um pulso eletromagnético, que deixa a humanidade sem energia, até um vírus que extermina bilhões. Durante a história, nos encontramos a espera do 5º ataque, que ninguém sabe como será – ou se realmente acontecerá.

Achei a história bem desenvolvida, com acontecimentos bem entrelaçados. Mas achei que poderiam ter sido trabalhados de alguma forma mais interessante, não tenho certeza. A história começa focando no futuro da humanidade, mas em vários pontos passa a focar em personagens específicos, e é aí que eu fiquei incomodada. Até entendi a intenção do autor em usar crianças, e ele deu uma bela explicação para isso: crianças são o futuro. Mas não precisava fazer a coisa virar quase um Crepúsculo no meio da história, pra depois deixar de ser, depois voltar, e não se resolver muito bem.

Além disso, se a história começa discutindo o futuro da humanidade, ela termina “resolvendo” a questão da protagonista. Fica algo no ar. Até nem acho que isso seja um problema em si (uma invasão alienígena não se resolve simplesmente destruindo a nave mãe e fim, né?). Mas fiquei com a sensação de que o livro mudou de assunto ou algo assim...  até o ponto em que comecei a pensar se o autor não está planejando uma sequência. Vai saber! No final das contas, acabou sendo um livro muito bem estruturado e escrito, mas com uma "pegada" muito hollywoodiana. Bem o que a protagonista criticava...

Nome: The 5th Wave
Autor: Rick Yancey
Nota no Skoob: 2/5

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A culpa é das estrelas


Ainda não me decidi se esse livro é muito bonitinho ou muito triste. Acho que os dois. Sei que ainda não consigo formar uma opinião conclusiva sobre ele, to “processando” a informação ainda. E, principalmente, confesso que estou com um pouco de receio de comentar qualquer coisa aqui, porque me sinto "me metendo" com algo sério, que não entendo, e que só quem viveu sabe como é. Então, se eu falar bobeiras, me perdoem... :S

Achei bem interessante (e talvez corajosa) a intenção do escritor de mergulhar nesse mundo do câncer, um mundo do qual todos tem medo, ninguém quer falar ou pensar, e aí ninguém entende. Só quem está lá entende, na verdade, mas acho que o livro ajudou bastante a ter uma ideia um pouco mais realista e menos romantizada do câncer. Sim, romantizada, aquela ideia de “lutar bravamente pela vida”. Claro que muita gente luta bravamente, mas não podemos simplesmente decidir não dar atenção pra parte que é ruim, que dói, que é insuportável e faz as pessoas sofrerem. Ela está lá, junto com a parte de lutar e resistir.

Mas não acho que A Culpa é das Estrelas fala sobre o câncer em si, de verdade. Acho que o livro fala da parte que não é câncer. Sobre o que você é além da doença (por mais que algumas pessoas, como a protagonista – pelo menos no começo do livro – hajam como se a vida fosse apenas a doença), sobre a marca que deixa no mundo. Acho que esse livro é sobre o quanto tudo é relativo. Some infinities are bigger than other infinities

Acho, também, que é sobre algo maior. O tal do Something com S maiúsculo (desculpa gente, eu li em inglês, não sei como ficaram alguns termos e citações na tradução em PT :S) É sobre conseguir juntar as estrelas (que são os pensamentos e sentimentos) e formar constelações. É sobre relacionamentos. É sobre o que você faz da sua vida, sobre as marcas que você deixa. Porque, como diz Augustus Waters, você não escolhe se vai se machucar no mundo, mas escolhe quem vai te machucar. E cada marca que você deixa é, de certa forma, uma cicatriz. E é aí que tá: cicatrizes não são de todo ruins, elas fazem parte. Elas te fazem quem você é, e elas podem inclusive te dar coisas boas pra lembrar, viver, e por aí vai.

CLARO que eu também penso que não faço ideia do que to falando. Tive essa sensação o livro inteiro, a de que estava me metendo com algo que não entendo, que estava tendo impressões errôneas e por aí vai.
Achei bem curiosa a forma como Hazel pensa, e a forma como os pensamentos e ideias dela mudam ao longo da história. De uma pessoa altamente irônica, sarcástica, desacreditada e que nega tudo para alguém que vai percebendo que o mundo tem outras perspectivas, até o momento em que ela se vê como a mais saudável da “turma” (justo ela, que já está no período de sobrevida bem imprevisível, ou algo complicado assim).

Enfim, talvez eu leia esse post daqui um tempo e pense “quanta asneira”. Talvez não. Ainda estou processando tudo. Mas acho que é um dos livros onde eu marquei mais citações.
O universo quer ser percebido. Mas nós também queremos ser percebidos por ele, e talvez seja isso que torne as coisas mais, digamos, “difíceis”..

“Who am I, living in the middle of history, to tell the universe that it – or my observation of it – is temporary?”

Nome: The Fault in Our Stars
Autor: John Green
Editora: Dutton Books
Nota no Skoob: 4/5

P.S.: Só não dei nota 5/5 pro livro porque achei o Peter Van Houten bem clichê. :S
P.S.2: Eu já não respiro direito normalmente, o tanto que eu fiquei sem ar lendo esse livro não tá no esquema... hahahaha 
P.S.3: Só agora, escrevendo o comentário acima, to me dando conta do paralelo entre a Hazel não respirar ao mesmo tempo em que foge de "viver". Ou eu to viajando. Vai saber...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Deuses Americanos (American Gods)


Muito tempo lendo, mas não muito o que dizer. Afinal, estou falando de American Gods, um dos meus livros favoritos! Não tem que falar nada, tem que ler. Hehehehe

Enfim, foi a segunda leitura que fiz do livro. A primeira foi quando comprei, há alguns anos (não lembro exatamente :S). Uns meses atrás saiu a notícia de que a HBO está começando a produção pra transformá-lo em uma série, e aí bateu a vontade de ler de novo, pra relembrar detalhes (e não duvido que vou ler de novo antes da série estrear).  E a segunda leitura é aquilo que a gente sabe: muita coisa que passou batido da primeira vez chama atenção, coisas que antes a gente não tinha conseguido entender ficam mais claras, coisas que a gente leu, entendeu e gostou mostram outras facetas. E, no caso de um livro que fala sobre deuses do mundo todo (sim, porque a América é isso, o lugar onde o mundo todo se encontra), claro que sempre vai ter um jeito novo de ver uma cena que pra gente já é velha.

Sempre que alguém me pergunta no que eu acredito, se eu sou religiosa, de que religião eu sou e coisa do tipo, me dá vontade de falar “vá ler American Gods”. Meu plano mais recente de tatuagem é uma citação de lá. Acho que nunca me encontrei tanto em um livro quanto nesse.  

Deuses? Os deuses vêm de um lugar, existem por um motivo. Eles vêm do coração do homem. E eles existem porque o homem acredita. E acreditar tem um poder que muita gente nem imagina...

Não acho que é o caso aqui fazer um resumo do livro, contar um pouco da história do livro pra ver se alguém interessa por ela. Resumo e release é o que mais tem por aí. E, como o Mr. Ibis (ou Tot, pra quem tiver “inclinações egípcias”) anota em seu caderninho: uma história bem contada é como um mapa de uma região. Se você dá muitos detalhes, o mapa acaba ficando idêntico à região, e acaba se transformando nela própria. E aí se torna um mapa inútil.

Ou seja, leiam American Gods, por que se eu contar acaba a graça.

“People believe, thought Shadow. It's what people do. They believe. And then they will not take responsibility for their beliefs; they conjure things, and do not trust the conjurations. People populate the darkness; with ghosts, with gods, with electrons, with tales. People imagine, and people believe: and it is that belief, that rock-solid belief, that makes things happen.”


(preciso comentar que acho que a capa da edição brasileira tirou toda a graça que a capa original tinha. Essa imagem da estrada com relâmpagos diz mais sobre o livro do que os predinhos que colocaram na edição daqui ¬¬)

Nome: American Gods
Autor: Neil Gaiman
Editora: Harper Torch
Nota no Skoob: 5/5

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ícones dos Quadrinhos

Alô, vocês!

Não, não larguei o blog, nem desisti dele. O que tá acontecendo é que eu resolvi reler um livro meio grandinho enquanto fico sem tempo por conta de váááários compromissos e coisas pra estudar. Mas já já acabo o livro e venho aqui comentar (é releitura, mas ele nunca apareceu aqui)!

Enquanto isso, resolvi vir fazer um pequeno textinho sobre um livro muito bacana que recebi ontem: Ícones dos Quadrinhos, organizado pelo Ivan Costa. O livro foi feito através de um projeto de Crowdfunding, onde inúmeros leitores e fãs contribuíram com quantias variadas para que ele fosse publicado. Ficou pronto, e agora todos que contribuíram estão recebendo seus exemplares (eu inclusa \o/). O conteúdo? Releituras de diversos personagens icônicos, feitas por um monte de gente boa da área, desenhistas excelentes tanto do Brasil quanto de fora (eu não sabia, e me surpreendi com o Yellow Kid do Bill Sienkiewicz).

Recebi ontem, e desde ontem não paro de “folhear”, de ficar olhando as imagens e lendo os textos.  Em vários deles dá pra ver nitidamente a importância que o personagem teve na vida do desenhista. E foi aí que eu me dei conta: pra mim também.

Os quadrinhos foram meus contos de fadas, essa é a verdade. Vou confessar pra vocês: eu sou fã da Disney hoje em dia, sei as musiquinhas de muitos filmes, mas não posso dizer que tinha princesas preferidas na infância. Eu simplesmente não conseguia me identificar com ninguém (não, nem com a Ariel. Aliás, muito menos com a Ariel hahaha) 

Fui elaborando esse pensamento com o livro em mãos, e acabei lembrando de um outro livro que li (e foi comentado aqui), que falava o quanto cada conto de fadas ajudava as crianças a lidar com suas questões internas. Claro que muitos devem ter me ajudado, mas sinceramente? Não consigo me lembrar de nenhum deles ser tão importante na minha vida quanto X-Men, por exemplo. Ou Turma da Mônica. Quando a minha orientadora na faculdade de Letras me apresentou a Intermidialidade, uma das coisas que eu mais achei legal era que, com ela, dava pra fazer muita gente levar os quadrinhos a sério.

Eu nunca me identifiquei com a Ariel (que as pessoas relacionam a mim toda hora, por causa do meu cabelo gigante e vermelho hahah), mas eu venerava a Jean Grey. No livro, ela foi desenhada pelo Vítor Cafaggi (do outro livro quecomentei aqui), que disse que ela era a garotinha ruiva de todo garoto. Quando eu li isso, me dei conta de que quando eu era mais nova, o que eu queria era ser a garotinha ruiva. Eu poderia ser a Mary Jane, mas não rolou, ela era muito bonitona popular. Mais fácil eu me identificar com o Peter Parker (alou, turma dos losers o/). Eu preferia a Jean, que era ridiculamente frágil (o bastante pra irritar muitos fãs de X-Men), mas que tinha uma força contida bem destrutiva e agressiva (oi!).

Mas eu também já fui a Magali. E a Tina. E a Mônica, mesmo eu sendo magrela. Já fui uma Guerreira Mágica de Rayearth, já fui Sailor Moon, já fui Mulher Gavião e até Hera Venenosa (apesar de até hoje eu ter uma certa birrinha com a maioria dos personagens da DC – não me perguntem, é inconsciente, vem desde criança! Hahaha). Já fui Psylocke, e já fui o Calvin. Há alguns anos, resolvi que tenho muita coisa pra aprender com a Morte, a personagem mais otimista, simpática e tranquila que eu já vi na história dos quadrinhos.

Já vi um monte de gente fazer pouco caso dos quadrinhos, falar que é coisa de criança, falar que é bobo, que é perda de tempo. Vocês não fazem ideia, galera. É coisa de criança? Pode ser. Mas crianças podem ser muito mais inteligentes e espertas que os adultos, viu?


Pois é isso, meus contos de fadas foram os quadrinhos (pelo menos até eu descobrir a existência do Tolkien, mas aí é outra história). E aposto que o de milhões de pessoas mundo afora também!

domingo, 25 de agosto de 2013

Laços


Então, Laços...

To tentando achar as palavras certas pra comentar essa graphic novel sem cair na mesmice de falar que é fofo e dá vontade de chorar (que é o que todo mundo anda falando). Pois é, é fofo e dá vontade de chorar mesmo. Hahahaha

A primeira coisa que me veio à cabeça quando eu acabei de ler foi “mas poxa, já acabou? Quero mais!” Pra mim, que não lia nada da Mônica há anos (tirando uma revistinha ou outra que eu já achei em salas de espera por aí), ler Laços foi, principalmente, nostálgico. Não sei dizer se fatores específicos da história me fizeram lembrar acontecimentos ou fases da minha vida, ou me fizeram lembrar histórias da Turma da Mônica que eu gostava muito, mas fiquei o tempo todo com aquela sensação de voltar a um lugar que eu não ia há muito tempo.  E foi bom, muito bom!

Sabe aquela sensação de ler algo que mesmo parecendo ser feito para crianças, com personagens crianças e afins, foi feita pra adultos (ou pelo menos engana muito bem nisso hahaha)? Eu tive. Como se cada coisinha na história fosse feita pra alcançar aquela criança que a maioria de nós fica escondendo e sufocando o tempo todo, sabe? Às vezes, a gente precisa deixar ela sair, tomar um ar, se divertir...

E os desenhos? Sim, são fofos, mas me deram uma impressão diferente também: acho que foi a primeira vez que eu vi a turma da Mônica com cara de crianças de verdade, ao invés daqueles traços característicos da revistinha do Maurício de Souza, que são icônicos, muito legais, mas na minha cabeça nunca deixavam de ser desenhos. Não sei se soou confuso, mas o que eu quero dizer é que os desenhos do Vítor Cafaggi me deram uma sensação muito mais realista, como se aqueles meninos procurando o cachorro verde perdido pudessem ser, sei lá, meus vizinhos... Principalmente a Magali comendo churros! Hahahaha (atoron a Magali!)

Os desenhos da Lu já tem outra cara pra mim. Tem mais aquele clima de sonho, de lembrança, de memórias muito emocionantes e profundas, daquelas que fazem acontecimentos aparentemente banais se mostrarem muito, muito significativos. É só pensar em quantos meninos por aí já ficaram doentes e ganharam um cachorro. Vários, mas nenhum com um momento tão bonito quanto aquele do Cebolinha. Ou pelo menos, não que a gente percebesse...  


Concluindo, repito: quero uma série completa de histórias da Turma da Mônica (ou do Cebolinha, depende do ponto de vista) desenhada pelos dois! :)

Nome: Turma da Mônica - Laços
Autores: Vítor e Lu Cafaggi
Editora: Panini
Nota no Skoob: 5/5

segunda-feira, 22 de julho de 2013

The Ocean at the End of the Lane


Terminei The Ocean at the End of the Lane.

Antes de qualquer coisa, tenho que dizer que eu não gosto de ler os livros do Neil Gaiman em português. Gosto muito do estilo dele e da forma como ele lida com as palavras (tem uns trocadilhos muito legais que costumam até passar despercebidos, e eu só percebo quando leio de novo, e outras coisas do tipo), e acho que as traduções estragam isso completamente, por melhor que o tradutor seja. Na verdade, é assim com qualquer tradução, de qualquer coisa. Sempre tem algo que vai ser perdido na troca de línguas, é assim que funciona. Mas a minha escolha foi sempre ler as obras do meu autor preferido na língua em que ele escreveu, então, pelo menos no caso dele, português está abolido.

Enfim, estava ouvindo falar desse livro há muito, muito tempo. Como sigo vários twitters e páginas do facebook relacionadas ao autor, via a publicidade o tempo todo. Até contagem regressiva. Até uma propaganda absurda de uma edição linda de capa dura e autografada, que eu só não podia comprar porque moro no Brasil e ela era exclusividade americana. :(

Uma das coisas que eu mais via falar era o quanto esse livro representa a vida do Neil Gaiman. O quanto ele mostrava quem ele realmente é, como foram as coisas pra ele. Isso ficou tão enraizado na minha cabeça que quando comecei  a ler o livro, fiquei chocada com algumas coisas.

Bom, sem dar spoilers: o livro mistura algumas coisas da vida cotidiana com a boa e velha magia e mitologia e tudo o mais que a gente sempre vê nas histórias do autor. Até aí é fácil separar o que pode ser verdade do que pode ser ficção. Até a gente ver mais detalhes sobre a relação do protagonista (um menino de 7 anos) com o pai, e coisas que aconteceram entre eles. Em um momento do livro eu cheguei a ficar perturbada. E como é tudo em primeira pessoa, eu realmente me senti no papel do menino (livro bom é assim hahah). 

Me identifiquei também com a parte do "minha infância foi assim, não foi aquela 'felicidade' clichê". Me identifiquei com a parte dele ser o garoto dos livros, ao invés do garoto que joga bola, luta e tem "a vida normal que os pais esperam". Com ter dificuldade em fazer amigos na época, em sonhar e viver os poemas, as histórias e as lendas que ele lia. Enfim, em ter a infância DELE, que pode não ser do tipo que se considera uma infância divertida e "ideal", mas é o que fez dele quem ele é. Depois, com o tempo, com as experiências e aprendizado, as coisas melhoram. 

Foi uma experiência um pouco diferente. O velho estilo que leva sonhos, lendas e mágica a sério, mas colocado no contexto ‘essa é minha vida’ do autor, que faz tudo parecer ainda mais real. Achei o tom mais sério também, mais pé no chão. E muito, muito bom! Tá mais que recomendado!  (mas confesso, meu preferido do Gaiman continua sendo American Gods)


Ainda espero poder comprar alguma edição bonitona (em inglês)do livro! Pra não ler em português, tive que me contentar com ebook, mas quando é livro bom de autor que eu gosto, prefiro ter o livro físico...

Nome do livro: The Ocean at the End of the Lane
Autor: Neil Gaiman
Editora: Headline
Nota no Skoob: 5/5