sábado, 12 de janeiro de 2013

A Sabedoria do Condado - Noble Smith


Então, primeiro post dessa nova fase do blog! Iuhuuu!

To acabando de ler A Sabedoria do Condado, de Noble Smith, publicado pela editora Novo Conceito. A minha primeira impressão (e acho que a primeira impressão de quase todo mundo que leu ou pelo menos folheou o livro) foi/é a de que ele é uma espécie de autoajuda baseada na obra de Tolkien. Aliás, "uma espécie" não, autoajuda mesmo.

Falar sobre "autoajuda" é caminhar por um terreno perigoso. É polêmico, e muitas vezes põe a qualidade do texto em cheque. Eu preferi continuar lendo o livro ignorando essa parte, pra não ser influenciada. E sabe que é um livro gostoso de ler?

O autor, Noble Smith, dá vários conselhos, ou faz comentários do tipo "seria muito melhor se fizéssemos assim ao invés de assado". Tudo baseado em personagens, situações, lugares e coisas relacionadas ao Senhor dos Anéis ou O Hobbit. Ele usa muito os apêndices de SDA também, e algumas coisas do livro O Silmarillion (ou seja, deu pra ver que é tudo baseado nos livros, e não na adaptação cinematográfica). Por mais que algum "conselho" possa parecer forçado para o leitor, vale a pena ver como ele retirou a ideia da obra. Achei interessantíssimo em alguns trechos descobrir coisas sobre personagens que eu jamais teria notado se ele não tivesse falado. Coisas corriqueiras, como entender porque Boromir foi facilmente corrompido pelo Anel, enquanto seu irmão Faramir resistiu e conseguiu deixar Frodo ir embora: Faramir era a representação do "homem pensador", que estuda, que entende o mundo. Era pupilo de Gandalf.

Essas tentativas de exemplificar conselhos com atitudes dos personagens também faz a gente entender melhor o que Tolkien quis escrevendo aquilo. Vocês sabiam que os hobbits comemoram o aniversário presenteando os convidados, e não o contrário? E que quando Gollum afirma que ele ganhou o Um Anel no seu aniversário, ele está corrompendo e deturpando essa tradição? E mais ainda: vocês imaginariam que as histórias não tem cenas de amor ou sexo porque era esse o contexto em que Tolkien foi criado e, mais tarde, desenvolveu seu estilo literário (ele nasceu no fim da era vitoriana, uma época cheia de pudores)? Mas que, se você parar pra ler os apêndices percebe muito dessas coisas lá, meio implícitas. Como você acha que o Sam acabou tendo 13 filhos depois que se casou, hein?

Uma coisa que achei cansativa no livro foi o tanto que o autor se coloca no texto como exemplo do que está falando. Na tentativa de exemplificar como seria no mundo real algum aspecto retirado do Hobbit, por exemplo, ele acaba se repetindo contando inúmeras vezes sobre seu casamento, sobre o quanto ama a própria esposa, sobre como se apaixonaram a primeira vista, sobre como fizeram seu jardim de hobbit, etc etc etc. Ou criticando aspectos da sociedade contemporânea, como "não se curte amizades propriamente hoje em dia, só por facebook". Pra mim soou como uma generalização total do padrão americano de vida (que é o que o autor conhece) em alguns trechos. Não que as vezes ele não tenha tido razão, mas sei lá, ficou sendo um ponto de vista meio fechado.

Mas gostei bastante das instruções para criar seu próprio jardim de hobbit no fim do livro (quais plantas, como cultivá-las, como cuidar, etc), ou da receita de Sopa de cerveja e cogumelo dos hobbits, além de outras coisas que são pequenas e parecem bobas, mas devem ser super gostosas de experimentar...


P.S.: Não posso deixar de comentar que a edição, a capa, o material do livro e tal são tão legais que mesmo que você não goste do conteúdo, fica legal na estante. hahahahahah

Nota no Skoob: 3 estrelas 

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