quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Cartas do Papai Noel


Andei lendo dois livros ao mesmo tempo nesses últimos dias. O negócio é que eu andava lendo um que é um pouco mais complexo, então não rolava de lê-lo à noite, antes de ir dormir, porque eu acabava não dando atenção a coisas importantes dele. Precisava de algo mais leve, algo que fosse legal de ler naquele momento em que você não está com sono, mas já não está mais ativo pra outras atividades. Então resolvi ler a minha última aquisição por impulso: Cartas do Papai Noel, de J. R. R. Tolkien.

Gente, que livro LINDO!

A proposta desse blog não é fazer críticas, mas escrever sobre a sensação e a impressão que os livros me deixam. Por isso também não me preocupo em escrever em linguagem “rebuscada”, nem completamente certinho, nem nada assim. Acabo escrevendo até de um jeito desleixado, eu sei, mas acho assim mais fiel ao que eu senti lendo, e não ao que eu pensei lendo. E esse é o livro perfeito pra isso, sério!

Cartas do Papai Noel é uma compilação de cartas escritas por Tolkien para seus filhos, se passando pelo Papai Noel. As cartas foram escritas ao longo de 20 anos, de 1922 a 1942, acompanhando a infância de John, Michael, Christopher (é, o famoso cara q não vende os direitos das obras do pai de jeito nenhum haha) e Priscilla Tolkien.

No início as cartas são endereçadas a John, o mais velho, para mais tarde vermos incluídos os irmãos mais novos, ao mesmo tempo que Papai Noel cumprimenta pelos novos irmãos. Mas o contrário também acontece: os irmãos vão “saindo” da contagem a medida em que crescem e param de se preocupar com o assunto – e isso dá um clima tão melancólico... Papai Noel sempre se despede com um “mande carinhos ao XXXXX, ainda que ele não ligue mais para meias” e coisa parecida, e aí percebe-se como Tolkien se sente em relação ao crescimento dos filhos. 

Sério, achei esse livro LINDO. Me lembra aqueles filmes infantis que se passam no início do século XX, onde as crianças ainda tem sonhos mágicos e ligam pra fantasia, e tudo parece muito mais cheio de esperança e possibilidades (o tipo de coisa que sempre me faz pensar no Quebra-Nozes O.o). Acho lindo pensar em como Tolkien se preocupava em escrever as cartas, inventando todo um contexto e cronologia pros acontecimentos do Polo Norte – que tinha uma rotina, adequada às suas especificidades e moradores, como o Urso Polar, os elfos, os trasgos...

O livro traz cópias das cartas, e pode-se ver como eram bem trabalhadas, cada personagem com sua caligrafia própria – e cheia de comentários extras do Urso Polar –, e cheia de desenhos. Papai Noel sempre mandava desenhos dos acontecimentos, que ele gastava 2 minutos para fazer (muito tempo, já que as crianças Tolkien mereciam essa dedicação). Chegavam cartas e desenhos desde outubro, perguntando o que as crianças queriam de presente, até a véspera de Natal, explicando que provavelmente os presentes não estavam tão completos porque os trasgos estragaram alguns.

Mas o livro também tem uma parte muito tensa e triste, ainda que mascarada pela guerra dos trasgos do Polo Norte: a II Guerra Mundial. Nessa época, apenas Priscilla recebia as cartas (os outros já estavam adultos e, mesmo o livro não mencionando isso, sabe-se que John, o filho mais velho, lutou na Guerra). Papai Noel, aqui, conta sobre crianças que tiveram que mudar de casa, e que estão dando trabalho por não informarem o novo endereço. Os depósitos de presentes também estão mais vazios, já que está difícil repor peças importantes para a fabricação dos brinquedos.

Enfim, um livro interessantíssimo e bonito de se ler. Sim, acho muito bonito ver como Tolkien se esforçou pra manter a fantasia presente na vida dos filhos, seja insistindo nas cartas ainda que eles tivessem crescido, seja tentando reescrever acontecimentos duros da realidade como parte da rotina mágica do Papai Noel. 

Recomendo demais! 

P.S.: Também gostei muito da tradução do livro, que não só foi bem fiel e transmitiu o sentido que Tolkien queria dar aos termos, como separou as páginas finais para explicar alguns termos que brasileiros possam não entender por não compartilharem a cultura inglesa, como Yule, o dia de Santo Estevão e algumas marcas de brinquedos e autores de livros infantis.


Ficha:
Nome do livro: Cartas do Papai Noel
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Martins Fontes
168 páginas
Nota no Skoob: 5/5


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