domingo, 24 de fevereiro de 2013

A Batalha do Apocalipse


Li A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, no final do ano passado, e acho que as impressões que ficaram valem um post aqui.

Eu gostei do livro. Achei bem escrito, além de muito rico em detalhes – imagino que o autor deve ter feito uma pesquisa enorme sobre os lugares e épocas que descreveu, como a Babilônia, e sobre os mitos que citou, além das históricas ligadas ao Cristianismo, estando ou não contidas na Bíblia.

É um livro cheio, com muita coisa acontecendo, o que me proporcionou várias experiências e impressões. Em alguns trechos, não consegui parar a leitura, ainda que tivesse outras coisas requerendo minha atenção. Foi o que aconteceu enquanto eu lia sobre a Babilônia, sobre o motivo de Babel ser tão perfeita, e sobre a renegação de um grupo de anjos. Em outros, confesso, tive sono e preguiça – e só não larguei a leitura porque eram trechos intermediários, eu queria chegar nas coisas que aconteceriam depois deles –, como a viagem à China e o incidente na Palestina na época de Jesus.

Aliás, achei muito legal a forma como o autor lidou com assuntos considerados polêmicos relacionados à religião. Escrever uma história lidando com anjos, demônios, deus e Jesus é complicado, pra não dizer perigoso. Nunca se sabe que tipos de protestos poderão surgir. O nome de Jesus não foi citado, por exemplo, apenas foi feita uma menção à “criança sagrada”. E Deus... Bom, o que aconteceu com Deus na história eu não posso falar, porque estragaria a conclusão do livro. Eu achei bem legal a explicação.

A única coisa que eu não gostei de fato foi o final, que aconteceu com uma espécie de Deus Ex Machina estranha, onde a história voltou pra um momento anterior de um jeito que eu senti ter atrapalhado a fluidez da leitura. A impressão que me deu foi que o autor, cansado de escrever um livro super detalhado, correu pra finalizar o processo logo de uma vez.

Outra coisa que não sei bem se é um ponto negativo, mas que eu achei esquisito e as vezes me dava vontade de rir era a semelhança absurda dos anjos com os Cavaleiros do Zodíaco. Pois é. A descrição das lutas, das armaduras, das rivalidades, e tudo o mais, me fazia lembrar Seya e seus amigos lutando contra a opressão dos Cavaleiros de Ouro. O Arcanjo Miguel, então, era o cavaleiro de Gêmeos tocando o terror. Gabriel, o Arcanjo que decide enfrentá-lo, pra mim era Mu de Áries. E Lúcifer... bem, Lúcifer era como um vilão de mangá de mocinhas, meio estranho.

Mas claro que são impressões pessoais. Acredito que o público do livro seja de uma faixa etária mais jovem, e que pra esses leitores o livro seja muito mais divertido e interessante (talvez fique um tanto pesado graças à quantidade de detalhes na história, mas enfim).

E o fator mais importante de todos, na minha opinião: pra mim, Eduardo Spohr merece todos os créditos do mundo por esse livro. Um pioneiro nessa área da literatura no Brasil, que não costuma receber muito crédito e atenção por aqui, mas que tem um público ávido (e que faz com que as vendas de livros estrangeiros vá às alturas). Espero que o trabalho dele incentive o de muitos outros!

Nome do livro: A Batalha do Apocalipse - Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo
Autor: Eduardo Spohr
Editora: Verus
586 páginas
Nota do Skoob: 2/5

3 comentários:

  1. Oi, Mariana.

    Primeiramente, muito obrigado pela resenha. Que bom que vc gostou do livro. Fico super feliz em saber. E, claro, obrigado pelas críticas tb.

    Sobre o final, é um lance um pouco mais complexo.

    A ideia central da obra é a questão do livre-arbítrio, tema que é colocado intensamente nas três partes. O romance fala sobre essa ideia de que cada um de nós construímos o nosso destino, da primeira à última página. O diálogo entre Ablon e Gabriel, em especial, é o mais significativo neste ponto.

    Assim, tentei fazer, no final, algo coerente. A história fecha, mas deixa a bola nas nossas mãos, seres humanos, que somos os únicos que podem mudar o mundo. Essa é a mensagem do livro em branco, no final. Cada um constrói o seu próprio caminho. Se não houvesse aquele final, a obra toda simplesmente não teria sentido.

    Dar uma resposta clara seria contrariar o que foi exposto durante toda a narrativa. Gabriel diz a Ablon que homens e anjos se alimentam da utopia que seria a existência de Deus, enquanto Deus está, na verdade, dentro de nós. Só nós mesmos podemos reger o nosso futuro. Às vezes isso irrita. Às vezes é desagradável, em nossas vidas, sermos obrigados a fazer certas escolhas. Mas é assim que a vida é.

    Da mesma forma, eu, como autor, não podia dar essa resposta. É cada leitor que deve encontrá-la. Este é o simbolismo do epílogo de "A Batalha do Apocalipse".

    Me despeço deixando um beijo pra vc e para os frequentadores do blog. Qualquer coisa vc me encontra pelo Twitter, Facebook e pelo meu blog.

    Ah, e agora fico na torcida para que curta "Filhos do Éden" também :)

    Bjos,
    Eduardo


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    Respostas
    1. Olá, Eduardo! Fiquei surpresa com a resposta heheheh Muito obrigada pela atenção em vir aqui mostrar o seu lado e a sua intenção!
      Bom, a ideia do blog é dar a minha opinião e impressão sobre os livros que leio, bem pessoal mesmo. De forma alguma considero crítica, e acho que cada um "encontre a sua resposta".
      A questão que me "incomodou" foi mais a relacionada ao Ablon e sua "volta" do que à existência de Deus (até pq eu gostei mto dessa parte, pq é exatamente o que eu já pensava mesmo).
      Mais uma vez, obrigada pelo comentário!

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    2. Obrigado a vc, Mariana. Qualquer coisa estamos aí =)

      Bjos,
      Eduardo

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