quarta-feira, 27 de março de 2013

O Livro da Eterna Magia


Esse livro é uma compilação de contos do folclore irlandês. A autora reuniu uma série de histórias e as organizou, dividindo o livro em duas partes: a dos heróis e deuses, e a dos contos populares. A primeira parte tem contos maiores, mais longos e mais detalhados, com mais diálogos. Já na segunda, os contos são mais curtos, alguns ocupando apenas 2 páginas.

Achei bastante interessante conhecer essas histórias. Não só pra entender melhor como os irlandeses veem (ou viam) alguns seres que o mundo inteiro associa à sua cultura, como os duendes, mas também pra ver o quanto essas histórias influenciaram muitas outras ao redor do mundo. A própria capa do livro já anuncia que elas serviram de inspiração a livros como O Senhor dos Anéis (e alguns fãs "menos fanáticos" poderiam se espantar em como os nomes dos lugares e castelos são tão parecidos) e a saga Harry Potter. Tenho a impressão de que, se um dia eu for pra Irlanda, vou me sentir em outro mundo, um que é um pouco mais mágico e fantástico...

Uma coisa que me incomodou um pouco nesse livro foi a escrita. A maioria das histórias compiladas é baseada em escritos de monges cristãos sobre as tradições celtas com as quais eles tiveram contato. Não sei como a autora do livro fez para selecionar e transcrevê-los, mas achei a forma como ela fez isso bem cansativa. Ela não usou, em hora alguma, pontuação pra indicar diálogos, por exemplo. A fala vem no meio do parágrafo de narração, tudo misturado, e algumas vezes é preciso voltar e ler de novo, porque passamos batido por algumas delas. Ficou bastante confuso pra mim. Acho que talvez minha leitura pudesse ter fluido melhor (como acontece lendo romances) se essas coisas estivessem mais trabalhadas (opinião pessoal!).

Outra coisa: Tenho lido muitos livros com erros muito feios de digitação. Letras trocadas, repetidas, separadas... Erros fáceis de perceber observando as marquinhas vermelhas do Word, por exemplo. O que me faz pensar: será que as editoras não estão dando atenção à revisão das coisas que publicam? Será que esses revisores não estão se dando ao trabalho de dar uma relida final, só pra conferir o que está indo pra impressão?

É triste isso, fica a sensação de falta de cuidado. Muitos desses livros têm capas lindas, são feitos de um papel especial, grosso, tem capa dura e tudo o que se pode imaginar. Dão vontade de exibir na estante mais chamativa da casa. Mas quando a gente abre pra ler, sente que tudo foi feito de um jeito meio largado, na pressa, só pra arrancar o dinheiro do leitor. Vamos prestar mais atenção nisso, né, editoras?

Mas tirando isso, curti a parte "conteúdo" do livro!

Nome do Livro: O Livro da Eterna Magia - Contos de Magia e Mistério dos Celtas
Seleção: Leontina Barca
Ilustrações: Alexandre Camanho
Editora: Princípio
236 páginas
Nota no Skoob: 3/5 

quarta-feira, 6 de março de 2013

A Calendar of Tales


Hoje o comentário é curtinho, pq o “livro” também é.

Ontem acabei de ler A Calendar of Tales, do Neil Gaiman, escrito para um projeto bem interessante da BlackBerry.

Foi mais ou menos assim: Gaiman, que é bem ativo no twitter, fez perguntas relacionadas aos meses para os leitores responderem. Depois, ele escolhia as melhores respostas pra inspirar contos que ele escreveria. Tudo isso organizado pelo pessoal da BlackBerry, que vai lançar o livro mais tarde junto com um novo aparelho que estão desenvolvendo (essa parte eu confesso que não sei em que pé anda). Eu participei da “brincadeira” no twitter, tava bem divertida e teve respostas bem curiosas.

Há poucos dias, a BlackBerry liberou os textos escritos prontos em um arquivo em pdf, para que o público pudesse ler e se inspirar pra fazer ilustrações, que vão entrar na segunda parte do concurso (os melhores irão para o livro, que terá edição limitada). E foi esse arquivo que eu li.

Bom, pra começar, achei surpreendentemente rápida a escrita desses contos, mesmo! Não deu uma semana, acho... E as respostas dos fãs que foram escolhidas para cada mês (ou seja, cada conto) foram surpreendentes. Primeiro, porque quando se trata de Neil Gaiman, a gente espera algo fabuloso, mágico e sobrenatural, o que não era o caso de algumas delas. Segundo, porque tinha coisas que a gente realmente jamais pensaria em responder, algumas delas bem pessoais, inclusive.

Não vou mentir, alguns desses contos eu não achei láááá grandes maravilhas. Pareceu que o Gaiman tava realmente só cumprindo uma tarefa com prazo. Claro que sendo quem é (e nesse “quem” você pode incluir “meu ídolo”) a expectativa fica grande, mas ainda assim...  Sem contar que, paralelamente, eu to lendo Fragile Things, uma coletânea de contos dele que é FANTÁSTICA.

Mas sim, alguns outros contos eram exatamente o que se espera dele. Gostei muito do conto de Outubro, que respondia à pergunta “qual criatura mítica você gostaria de conhecer em outubro?” Ou o de janeiro, sobre o porquê de o mês ser tão perigoso.

Enfim, o projeto ainda não foi concluído, então temos que esperar. Mas as impressões iniciais foram essas. Se você quiser saber mais sobre ele, clica aqui!

segunda-feira, 4 de março de 2013

O Caminho do Poço das Lágrimas


Eu confesso, quando me falavam no nome do André Vianco, me dava uma certa preguicinha. Por que? Porque me lembrava vampiros, e eu tenho meio preguicinha de coisas com vampiros (aumentada desde que isso virou assunto da moda, tanto de góticos hipster quanto dos fãs de Crepúsculo). A única coisa de vampiros que eu aceitei foi True Blood, mas só porque é uma série escrachada (que agora ficou escrachada demais, e tá me dando vontade de largar pra lá também).

Mas enfim, não vem ao caso minha relação com essas criaturinhas. Acho que isso me mostrou o quanto o marketing ou o bafafá das pessoas pode influenciar na formação de novos públicos. Um burburinho pequeno pode acabar sendo a única impressão que você fica de algo ou alguém, e pode ser que esse burburinho não seja nem 10% do que esse algo ou alguém realmente é. E foi assim que uma amiga minha me convenceu a largar essa impressão sobre vampiros e ler O Caminho do Poço das Lágrimas.

Eu gostei do livro. Não é um livro perfeito (mas também, quantos são?), mas é um bom livro. Li em um dia. O estilo me lembrou um monte de coisas misturadas, desde Tim Burton, passando por Silent Hill (que eu também não conheço, mas ouço falar), indo por Neil Gaiman e acabando no Labirinto do Fauno e em Alice no País das Maravilhas. Um misto de infância com vida adulta. Ou melhor, a infância dos adultos. Achei o livro bem cinematográfico também, com paisagens e monstros que, dependendo da produção, poderiam ficar bem legais num filme...

O estilo do escritor é bem legal. Ele escreve como quem conta uma história para crianças (ainda que sejam as crianças que os adultos carregam escondidas lá dentro), o que me faz relacionar isso com os personagens: um pai e seus dois filhos. Às vezes um capítulo fala só sobre um deles, e aí o vocabulário fica de acordo. Só q vez ou outra tem uma coisinha que escorrega e trai a naturalidade, como o menino Bosco falar que algo "é osso", pra depois ver o quanto é difícil lidar com aquele imbróglio. Nada contra, só acho que menino algum sabe o que é imbróglio... hahahah

Os desenhos são lindos, e tem todos esse clima de história para crianças. Só pra deixar claro, quando eu falo "história pra crianças" aqui não quero dizer coisas 'bobinhas', fáceis e tal. O livro tem um clima meio pesado, a gente já começa a leitura sabendo que tem coisa aí, e as ilustrações reforçam essa impressão muito bem. Uma boa definição pra elas (e pra história) é "bonitas, mas tensas". Só que, no fim, acho que essa tensão é a gente que constrói quando lê. Desde a primeira página já dá pra desconfiar que algo aconteceu, e o autor vai dando pistas ao longo da história (e mesmo quando você já tem certeza, a coisa meio que inverte no final e ainda te deixa surpreso). Mas o autor em hora alguma dá essas pistas de forma tensa, ou anunciando uma tragédia. Pelo contrário, ele conta de um jeito mágico, como quem conta uma historinha. E no final ainda reitera que é tudo uma questão de aceitar e vencer o medo que a gente mesmo cria da tal da Dona Aranha.

Aliás, essa Dona Aranha me fez lembrar muito da Morte, personagem do Sandman, de Neil Gaiman: todo mundo tem medo dela, mas todo mundo encontra ela em algum momento, é inevitável. Só que aí acabam descobrindo que ela até que é uma moça muito simpática!

Só uma coisa me incomodou: acho que faltou uma revisão melhor do livro (não sei como funciona essas coisas, mas acredito que seja a parte da editora). Fiquei incomodada com erros de digitação (como letras trocadas) e alguns erros de pontuação (frases muito longas, vírgulas no lugar errado, palavras repetidas 2 vezes na mesma frase). Mas vamos ignorar que eu faço revisões e fico muito mais incomodada com isso do que muita gente. Hahahaha Só acho que uma revisão mais atenta demonstraria um pouco mais de cuidado (fica a dica, Novo Século!) No fim, não atrapalharam a leitura, mas poderiam não estar lá, né?

P.S.: eu tenho tantos ídolos e listas de livros pendentes estrangeiros que acaba que raramente leio autores nacionais atuais. To gostando de conhecê-los! 

Nome do livro: O caminho do poço das lágrimas
Autor: André Vianco
Ilustrações: Lese Pierre
Editora: Novo Século
200 páginas
Nota no Skoob: 3/5