segunda-feira, 4 de março de 2013

O Caminho do Poço das Lágrimas


Eu confesso, quando me falavam no nome do André Vianco, me dava uma certa preguicinha. Por que? Porque me lembrava vampiros, e eu tenho meio preguicinha de coisas com vampiros (aumentada desde que isso virou assunto da moda, tanto de góticos hipster quanto dos fãs de Crepúsculo). A única coisa de vampiros que eu aceitei foi True Blood, mas só porque é uma série escrachada (que agora ficou escrachada demais, e tá me dando vontade de largar pra lá também).

Mas enfim, não vem ao caso minha relação com essas criaturinhas. Acho que isso me mostrou o quanto o marketing ou o bafafá das pessoas pode influenciar na formação de novos públicos. Um burburinho pequeno pode acabar sendo a única impressão que você fica de algo ou alguém, e pode ser que esse burburinho não seja nem 10% do que esse algo ou alguém realmente é. E foi assim que uma amiga minha me convenceu a largar essa impressão sobre vampiros e ler O Caminho do Poço das Lágrimas.

Eu gostei do livro. Não é um livro perfeito (mas também, quantos são?), mas é um bom livro. Li em um dia. O estilo me lembrou um monte de coisas misturadas, desde Tim Burton, passando por Silent Hill (que eu também não conheço, mas ouço falar), indo por Neil Gaiman e acabando no Labirinto do Fauno e em Alice no País das Maravilhas. Um misto de infância com vida adulta. Ou melhor, a infância dos adultos. Achei o livro bem cinematográfico também, com paisagens e monstros que, dependendo da produção, poderiam ficar bem legais num filme...

O estilo do escritor é bem legal. Ele escreve como quem conta uma história para crianças (ainda que sejam as crianças que os adultos carregam escondidas lá dentro), o que me faz relacionar isso com os personagens: um pai e seus dois filhos. Às vezes um capítulo fala só sobre um deles, e aí o vocabulário fica de acordo. Só q vez ou outra tem uma coisinha que escorrega e trai a naturalidade, como o menino Bosco falar que algo "é osso", pra depois ver o quanto é difícil lidar com aquele imbróglio. Nada contra, só acho que menino algum sabe o que é imbróglio... hahahah

Os desenhos são lindos, e tem todos esse clima de história para crianças. Só pra deixar claro, quando eu falo "história pra crianças" aqui não quero dizer coisas 'bobinhas', fáceis e tal. O livro tem um clima meio pesado, a gente já começa a leitura sabendo que tem coisa aí, e as ilustrações reforçam essa impressão muito bem. Uma boa definição pra elas (e pra história) é "bonitas, mas tensas". Só que, no fim, acho que essa tensão é a gente que constrói quando lê. Desde a primeira página já dá pra desconfiar que algo aconteceu, e o autor vai dando pistas ao longo da história (e mesmo quando você já tem certeza, a coisa meio que inverte no final e ainda te deixa surpreso). Mas o autor em hora alguma dá essas pistas de forma tensa, ou anunciando uma tragédia. Pelo contrário, ele conta de um jeito mágico, como quem conta uma historinha. E no final ainda reitera que é tudo uma questão de aceitar e vencer o medo que a gente mesmo cria da tal da Dona Aranha.

Aliás, essa Dona Aranha me fez lembrar muito da Morte, personagem do Sandman, de Neil Gaiman: todo mundo tem medo dela, mas todo mundo encontra ela em algum momento, é inevitável. Só que aí acabam descobrindo que ela até que é uma moça muito simpática!

Só uma coisa me incomodou: acho que faltou uma revisão melhor do livro (não sei como funciona essas coisas, mas acredito que seja a parte da editora). Fiquei incomodada com erros de digitação (como letras trocadas) e alguns erros de pontuação (frases muito longas, vírgulas no lugar errado, palavras repetidas 2 vezes na mesma frase). Mas vamos ignorar que eu faço revisões e fico muito mais incomodada com isso do que muita gente. Hahahaha Só acho que uma revisão mais atenta demonstraria um pouco mais de cuidado (fica a dica, Novo Século!) No fim, não atrapalharam a leitura, mas poderiam não estar lá, né?

P.S.: eu tenho tantos ídolos e listas de livros pendentes estrangeiros que acaba que raramente leio autores nacionais atuais. To gostando de conhecê-los! 

Nome do livro: O caminho do poço das lágrimas
Autor: André Vianco
Ilustrações: Lese Pierre
Editora: Novo Século
200 páginas
Nota no Skoob: 3/5

Um comentário:

  1. A narrativa do André Vianco nesse livro é um pouco diferente da narrativa dos outros livros dele, e eu achei isso fantástico. Realmente são descrições bem cinematográficas -que cairiam muito bem nas mãos do Del Toro- que tornam a leitura bem mais fluida e imersiva.
    Esse é, de longe, o meu livro favorito do Vianco, e não é a toa que foi o que eu escolhi pra que ele autografasse. (:
    Que bom que você gostou, Reddoca. Minha bibliotequinha fica feliz em te receber. hahahaha

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