segunda-feira, 3 de junho de 2013

The Witch Must Die

Enfim, leitura concluída!

A bola da vez é o livro The Witch Must Die – The Hidden Meaning of Fairy Tales, do professor de psicologia Sheldon Cashdan. Não preciso nem dizer o quanto esse livro é bom, preciso? No meu caso, bastava avisar que era sobre contos de fadas. Juntou ‘análise psicológica’ e eu PRECISEI ler!

O livro é isso, uma análise da influência dos contos de fadas na “formação” psicológica (não sei se existe esse termo ou se psicólogos me matariam por falar besteira, então pus as aspas) das crianças. Pra isso, o autor não só tentou os contos originais (digo que foi tentativa porque esses contos tem tantas versões antigas que é quase impossível dizer qual é a original), como comentou um pouco as adaptações feitas a partir do século XX, principalmente por empresas como a Disney. Ele também separou os capítulos em pecados capitais, utilizando um conto principal para cada um – além de comentar outros contos relacionados, secundariamente.

A minha maior impressão é a de que eu queria que tivessem me contado a história original da Branca de Neve quando eu era criança. Sempre detestei a personagem da Disney, porque pra mim ela era boboca. Aprender que ela não só não era, como também cometia erros foi revelador. Se bem que, no meu caso, talvez fosse melhor ter ouvido as originais da Cinderela, ou ter dado mais atenção ao Mágico de Oz (o conto de fadas do século XX).

Eu também detestava o Pinóquio, que pra mim era bobo e ingênuo (já deu pra ver que personagens ingênuos me irritam? Hahaha Devo ser o Espantalho O.o). Há pouco tempo, lendo outro livro, aprendi que a história dele pode ser bem interessante. Agora confirmei: foi a Disney que tirou a essência dele quando fez o filme – mas aqui não entro em julgamentos, porque as mudanças feitas foram necessárias para adaptar a história à época. Uma criança que é tida como “perdida” porque não queria trabalhar não é uma coisa com a qual as pessoas do século XX se identificariam, não é?

Posso dizer, também, que voltei a gostar da Pequena Sereia, personagem que andava me dando “um pouco” de antipatia, graças à superexposição recente (alguns projetos com os quais me envolvi uns anos atrás).

Os contos são explicados aqui de acordo com sua função: THE WITCH MUST DIE porque, ao matarmos a bruxa, matamos nosso próprio lado obscuro. A bruxa É um lado do próprio protagonista, que é com quem nós (ou as crianças) nos identificamos. É o lado que devemos vencer pra que possamos nos desenvolver e seguir em frente. A Branca de Neve supera seu lado mais vaidosamente negativo quando a Rainha Má é derrotada, assim como a Cinderela lida com a inveja, Jack (ou João, no Brasil) vence a ganância matando o gigante, e por aí vai. Vitórias essas que deixam de fazer total sentido quando a Branca de Neve da Disney não se mostra vaidosa, ou quando releituras de João e o Pé de Feijão tentam mostrar o ponto de vista do Gigante, fazendo com que a criança se identifique com ele e sinta pena.

Ah, claro que fica óbvio que todos esses contos de fadas refletem lições adequadas à época em que eram contados, né? Hoje, as ações de alguns personagens pode parecer muito absurda, mas na época eram tidas como “adequadas”. Além disso, sofreram muitas mudanças quando foram registradas por pessoas como Perrault, os irmãos Grimm e outros, que adequaram alguns detalhes ao seu público. Perrault, por exemplo, adequou cada uma das histórias às crianças da alta sociedade, omitindo alguns detalhes tidos como muito sexuais ou violentos (é possível achar as mesmas histórias que ele contou em um livro dos Grimm com muito mais violência, por exemplo).

E pra quem acha que os contos de fadas vendem uma ideia machista, o autor também mostra versões atuais dessas histórias, além de uma antiga mesmo, compilada por uma escritora francesa. Minha próxima meta é ler Briar Rose, do escritor Robert Coover, uma releitura da Bela Adormecida.

O autor também comenta o futuro dos contos de fadas, e aqui vai uma das coisas que eu achei mais interessantes: os contos de fadas surgiram como histórias para adultos, sendo adaptados para crianças mais tarde, com o objetivo de ensiná-las lições. Ficaram com essa característica “infantil” por alguns séculos, mas voltaram a chamar a atenção dos adultos na transição do século XX pro XXI. E isso pode ser um indicativo muito forte de que, uma vez nas mãos dos adultos – como Briar Rose, que mostra dúvidas e questionamentos que jamais passariam na cabeça das crianças, como imortalidade –, abre-se o espaço para novas histórias, novas lições, novos contos de fadas. Uma nova geração de histórias que trabalham aspectos psicológicos utilizando fantasia e afins. E, muito provavelmente, serão esses novos contos que mostrarão a identidade do século XXI pros leitores (ou expectadores) do futuro.


Enfim, li esse livro emprestado, mas já está na minha lista de futuras compras!

Nome do livro: The Witch Must Die – The Hidden Meaning of Fairy Tales
Autor: Sheldon Cashdan, PhD.
Editora: Basic Books
283 páginas
Nota no Skoob: 5/5

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