segunda-feira, 22 de julho de 2013

The Ocean at the End of the Lane


Terminei The Ocean at the End of the Lane.

Antes de qualquer coisa, tenho que dizer que eu não gosto de ler os livros do Neil Gaiman em português. Gosto muito do estilo dele e da forma como ele lida com as palavras (tem uns trocadilhos muito legais que costumam até passar despercebidos, e eu só percebo quando leio de novo, e outras coisas do tipo), e acho que as traduções estragam isso completamente, por melhor que o tradutor seja. Na verdade, é assim com qualquer tradução, de qualquer coisa. Sempre tem algo que vai ser perdido na troca de línguas, é assim que funciona. Mas a minha escolha foi sempre ler as obras do meu autor preferido na língua em que ele escreveu, então, pelo menos no caso dele, português está abolido.

Enfim, estava ouvindo falar desse livro há muito, muito tempo. Como sigo vários twitters e páginas do facebook relacionadas ao autor, via a publicidade o tempo todo. Até contagem regressiva. Até uma propaganda absurda de uma edição linda de capa dura e autografada, que eu só não podia comprar porque moro no Brasil e ela era exclusividade americana. :(

Uma das coisas que eu mais via falar era o quanto esse livro representa a vida do Neil Gaiman. O quanto ele mostrava quem ele realmente é, como foram as coisas pra ele. Isso ficou tão enraizado na minha cabeça que quando comecei  a ler o livro, fiquei chocada com algumas coisas.

Bom, sem dar spoilers: o livro mistura algumas coisas da vida cotidiana com a boa e velha magia e mitologia e tudo o mais que a gente sempre vê nas histórias do autor. Até aí é fácil separar o que pode ser verdade do que pode ser ficção. Até a gente ver mais detalhes sobre a relação do protagonista (um menino de 7 anos) com o pai, e coisas que aconteceram entre eles. Em um momento do livro eu cheguei a ficar perturbada. E como é tudo em primeira pessoa, eu realmente me senti no papel do menino (livro bom é assim hahah). 

Me identifiquei também com a parte do "minha infância foi assim, não foi aquela 'felicidade' clichê". Me identifiquei com a parte dele ser o garoto dos livros, ao invés do garoto que joga bola, luta e tem "a vida normal que os pais esperam". Com ter dificuldade em fazer amigos na época, em sonhar e viver os poemas, as histórias e as lendas que ele lia. Enfim, em ter a infância DELE, que pode não ser do tipo que se considera uma infância divertida e "ideal", mas é o que fez dele quem ele é. Depois, com o tempo, com as experiências e aprendizado, as coisas melhoram. 

Foi uma experiência um pouco diferente. O velho estilo que leva sonhos, lendas e mágica a sério, mas colocado no contexto ‘essa é minha vida’ do autor, que faz tudo parecer ainda mais real. Achei o tom mais sério também, mais pé no chão. E muito, muito bom! Tá mais que recomendado!  (mas confesso, meu preferido do Gaiman continua sendo American Gods)


Ainda espero poder comprar alguma edição bonitona (em inglês)do livro! Pra não ler em português, tive que me contentar com ebook, mas quando é livro bom de autor que eu gosto, prefiro ter o livro físico...

Nome do livro: The Ocean at the End of the Lane
Autor: Neil Gaiman
Editora: Headline
Nota no Skoob: 5/5

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