segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A culpa é das estrelas


Ainda não me decidi se esse livro é muito bonitinho ou muito triste. Acho que os dois. Sei que ainda não consigo formar uma opinião conclusiva sobre ele, to “processando” a informação ainda. E, principalmente, confesso que estou com um pouco de receio de comentar qualquer coisa aqui, porque me sinto "me metendo" com algo sério, que não entendo, e que só quem viveu sabe como é. Então, se eu falar bobeiras, me perdoem... :S

Achei bem interessante (e talvez corajosa) a intenção do escritor de mergulhar nesse mundo do câncer, um mundo do qual todos tem medo, ninguém quer falar ou pensar, e aí ninguém entende. Só quem está lá entende, na verdade, mas acho que o livro ajudou bastante a ter uma ideia um pouco mais realista e menos romantizada do câncer. Sim, romantizada, aquela ideia de “lutar bravamente pela vida”. Claro que muita gente luta bravamente, mas não podemos simplesmente decidir não dar atenção pra parte que é ruim, que dói, que é insuportável e faz as pessoas sofrerem. Ela está lá, junto com a parte de lutar e resistir.

Mas não acho que A Culpa é das Estrelas fala sobre o câncer em si, de verdade. Acho que o livro fala da parte que não é câncer. Sobre o que você é além da doença (por mais que algumas pessoas, como a protagonista – pelo menos no começo do livro – hajam como se a vida fosse apenas a doença), sobre a marca que deixa no mundo. Acho que esse livro é sobre o quanto tudo é relativo. Some infinities are bigger than other infinities

Acho, também, que é sobre algo maior. O tal do Something com S maiúsculo (desculpa gente, eu li em inglês, não sei como ficaram alguns termos e citações na tradução em PT :S) É sobre conseguir juntar as estrelas (que são os pensamentos e sentimentos) e formar constelações. É sobre relacionamentos. É sobre o que você faz da sua vida, sobre as marcas que você deixa. Porque, como diz Augustus Waters, você não escolhe se vai se machucar no mundo, mas escolhe quem vai te machucar. E cada marca que você deixa é, de certa forma, uma cicatriz. E é aí que tá: cicatrizes não são de todo ruins, elas fazem parte. Elas te fazem quem você é, e elas podem inclusive te dar coisas boas pra lembrar, viver, e por aí vai.

CLARO que eu também penso que não faço ideia do que to falando. Tive essa sensação o livro inteiro, a de que estava me metendo com algo que não entendo, que estava tendo impressões errôneas e por aí vai.
Achei bem curiosa a forma como Hazel pensa, e a forma como os pensamentos e ideias dela mudam ao longo da história. De uma pessoa altamente irônica, sarcástica, desacreditada e que nega tudo para alguém que vai percebendo que o mundo tem outras perspectivas, até o momento em que ela se vê como a mais saudável da “turma” (justo ela, que já está no período de sobrevida bem imprevisível, ou algo complicado assim).

Enfim, talvez eu leia esse post daqui um tempo e pense “quanta asneira”. Talvez não. Ainda estou processando tudo. Mas acho que é um dos livros onde eu marquei mais citações.
O universo quer ser percebido. Mas nós também queremos ser percebidos por ele, e talvez seja isso que torne as coisas mais, digamos, “difíceis”..

“Who am I, living in the middle of history, to tell the universe that it – or my observation of it – is temporary?”

Nome: The Fault in Our Stars
Autor: John Green
Editora: Dutton Books
Nota no Skoob: 4/5

P.S.: Só não dei nota 5/5 pro livro porque achei o Peter Van Houten bem clichê. :S
P.S.2: Eu já não respiro direito normalmente, o tanto que eu fiquei sem ar lendo esse livro não tá no esquema... hahahaha 
P.S.3: Só agora, escrevendo o comentário acima, to me dando conta do paralelo entre a Hazel não respirar ao mesmo tempo em que foge de "viver". Ou eu to viajando. Vai saber...

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Deuses Americanos (American Gods)


Muito tempo lendo, mas não muito o que dizer. Afinal, estou falando de American Gods, um dos meus livros favoritos! Não tem que falar nada, tem que ler. Hehehehe

Enfim, foi a segunda leitura que fiz do livro. A primeira foi quando comprei, há alguns anos (não lembro exatamente :S). Uns meses atrás saiu a notícia de que a HBO está começando a produção pra transformá-lo em uma série, e aí bateu a vontade de ler de novo, pra relembrar detalhes (e não duvido que vou ler de novo antes da série estrear).  E a segunda leitura é aquilo que a gente sabe: muita coisa que passou batido da primeira vez chama atenção, coisas que antes a gente não tinha conseguido entender ficam mais claras, coisas que a gente leu, entendeu e gostou mostram outras facetas. E, no caso de um livro que fala sobre deuses do mundo todo (sim, porque a América é isso, o lugar onde o mundo todo se encontra), claro que sempre vai ter um jeito novo de ver uma cena que pra gente já é velha.

Sempre que alguém me pergunta no que eu acredito, se eu sou religiosa, de que religião eu sou e coisa do tipo, me dá vontade de falar “vá ler American Gods”. Meu plano mais recente de tatuagem é uma citação de lá. Acho que nunca me encontrei tanto em um livro quanto nesse.  

Deuses? Os deuses vêm de um lugar, existem por um motivo. Eles vêm do coração do homem. E eles existem porque o homem acredita. E acreditar tem um poder que muita gente nem imagina...

Não acho que é o caso aqui fazer um resumo do livro, contar um pouco da história do livro pra ver se alguém interessa por ela. Resumo e release é o que mais tem por aí. E, como o Mr. Ibis (ou Tot, pra quem tiver “inclinações egípcias”) anota em seu caderninho: uma história bem contada é como um mapa de uma região. Se você dá muitos detalhes, o mapa acaba ficando idêntico à região, e acaba se transformando nela própria. E aí se torna um mapa inútil.

Ou seja, leiam American Gods, por que se eu contar acaba a graça.

“People believe, thought Shadow. It's what people do. They believe. And then they will not take responsibility for their beliefs; they conjure things, and do not trust the conjurations. People populate the darkness; with ghosts, with gods, with electrons, with tales. People imagine, and people believe: and it is that belief, that rock-solid belief, that makes things happen.”


(preciso comentar que acho que a capa da edição brasileira tirou toda a graça que a capa original tinha. Essa imagem da estrada com relâmpagos diz mais sobre o livro do que os predinhos que colocaram na edição daqui ¬¬)

Nome: American Gods
Autor: Neil Gaiman
Editora: Harper Torch
Nota no Skoob: 5/5

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ícones dos Quadrinhos

Alô, vocês!

Não, não larguei o blog, nem desisti dele. O que tá acontecendo é que eu resolvi reler um livro meio grandinho enquanto fico sem tempo por conta de váááários compromissos e coisas pra estudar. Mas já já acabo o livro e venho aqui comentar (é releitura, mas ele nunca apareceu aqui)!

Enquanto isso, resolvi vir fazer um pequeno textinho sobre um livro muito bacana que recebi ontem: Ícones dos Quadrinhos, organizado pelo Ivan Costa. O livro foi feito através de um projeto de Crowdfunding, onde inúmeros leitores e fãs contribuíram com quantias variadas para que ele fosse publicado. Ficou pronto, e agora todos que contribuíram estão recebendo seus exemplares (eu inclusa \o/). O conteúdo? Releituras de diversos personagens icônicos, feitas por um monte de gente boa da área, desenhistas excelentes tanto do Brasil quanto de fora (eu não sabia, e me surpreendi com o Yellow Kid do Bill Sienkiewicz).

Recebi ontem, e desde ontem não paro de “folhear”, de ficar olhando as imagens e lendo os textos.  Em vários deles dá pra ver nitidamente a importância que o personagem teve na vida do desenhista. E foi aí que eu me dei conta: pra mim também.

Os quadrinhos foram meus contos de fadas, essa é a verdade. Vou confessar pra vocês: eu sou fã da Disney hoje em dia, sei as musiquinhas de muitos filmes, mas não posso dizer que tinha princesas preferidas na infância. Eu simplesmente não conseguia me identificar com ninguém (não, nem com a Ariel. Aliás, muito menos com a Ariel hahaha) 

Fui elaborando esse pensamento com o livro em mãos, e acabei lembrando de um outro livro que li (e foi comentado aqui), que falava o quanto cada conto de fadas ajudava as crianças a lidar com suas questões internas. Claro que muitos devem ter me ajudado, mas sinceramente? Não consigo me lembrar de nenhum deles ser tão importante na minha vida quanto X-Men, por exemplo. Ou Turma da Mônica. Quando a minha orientadora na faculdade de Letras me apresentou a Intermidialidade, uma das coisas que eu mais achei legal era que, com ela, dava pra fazer muita gente levar os quadrinhos a sério.

Eu nunca me identifiquei com a Ariel (que as pessoas relacionam a mim toda hora, por causa do meu cabelo gigante e vermelho hahah), mas eu venerava a Jean Grey. No livro, ela foi desenhada pelo Vítor Cafaggi (do outro livro quecomentei aqui), que disse que ela era a garotinha ruiva de todo garoto. Quando eu li isso, me dei conta de que quando eu era mais nova, o que eu queria era ser a garotinha ruiva. Eu poderia ser a Mary Jane, mas não rolou, ela era muito bonitona popular. Mais fácil eu me identificar com o Peter Parker (alou, turma dos losers o/). Eu preferia a Jean, que era ridiculamente frágil (o bastante pra irritar muitos fãs de X-Men), mas que tinha uma força contida bem destrutiva e agressiva (oi!).

Mas eu também já fui a Magali. E a Tina. E a Mônica, mesmo eu sendo magrela. Já fui uma Guerreira Mágica de Rayearth, já fui Sailor Moon, já fui Mulher Gavião e até Hera Venenosa (apesar de até hoje eu ter uma certa birrinha com a maioria dos personagens da DC – não me perguntem, é inconsciente, vem desde criança! Hahaha). Já fui Psylocke, e já fui o Calvin. Há alguns anos, resolvi que tenho muita coisa pra aprender com a Morte, a personagem mais otimista, simpática e tranquila que eu já vi na história dos quadrinhos.

Já vi um monte de gente fazer pouco caso dos quadrinhos, falar que é coisa de criança, falar que é bobo, que é perda de tempo. Vocês não fazem ideia, galera. É coisa de criança? Pode ser. Mas crianças podem ser muito mais inteligentes e espertas que os adultos, viu?


Pois é isso, meus contos de fadas foram os quadrinhos (pelo menos até eu descobrir a existência do Tolkien, mas aí é outra história). E aposto que o de milhões de pessoas mundo afora também!