terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A Garota das Cicatrizes de Fogo


Decidi que precisava ler esse livro depois de chegar ao perfil do facebook do Ricardo Ragazzo, graças a uma série de posts que ele fez sobre como escrever bem, storytelling e afins. Acompanhei tudo, sempre tentando aproveitar o que podia, e me sentia um pouco "culpada" por não conhecer o produto dele mesmo botando as dicas em prática. Até que ele lançou A Garota das Cicatrizes de Fogo, o título me atraiu, e eu "ganhei" (do verbo 'pedi') de Natal.

Eu poderia falar muitas coisas sobre esse livro. Poderia fazer como a maioria esmagadora dos blogs de literatura fazem: contar a resenha, falar "gostei disso ou aquilo" e fim. Mas isso é chato, é repetitivo, e a minha intenção aqui no blog não é vender livro, é comentar o que eu achei mesmo... hahaha 

Enfim, eu me senti "enganada" no começo. Não no sentido ruim, mas mais porque achei que as resenhas, ou mesmo o resuminho na capa do livro, eram diferentes do que o conteúdo. Acho que, depois de tanto tempo ouvindo falar dele, imaginei um tipo de história totalmente diferente do que aque encontrei.

Eu imaginava uma coisa meio Stieg Larson e a trilogia Millenium.

Encontrei uma mistura de Stephen King, com Underworld, Van Helsing e sei lá mais quantas histórias sobrenaturais. 

O que eu quero dizer é que eu jamais esperaria tanta coisa sobrenatural junta. Então já falo pra vocês o que não me falaram: é um livro com um monte de coisas fantásticas. Não aparecem vampiros ou lobisomens, mas eles são mencionados, sim. Não fazem parte do arco principal, mas faz toda a diferença saber disso, porque é isso que cria o mundo onde a história acontece. 

Eu li o livro em um dia. Bom, comecei em uma tarde e terminei na manhã seguinte, com pausa pra dormir, comer, ver tv, entrar na internet. Mas o prazo foi um dia. E tudo porque eu não consegui largar o livro. Pra mim, isso é o que faz uma boa história: a forma como as coisas são entrelaçadas, criam interesse, prendem nossa atenção e não nos deixam querer fazer outra coisa (no caso, a pausa pra dormir e fazer outras coisas aí foi porque eu já tava com a vista e o corpo cansados haahah). - Ás vezes eu acho meio sacana essa coisa de ler em um dia. O autor vai lá, gasta meses (ou anos) escrevendo a história, fazendo pesquisa, quebrando a cabeça, pra vir um sujeito qualquer e consumir em um dia. UM DIA!

Outra coisa que eu acho legal: por mais absurdo que algumas coisas soem, eu adoro quando elas são tão inimagináveis que sua única opção é pagar pra ver hahaahaha E A Garota das Cicatrizes de Fogo tem tudo isso, tem ceifadores, uma garota que descreve em detalhes um álbum do Judas Priest (aliás, toda vez que música virava o assunto da história, eu percebia o autor falando, não necessariamente o personagem).

A única ressalva que eu tenho com o livro é uma ressalva que eu tenho com inúmeros outros, e que é algo que eu costumo querer dos livros que leio: um pouco mais de revisão, pra fazer os diálogos ficarem mais realistas, um pouco mais de pesquisa pros personagens ficarem mais naturais. Tudo bem um autor falar "famigerado", mas as pessoas não usam palavras do tipo quando estão conversando, muito menos quando estão conversando em um momento de desespero... (ou pelo menos eu não conheço quem fale hahaha) Também achei um pouco chato o tanto de ênfase na personagem gordinha e como a obesidade dela era tratada. Ok, se tiver a ver com a história, tipo representação de uma cena de bullying, sei lá. Mas então acho que isso poderia ter recebido um pouco mais de atenção, nem que fosse pra mostrar de forma mais clara que o protagonista é que via as coisas assim, ou que a própria personagem se sentia mal com isso. 

Enfim, gostei do livro, e gostei de como ele soa diferente do que a gente costuma encontrar frequentemente na literatura brasileira. Tirando os que são forçados na categoria "infanto-juvenil", não é comum encontrar histórias com tanta coisa fantástica e uma "bagunça" divertida na tentativa de solucionar os mistérios - só vejo isso quando forçam aquela coisa de encontrar a "identidade brasileira" e se prendem só a sereias, seres folclóricos locais e por aí vai. A Garota das Cicatrizes de Fogo me pareceu beeeem mais livre nesse quesito, sem se importar em ser local, em ser específico. Ficou bem abrangente. E é isso que eu acho que a literatura daqui precisa pra atrair mais público - público brasileiro mesmo, mas que quer ler mais do que o de sempre.

Achei uma ótima leitura pras férias, e ótima como a minha última leitura de 2013: descompromissada, feita porque eu queria, porque eu gostei e por puro entretenimento. Gostei!

Nome: A Garota das Cicatrizes de Fogo
Autor: Ricardo Ragazzo
Editora: Novo Século
No Skoob: 3/5

sábado, 28 de dezembro de 2013

Orquídea Negra


Toda vez que eu leio alguma graphic novel do Neil Gaiman, não sei muito o que comentar. A qualidade é inquestionável, não preciso nem dizer. Mas sempre tenho aquela sensação de que tem tanta coisa pra processar, que é preciso um tempo quieta, na minha, "digerindo" a leitura. Coisas do Gaiman têm MUITAS referências, muitas mensagens, muita coisa entrelaçada. 

Orquídea Negra é uma releitura do autor para uma personagem que já estava descartada pela DC nos anos 80, quando a minissérie foi escrita. E sendo assim, é também uma releitura dos velhos "super-clichês" (meio que aquilo que Watchmen também critica). Como está na introdução do livro, é uma história onde a violência é usada para criticar a violência, ao mesmo tempo que aqueles que a criticam. Uma forma de dizer para o público (e alguns produtores) de quadrinhos: "ei, vamos levar isso a sério, por favor?" 

Além disso, a releitura em si merece atenção: é uma versão nova e muito própria de uma personagem já existente. Neil Gaiman pegou uma personagem abandonada e a reinventou, criou um novo contexto e mostrou que dá pra criar histórias incríveis com aquilo que já é considerado esgotado ou sem utilidade. Foi um ensaio para o Sandman, que também foi um resgate a um personagem desaparecido (e que resgate!).

Outra coisa que eu curto muito nas GN do Gaiman, principalmente nas que ele faz em parceria com o Dave McKean (como é o caso da Orquídea Negra), é o tanto de colagens, referências, cruzamento de mídias e afins. Em uma página é possível encontrar desenho, fotografia, esculturas, música e por aí vai. Me dá até saudade de estudar Intermidialidade que nem na época da iniciação científica... hahaha E devo dizer que ou o Gaiman faz pesquisas absurdas quando escreve, ou ele tem uma mente fantástica pra encontrar sempre a letra de música perfeita pra encaixar em momentos específicos da história.

Também curti muito o uso das cores. Não preciso falar do trabalho do Dave McKean, é fantástico! Mas aqui, aproveitando a personagem, tem um jogo de tons de lilás, roxo e orquídea que me deixam que nem criança, ADORO! Dá vontade de pegar algumas das páginas e emoldurar! hahaha

Enfim, ainda vou processar mais informações. 

Nome: Orquídea Negra - Edição Definitiva
Autores: Neil Gaiman e Dave McKean
Editora: Vertigo - Panini books
Nota no Skoob: 5/5

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Divergente


Comecei a ler Divergent influenciada pelas notícias de que uma adaptação para o cinema estava vindo. Saiu o trailer, vi o pôster no cinema, e resolvi que queria ler antes de ver o filme, pra formar um julgamento antes de ter contato com outras versões. Boa parte do meu interesse foi influenciado pelas comparações que alguns fizeram com Jogos Vorazes: trata-se de uma distopia onde a protagonista é uma adolescente, e por aí vai. As duas histórias são escritas em primeira pessoa, o que coloca o leitor próximo aos pensamentos e sensações da protagonista, podendo acompanhar o que está acontecimento através das reações dela e da forma como ela lida com tudo. (A outra parte do interesse veio de a Tris ser a Shailene Woodley, que na época do anúncio do filme estava vivenciando a polêmica de ser chamada de "não bonita o bastante pra ser a Mary Jane", além de interpretar a Hazel na adaptação fílmica de A Culpa é das Estrelas.)

Muita coisa se passou na minha cabeça durante a leitura. Tantas, que eu já tinha um post inteiro escrito antes de acabar o livro. Algumas opiniões se mantém, outras mudaram radicalmente.

Primeiro: comparar Divergente com Jogos Vorazes é coisa de empresário querendo fazer propaganda de um produto usando a fama de outro, sem conhecer nada do que tá vendendo (nem do outro). Enquanto um usa adolescentes para encontrar o público (chamado nos EUA de "Young Adults"), mas mantendo um tom sério e tentando despertar o interesse desses jovens pra temáticas políticas - e mostrando que a coisa é bem séria através das crises e da destruição psicológica da protagonista, que narra a história -, o outro usa adolescentes para contar uma história adolescente, e talvez dar um tom de perigo e adrenalina, prendendo o público com um clima beeeem hollywoodiano. Únicas semelhanças entre as duas histórias: uma protagonista de 16 anos que é narradora em 1a pessoa e alguma violência, daquele tipo que choca os adultos como desnecessária...

Divergente tem também um lado bem "highschool", que fica evidente quando a gente analisa as facções da sociedade na história. Por exemplo, temos os Eruditos, que são os inteligentes, mas também esnobes, convencidos, arrogantes e que tratam o resto do mundo mal. Temos a Abnegação, onde os membros são tão altruístas que não podem olhar no espelho, pra não incentivar a vaidade e o egoísmo. Temos várias outras, mas a que mais me chamou a atenção foi a facção onde Tris passa a maior parte da história: a Audácia, onde os membros só vestem preto, são todos tatuados e agem feito a turma do fundão da escola, vistos pelas outras facções (com aquela visão preconceituosa de adolescente) como burros, impulsivos e coisa parecida - e descritos assim mesmo. Nem vou mencionar o clichezão de a galera da Audácia ficar fazendo tatuagens o tempo todo (noooooooooossa, radical, hein #ironia), enquanto o povo Erudito fica usando óculos mesmo sem precisar, só pra pagar de inteligente mesmo. (Devo dizer que acho isso falta de criatividade e atenção. Um povo realmente inteligente ia se preocupar em achar solução e cura pra problemas "inconvenientes" como a dependência de óculos e afins).

Sem falar em bullies. Cara, pra que isso? Faz vilões decentes, por favor? - Porque colocar a culpa de todo o problema político em uma mulher malvada também não me convenceu. Nem fazer um exército atacar porque está "hipnotizado".

Apesar de ter achado a história muito ingênua e boba, reconheço que está bem estruturada e a escrita prende. Me deu a impressão de ser o dever de casa de um curso de escrita, onde a ideia até pode não ser das melhores, mas tudo na história está no lugar certinho. Mas não sei ainda se vou ler as duas sequências...

Uma coisa que eu curti bastante é o que faz os leitores conseguirem se identificar com a Tris: ela ser Divergente. É diferente, não se encaixa nos padrões clichezões e pré-definidos para as facções e tem opiniões próprias. Pode ser perseguida por isso (ser único é perigoso), e por precisar aprender a não deixar tudo aparente (pra se proteger), acaba também aprendendo muita coisa sobre si mesma e sobre as outras pessoas. E o melhor, pra fazer pensar na sociedade: aos poucos, Tris vai descobrindo que existem muito mais Divergentes do que ela imaginava. Todos escondidos por aí, misturados ao resto das pessoas.

Mas tá, ignorando tudo o que eu não curti no livro, algumas frases merecem ser destacadas (viva a ferramenta de destaque do kobo!):
"We are not the same. But we are, somehow, one."
"For most people, it's not hard to learn, to find a pattern of thought that works and stay that way."


Mesmo assim, acho que poderiam ter explorado isso um pouco melhor - como assim todo mundo ajuda ela de cara, ng antagoniza além dos bullies? E justo quando a gente acha que a coisa vai ficar um pouco melhor, aparecem coisas que deixam a história ainda mais boba, tipo o "soro da lavagem cerebral que deixa o povo zumbi". :S

Nome: Divergent
Autora: Veronica Roth
Editora: Katherine Tegen Books
Nota no Skoob: 3/3

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Revista Trasgo - Edição Piloto


Há alguns dias, pelo twitter da Karen Alvares, fiquei sabendo da criação da revista Trasgo, uma revista que seria dedicada a contos de fantasia e ficção científica, tentando não só incentivar a produção desse tipo de histórias no Brasil, como abrir espaço pra elas. Achei a iniciativa fantástica (rááá, trocadalho do carilho), porque não só concordo que esses dois estilos não andam muito fortes ultimamente, como também tenho minha vontade de me aventurar nesse mundo... (interesseeeeeeira!) 

Enfim, saiu a primeira edição, que eu baixei no site, e aqui estão meus comentários! Só deixando claro que eu escrevi cada um a medida em que ia lendo e que só depois descobri as entrevistas no final do livro hahaah E bom, não coloquei os nomes dos autores nesse post não só porque minha intenção é comentar os contos e como foi ler cada um deles, e não falar do trabalho de autores especificamente, como também quis dar fogo à revista como uma coisa só, e não como "um monte de contos nada a ver entre si colocados juntos", ok? Leiam a revista, que tem download gratuito, e divirtam-se!


Conto: Ventania

Qual a primeira coisa que vem à cabeça quando se lê o nome "Ventania" e a explicação de que o conto se passa no nordeste? Na minha, imediatamente veio a imagem de um cavalo correndo pelo sertão e causos fantásticos.Bom, não tem cavalos, a não ser os mecânicos (palavras do próprio autor). A ação não se passa exatamente no sertão, mas no litoral nordestino. Mais precisamente, em um farol gigantesco, o Ventania, que dá nome à história. 

Gosto de histórias "pós-apocalípticas", mas reconheço que não é sempre que a gente acha a coisa bem feita. Normalmente as pessoas se preocupam tanto em contar aventuras hollywoodianas que se esquecem da estrutura, do envolvimento do leitor... Não é o caso desta. Curti ainda mais a forma como algumas coisas são só sugeridas. Adoro quando o autor sugere coisas, confiando na inteligência e imaginação de quem está lendo. Fica chato quando tudo é explicadinho e óbvio. 

Outra coisa que eu "reparei": nunca li/vi Akira, mas vendo resumos e um pedacinho do filme, acabei associando as criaturas estranhas à história japonesa. Não sei se procede, mas algo me diz que sim, principalmente quando li a biografia do autor e vi que ele mora no Japão! :P

Pra encerrar, acho que foi uma ótima escolha pra começar a revista!


Conto: Azul

Bom, não é mistério pra ninguém que eu não gosto de histórias de terror/horror (tá, algumas de terror ainda vai, dependendo de como são estruturadas). E tenho a impressão de que ler "Azul" me fez perceber um dos motivos: eu fico um tempão me perguntando qual a explicação praquele elemento extra, justamente o elemento principal da história. Sou racional, gosto de explicações, e muitas dessas histórias simplesmente não tem explicação. Quando a gente lê uma história de fantasia (bem escrita), geralmente existem regras criadas para explicar elementos fantásticos, porque eles são capazes de fazer e provocar acontecimentos que seriam impossíveis no "mundo real". Em histórias de terror, isso não existe. A intenção é justamente que algo fique deslocado.

(Sobre eu não gostar de histórias de horror: eu não gosto de monstruosidades por monstruosidades, violência, assassinatos e afins. Não acho isso diversão, fim. Acho que em algumas histórias elas podem até ter um propósito melhor - como quando se conta uma história sobre alguma guerra - , mas nunca vi ter propósito em histórias de horror...)

Em Azul, eu fiquei sim me perguntando daonde saiu o tal do "azul". Mas eu sei que não interessa hahahaha É a estranheza que conta. E a estranheza está lá no conto, até o final, até o último momento. Não sei opinar muito sobre qual seria o efeito do conto pra quem curte o estilo, mas vale a pena ler e decidir! (e poxa, eu curtia tanto o Blue Man Group antes desse conto... :S)


Conto: Náufrago

Adorei a história desse conto. Acho que se a gente considerar a intenção da revista Trasgo, que é incentivar a produção de contos fantásticos no Brasil, "Náufrago" cumpriu perfeitamente a missão. E também achei muito legal a "tacada" do Caramuru! Misturar a história do Brasil com uma história de fantasia parece difícil, porque não vemos isso com muita frequência, mas o autor conseguiu fazer de um jeito que não soou forçado, nem cansativo, mas perfeitamente natural. Gostei muito mesmo!

A única coisa que eu senti um pouco incômoda no conto foi a parte da escrita. Acho que a história merecia uma revisão um pouco mais detalhada. Essa parte é importantíssima, acho que inclusive influencia em como o conto é lido, a fluência, o quanto a história nos prende. Já larguei um livro no meio porque não suportava a estrutura gramatical e ortográfica. E olha que eu não me considero muito chata nisso, nem sou fã de coisas muito bonitinhas e "cheias de frescura", com cara de literatura clássica. Adoro histórias que usam a linguagem popular mesmo, do dia a dia, mas acho que mesmo nesses casos, a pontuação tem uma enorme influencia. É ela que dá as respirações, as pausas dramáticas, que tira o fôlego... Sorte que a história do conto é legal e salvou!


Conto: Gente é tão bom!

Eu confesso, não sei se entendi esse conto. Talvez não tenha o que entender. Me pareceu uma crítica à sociedade mas, se for mesmo, acho que esse lado poderia ter sido mais desenvolvido, não sei... Me pareceu no meio do caminho entre a fantasia e a ficção científica: neve amarela? Mágica! Ou talvez tenha uma explicação científica (como um acidente em experimentos de uma fábrica). Ainda assim, meio indefinido. E tão pequenininho! 

Outra coisa que eu posso dizer é que tive a impressão de que a autora tava tentando convencer os leitores a não comer coisas industrializadas (tipo o frango - e eu saquei a crítica, mas acho que ela ficou um pouco na superfície, então tem hora que eu não tinha certeza...). A protagonista, que não é lá das mais simpáticas (e que mostra aquele lado mal humorado e sem regrinhas morais) é a parte que eu gostei do conto. Mas mesmo ela eu acho que poderia render mais coisas. Quando eu começo a me identificar, tenho vontade de ter mais acesso, mais informações, mas aí o conto acabou :S


Conto: A Torre e o Dragão

Na minha cabeça, esse conto tem duas partes: a história principal, que aparece já no início, e a história de Tristam na cidadela, "contada" pela Princesa na Torre. Essa segunda parte é uma história "normal", com aquele clima de fantasia tradicional, onde um rapaz simples tenta crescer e correr atrás dos sonhos, se transformando em Cavaleiro. Legal, mas normal.

O que chama atenção no conto, e que me fez gostar BASTANTE dele, é a primeira parte que eu mencionei, a parte maior e principal: a Princesa na Torre. Não é a descrição da princesa ou do lugar onde ela está (hahaha não consegui não pensar na Fiona presa no castelo quando o Shrek vai resgatá-la, MALZ AE! HAHA), mas o que se passa na cabeça dela. É o lado psicológico que dá o tom e a graça da história: no começo, como uma forma de fazer o leitor pensar no que a Princesa encarcerada sente, já que, normalmente, só prestamos atenção nos acontecimentos e no lado "bonitinho e fantasioso" desse tipo de história; depois, como uma forma de mostrar que essas histórias podem ter outro significado, um mais profundo e complexo. Aliás, essa palavra "complexo" acaba sendo um ótimo adjetivo pra história. É como se finalmente tivéssemos um conto de fadas contemporâneo, onde o sujeito não é simplesmente um arquétipo ou estereótipo, mas tivesse várias facetas (professora de Psicologia ia curtir ver que eu lembro dos textos do Morin, AHN HEIN!). E curti a apresentação da Princesa, que vem devagar, revelando um pouquinho de cada vez, à medida em que a história é contada. Gostei mesmo do conto!


Ilustrações de Filipe Pagliuso: Curti, mas não entendo nada de ilustrações, não me sinto no direito de falar "é legal por isso, gostei do traço X". Sei que me lembram ilustrações de livros de RPG (que eu nunca joguei, mas gostava de folhear quando era adolescente). E ajudam a dar um clima legal pra revista!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Roverandom


A cada livro do Tolkien que eu leio, mais fã eu fico, fato! Cada leitura me faz ver o quanto Tolkien dá motivos pra ser tão aclamado, mas também o quanto ele ainda não é aclamado o suficiente. Porque ele não é só o autor daquela saga gigantesca e cheia de detalhes bem amarrados que é O Senhor dos Anéis (e aqui eu coloco junto tudo o que gira em torno dessa história, como O Hobbit, O Silmarillion e por aí vai). Tolkien era mais que um escritor, era um contador de histórias muito bom!

Ler Roverandom me deu uma sensação de retorno à fantasia, à mágica que a gente vive na infância, e que parece estar sendo substituída por outras coisas nas histórias modernas. Se eu tivesse um filho/irmão/primo mais novinho, leria o livro pra ele com certeza.

Mas não pensem vocês que só porque é uma história infantil, só crianças apreciam. Pra esse pensamento, eu dou duras respostas alternativas: 1)todo mundo tem uma criança interior, deixa a sua ler um pouquinho!; 2)Leia, nem que seja pra prestar atenção na forma como o Tolkien entrelaça os acontecimentos, na linguagem que ele usa, em como tudo é muito bem pensado ao mesmo tempo em que flui tão naturalmente.

E, aliás, falando em entrelaçar acontecimentos: estava terminando o livro, super empolgada com a história do cachorrinho que foi enfeitiçado por um mago por não ter sido gentil, quando cheguei nas notas finais do tradutor, explicando alguns termos da história. E não é que a história está cheia de referências a acontecimentos reais (uma maré muito alta que destruiu algumas construções no litoral inglês no início do século, e que na história é provocada por uma serpente gigante marinha, que acabou de acordar), a lendas e mitos (Merlin, dragões que comem a Lua e provocam eclipses, e por aí vai) e, É CLARO, uma breve e quase imperceptível referência à Valinor, a “terra prometida” dos elfos (sim, estou falando de O Senhor dos Anéis), que é secreta e ninguém tem permissão pra alcançar.


Mas não se preocupem, não conhecer nenhuma dessas referências não prejudica em nada a leitura, até porque o centro das atenções é Rover – ou Roverandom –, um cachorrinho que não tem nem descrição física direito, mas que eu consegui imaginar como sendo super fofinho e que dá vontade de apertar. Mas não se enganem, ele se tornou um cachorro muito sábio após visitar a Lua, o fundo do mar e alguns lugares mágicos na Terra...

O livro é tão fluido, tão bem escrito, tão simples ao mesmo tempo que criativo... É sempre bom ler fantasia bem feita!

Nome: Roverandom
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Martins Fontes
Nota no Skoob: 5/5

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Astronauta: Magnetar


Grandes aventuras, grandes descobertas, pioneirismo, reconhecimento, conhecimento adquirido... Isso tudo vale à pena quando o preço é o isolamento extremo?

Acho que desde sempre a humanidade encontra esse embate entre a vida com o outro e realizações “pessoais”. Até onde vale a pena ir, o que vale a pena sacrificar? Pelo que? É uma escolha diferente pra cada um? Acho que sim.

Magnetar mostra não só a escolha do Astronauta, mas o que o levou a fazê-la. As vezes é assim: a gente não dá ouvidos a um monte de coisas, então a vida vai lá e nos obriga a dar um jeito.

Li essa revista depois de Laços (que eu comprei num evento de lançamento, enquanto a Magnetar foi comprada no FIQ), mas ainda assim vi o quanto foi perfeita a escolha dela como a primeira da série de releituras dos personagens de Maurício de Souza. É muito grande o impacto que dá ver personagens que a gente sempre relacionou à nossa infância sendo mostrados com um outro enfoque, mais sério, mais realista, mais maduro. O Astronauta é um desbravador, vive um monte de aventuras, mas é um ser humano. E como tal, também depende de relações sociais, de pessoas, da vivência que tem com elas (não atoa a história começa com uma lembrança dele relacionada ao avô e o porque deste não ter saído pelo mundo explorando coisas).


Quer saber? To ansiosa pelas outras revistas que vem por aí!

Nome: Astronauta - Magnetar
Autor: Danilo Beyruth
Editora: Panini Comics