quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Divergente


Comecei a ler Divergent influenciada pelas notícias de que uma adaptação para o cinema estava vindo. Saiu o trailer, vi o pôster no cinema, e resolvi que queria ler antes de ver o filme, pra formar um julgamento antes de ter contato com outras versões. Boa parte do meu interesse foi influenciado pelas comparações que alguns fizeram com Jogos Vorazes: trata-se de uma distopia onde a protagonista é uma adolescente, e por aí vai. As duas histórias são escritas em primeira pessoa, o que coloca o leitor próximo aos pensamentos e sensações da protagonista, podendo acompanhar o que está acontecimento através das reações dela e da forma como ela lida com tudo. (A outra parte do interesse veio de a Tris ser a Shailene Woodley, que na época do anúncio do filme estava vivenciando a polêmica de ser chamada de "não bonita o bastante pra ser a Mary Jane", além de interpretar a Hazel na adaptação fílmica de A Culpa é das Estrelas.)

Muita coisa se passou na minha cabeça durante a leitura. Tantas, que eu já tinha um post inteiro escrito antes de acabar o livro. Algumas opiniões se mantém, outras mudaram radicalmente.

Primeiro: comparar Divergente com Jogos Vorazes é coisa de empresário querendo fazer propaganda de um produto usando a fama de outro, sem conhecer nada do que tá vendendo (nem do outro). Enquanto um usa adolescentes para encontrar o público (chamado nos EUA de "Young Adults"), mas mantendo um tom sério e tentando despertar o interesse desses jovens pra temáticas políticas - e mostrando que a coisa é bem séria através das crises e da destruição psicológica da protagonista, que narra a história -, o outro usa adolescentes para contar uma história adolescente, e talvez dar um tom de perigo e adrenalina, prendendo o público com um clima beeeem hollywoodiano. Únicas semelhanças entre as duas histórias: uma protagonista de 16 anos que é narradora em 1a pessoa e alguma violência, daquele tipo que choca os adultos como desnecessária...

Divergente tem também um lado bem "highschool", que fica evidente quando a gente analisa as facções da sociedade na história. Por exemplo, temos os Eruditos, que são os inteligentes, mas também esnobes, convencidos, arrogantes e que tratam o resto do mundo mal. Temos a Abnegação, onde os membros são tão altruístas que não podem olhar no espelho, pra não incentivar a vaidade e o egoísmo. Temos várias outras, mas a que mais me chamou a atenção foi a facção onde Tris passa a maior parte da história: a Audácia, onde os membros só vestem preto, são todos tatuados e agem feito a turma do fundão da escola, vistos pelas outras facções (com aquela visão preconceituosa de adolescente) como burros, impulsivos e coisa parecida - e descritos assim mesmo. Nem vou mencionar o clichezão de a galera da Audácia ficar fazendo tatuagens o tempo todo (noooooooooossa, radical, hein #ironia), enquanto o povo Erudito fica usando óculos mesmo sem precisar, só pra pagar de inteligente mesmo. (Devo dizer que acho isso falta de criatividade e atenção. Um povo realmente inteligente ia se preocupar em achar solução e cura pra problemas "inconvenientes" como a dependência de óculos e afins).

Sem falar em bullies. Cara, pra que isso? Faz vilões decentes, por favor? - Porque colocar a culpa de todo o problema político em uma mulher malvada também não me convenceu. Nem fazer um exército atacar porque está "hipnotizado".

Apesar de ter achado a história muito ingênua e boba, reconheço que está bem estruturada e a escrita prende. Me deu a impressão de ser o dever de casa de um curso de escrita, onde a ideia até pode não ser das melhores, mas tudo na história está no lugar certinho. Mas não sei ainda se vou ler as duas sequências...

Uma coisa que eu curti bastante é o que faz os leitores conseguirem se identificar com a Tris: ela ser Divergente. É diferente, não se encaixa nos padrões clichezões e pré-definidos para as facções e tem opiniões próprias. Pode ser perseguida por isso (ser único é perigoso), e por precisar aprender a não deixar tudo aparente (pra se proteger), acaba também aprendendo muita coisa sobre si mesma e sobre as outras pessoas. E o melhor, pra fazer pensar na sociedade: aos poucos, Tris vai descobrindo que existem muito mais Divergentes do que ela imaginava. Todos escondidos por aí, misturados ao resto das pessoas.

Mas tá, ignorando tudo o que eu não curti no livro, algumas frases merecem ser destacadas (viva a ferramenta de destaque do kobo!):
"We are not the same. But we are, somehow, one."
"For most people, it's not hard to learn, to find a pattern of thought that works and stay that way."


Mesmo assim, acho que poderiam ter explorado isso um pouco melhor - como assim todo mundo ajuda ela de cara, ng antagoniza além dos bullies? E justo quando a gente acha que a coisa vai ficar um pouco melhor, aparecem coisas que deixam a história ainda mais boba, tipo o "soro da lavagem cerebral que deixa o povo zumbi". :S

Nome: Divergent
Autora: Veronica Roth
Editora: Katherine Tegen Books
Nota no Skoob: 3/3

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