domingo, 26 de janeiro de 2014

The Annotated Sandman vol.2


Não é segredo pra ninguém que me conhece o quanto eu adoro o Neil Gaiman, né? Mas na maioria das vezes eu falo dos romances dele. Recomendo todos, muito bem escritos, criativos, fantásticos (nos dois sentidos) e inspiradores. Literatura de qualidade, sem puxar saco (e olha que ele merece)!

Mas nunca cheguei a comentar sobre Sandman por aqui, eu acho. Foi através dessa graphic novel gigantesca que o escritor ganhou projeção, fãs e a oportunidade de lançar mais livros lidos no mundo todo. Foi escrito no final dos anos 80, o que me permite falar que esteve na transição de uma era para outra. Com o fim da Guerra Fria, crescimento da globalização e um desenvolvimento absurdo da tecnologia, foi uma época beeeem movimentada, e Sandman soube se encaixar nesse mundo (olha eu aqui falando como se isso fosse há séculos, né... hahaah).

Antes de Sandman, Neil Gaiman tinha participado de algumas graphic novels menores, trabalhado em conjunto com outros escritores e artistas, e escrito matérias jornalísticas. Aí, tudo mudou: não só para ele, mas para a forma como a fantasia é vista hoje em dia. Foi um resgate de um super herói de quadrinhos esquecido e enterrado, vindo do início do século XX, baseado na figura do Senhor dos Sonhos, aquele que, segundo a lenda, joga areia nos olhos das crianças para que elas durmam e sonhem. (não é uma lenda muito famosa no Brasil. Pra exemplificar, é só lembrar daquele filme A Origem dos Guardiões, tem o Sandman lá!)

Na história do Neil Gaiman, tudo ganha outra abordagem. O Sonho não é o “senhor do sonho”, mas o Sonho em si. Tipo uma personificação. E ele tem outros 6 irmãos, também personificações de “aspectos” presentes no mundo, na humanidade (e em tudo mais que vier à mente, já que a história não se atém à Terra): a Morte, o Destino, o Desejo, o Desespero, Delirium e Destruição (sim, se fosse em inglês, seriam todos com D).

O que eu acho mais genial em tudo é que no meio das histórias e arcos, dá pra encontrar muitas referências, de todos os tipos: artísticas, filosóficas, históricas, e por aí vai. É quase como se Sandman fosse um resumo da história da humanidade. E, no fim das contas, Morpheus, o Sonho, é bem isso: humano. É orgulhoso, obscuro, antigo, e precisa superar suas próprias fraquezas ao longo da jornada. No fim do livro, o Sonho literalmente é outro.

E é incrível como esse ‘outro’ reflete muito bem os novos rumos da humanidade, como tudo aqui. Gosto demais de como Gaiman retrata a Morte, também. É a personagem MAIS SIMPÁTICA entre todas que a gente encontra quando lê. Ela está presente quando todos morremos, mas também como todos nascemos (deixando meio implícito que a Morte e a Vida são a mesma coisa, eu acho). Também curto muito o caso do desaparecimento de Destruição: um tempo atrás, se me lembro bem, no século XVII ou XVIII, ele abandonou sua função, porque acreditava que a humanidade dava conta dela sem a sua ajuda. Levando em conta que “destruição” aqui não tem a ver com fins (que são território da Morte), mas com mudanças e transformações.

Ah, eu poderia falar (ou escrever) sobre isso até o mês que vem. Poderia até escrever uma tese, e ainda faltaria muita coisa. Sandman é a representação de um século e de todos os caminhos que levaram até ele. E o final do século XX é, digamos, bem “cheio de coisas”, né?

Enfim, essa edição que eu li, o segundo volume da coletânea The Annotated Sandman – onde Leslie Klinger comenta e aponta as referências da história, com fatos, curiosidades e explicações – , tem dois grandes arcos, "Estação das Brumas" (onde Lúcifer se cansa do Inferno e decide abandoná-lo, entregando a chave para Morpheus) e "Um Jogo de Você" (onde vemos que todos temos mundos inteiros dentro de nós, só que aqui é do ponto de vista da Barbie – é, Barbie, a boneca hehehe), além de outras histórias curtas.


E eu cheguei à conclusão de que, pra mim, nenhuma edição em papel especial colorida com capa maravilhosa chega à altura de uma edição que explica tudo! Vou correr atrás das edições seguintes já!

Nome: The Annotated Sandman vol.2
Autor: comentários Leslie Klinger, história de Neil Gaiman
Editora: Vertigo
Páginas: 520
Nota no Skoob: 5/5

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Última Canção de Bilbo


Pra quem leu (ou viu os filmes, também serve) O Senhor dos Anéis, esse livro é uma coisa linda! Dá um gostinho de quero mais, ao mesmo tempo que serve de epílogo, ou uma forma de matar a saudade rapidinho. Pra quem não leu, não tem problema. Eu acredito que dá pra ler perfeitamente, sem perder nada  do conteúdo, já que se trata de um poema de despedida. Não precisa nem saber quem é o Bilbo (apesar de eu achar que, atualmente, todo mundo pelo menos já ouviu falar no famoso hobbit, né?)

Como eu falei aí, o livro inteiro é um poema, que Bilbo recita quando vai embora da Terra Média com os elfos, em direção ao Oeste. Cada página tem 4 estrofes acompanhadas de ilustrações: uma retratando a partida em si, e outras pequenas embaixo relembrando cenas de O Hobbit, também como forma de narração complementar à poesia: cada cena ali é uma memória de Bilbo e traz a saudade e a nostalgia das aventuras. Elas vêm à tona durante sua jornada ao navio que o levará embora.

O livro é lindo, eu já disse, não é? As ilustrações são de Pauline Baynes, ilustradora preferida do Tolkien. A edição brasileira é super legal, bem feita, cuidadosa, com capa dura e uma segunda capa por cima dela. O livro é bem pequenininho, dá pra ler em poucos minutos – embora eu ache que algumas pessoas vão acabar gastando mais do que isso, pois vão relembrar as aventuras junto com o próprio Bilbo, e esse mergulho nas memórias (do Bilbo e do tempo que o leitor já passou na companhia dele na vida real, mesmo, lendo sobre suas peripécias), que é super gostoso, pode ter durações diferentes de pessoa pra pessoa.

Eu, pessoalmente, tive vontade de voltar a ler O Hobbit e O Senhor dos Anéis ao ler as palavras de despedida e ver as figuras, além de, lá no fundo, ouvir uma voz baixinha cantando "The Road Goes Ever On And On..."


Não preciso dizer que vale a pena ter esse livro na estante, né? É um lembrete de como se conta histórias boas de verdade. Tolkien não é visto como o mestre à toa...

Nome: A Última Canção de Bilbo
Autor: J. R. R. Tolkien
Ilustrações: Pauline Baynes
Editora: Martins Fontes
Páginas: 32 
Nota no Skoob: 5/5

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Pequena Estrela


Um dia desses estava passeando (mais precisamente, indo depositar um cheque de um pagamento que recebi) quando topei sem querer com a loja da Editora Martins Fontes (do lado do banco :S). Pra explicar o tanto que eu precisei entrar e olhar tudo, só preciso dizer a vocês que a vitrine era quase toda do Tolkien. *.*

Enfim, dei uma olhada em tudo e tive vontade de comprar a loja inteira. Ainda que eu não conhecesse muitos livros, as capas me conquistaram (acontece muito isso, sabe?)... Mas consegui me segurar e voltei pra casa só com dois! Hahaha

Um deles foi esse livro de hoje, chamado Pequena Estrela, dos franceses Élisabeth Vangioni-Flam e Michel Cassé, astrofísicos.

Sim, astrofísicos.

O que me fez comprar esse livro, em primeiro lugar, foi a capa, super bonitinha! Toda azul, com um desenho bonitinho de uma estrelinha (as ilustrações são de Laurent Cardon), com algumas estrelas naquele esquema de autorrelevo com algum material transparente, que só é visível dependendo do ângulo que você olha (desculpem, não entendo nada de materiais), além de o livro ser todo ilustrado. O outro motivo é ser estrelas, por que eu tenho “alguma coisa cármica” com estrelas e coisas do espaço. De verdade, é eu ver e querer pra mim.

O livro é a história da estrelinha Star, que acabou de nascer da nuvem Casulo. Star já nasce com uma vontade imensa de conhecer o que mais existe por aí na imensidão, e sai em uma viagem pelo espaço, encontrando os mais variados tipos de estrelas e outros corpos celestes.

Na verdade, trata-se de uma forma que os dois autores, astrofísicos, encontraram para ensinar o assunto para crianças. O livro é cheio de termos científicos, explicações sobre junções de átomos, como estrelas ‘se alimentam’, como elas morrem, como planetas se formam em volta delas, o que são buracos negros, como é o centro da Via Láctea, e por aí vai.

É TANTA informação pra uma história tão pequena que, de certa forma, me decepcionou um pouco. A história é legal e dá muito “pano pra manga”, e as ilustrações deixam o livro ainda mais legal (sério, eu teria todas em quadros espalhados pelo meu quarto ou adesivos e sei lá mais o quê). Só que o livro é escrito com um vocabulário muito complicado para crianças (o público-alvo do livro), e a história é MUITO corrida.

Os capítulos começam com parágrafos de narração e de repente se transformam em diálogos escritos naquele formato de peça de teatro, de um jeito um pouco brusco pra quem tava entrando no clima da prosa. Sei que alguns termos são difíceis mesmo, e a ideia é fazer o leitor conhecê-los (exemplos: Aglomerado Globular, Azoto, Cefeida, Fotosfera, etc), e muitos deles realmente estão num glossário no final do livro, mas existem palavras – não necessariamente científicas – que são complicadas para esse público entender (exemplo: invólucro).

Acabei achando que faltou um pouco de “refinamento”, de poesia pra história ficar mais atrativa e mais bonitinha, mesmo. Pra prender a atenção da criança (ao ler, imaginei que talvez ficasse melhor com alguém lendo em voz alta, colocando entonação nas falas).


Mas acho que esse livro deve ser bem útil pra professores de física passarem pros alunos... :)

Nome: Pequena Estrela
Autores: Élisabeth Vangioni-Flam e Michel Cassé
Ilustrações: Laurent Cardon
Editora: Martins Fontes
Páginas: 98
Nota no Skoob: 3/5

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Excalibur - Histórias de Reis, Magos e Távolas Redondas


Coletâneas nos ensinam muita coisa sobre o cenário, ou sobre o tema que as inspirou. Nesse caso, deu pra ter uma pequena ideia do que temos na literatura de ficção e fantasia no Brasil. Como de se esperar, algumas coisas não parecem tão boas, outras dão preguiça ou decepcionam, mas sempre surgem aquelas que fazem todo o resto valer à pena, de tão boas, bem escritas, emocionantes e por aí vai. 

Alguns contos em Excalibur conseguiram me transportar para outro mundo, que é o que eu sempre espero quando leio alguma coisa. Me transportar para aquele mundo antigo, no meio de florestas governadas por deuses que não ouvimos mais falar, e me dar a sensação de que mudanças são naturais, de que somos parte delas e que nem sempre aquele fim indesejado é ruim, melhor ainda. Estou com vontade inclusive de ver alguns contos dessa coletânea em forma de filme, ou transformados em um romance maior. Não que eu ache que eles deviam ser maiores (algumas coisas são do tamanho que têm que ser), é só vontade de ficar um pouco mais de tempo imersa nelas... Como no conto "A Dama da Floresta", ou "O Herdeiro de Shalott". 

Gostei das abordagens alternativas, mostrando que Camelot pode ser qualquer lugar, como uma forma de mostrar que sempre há quem lute e tente melhorar as coisas. Como no conto "A Fada". Também gostei das histórias que mostraram os personagens como seres humanos, dando enfoque a emoções, sensações e coisas que fazem a gente realmente comprar a história, como "O Fio da Espada" e "Cavaleiro Anônimo" (esse conto me surpreendeu: uma história bem simples que fica sensacional por conta da escolha do tempo verbal e a forma como ele acaba. Só no final a gente percebe que ele todo foi um flash, um piscar de olhos!)

Enfim, curti o livro. Achei que demorei um pouco mais nele, e confesso que tive vontade de largá-lo em alguns momentos, pois fiquei um pouco cansada, mas acho que faz parte quando se tem várias histórias com a mesma temática, né? As vezes dá impressão de que a gente tá lendo a mesma coisa e não sai do lugar, mas aí vem um conto muito bom e faz a leitura avançar e ficar muito prazerosa (além de mostrar que sim, temos escritores muito bons por aqui e seria muito legal dar atenção a eles!)

Nome do livro: Excalibur - Histórias de Reis, Magos e Távolas Redondas
Autores: Roberto de Sousa Causo, Liège Báccaro Toledo, Luiz Felipe Vasques, Daniel Bezerra, André S. Silva, Pedro Viana, A. Z. Cordenonsi, Ana Cristina Rodrigues, Marcelo Abreu, Melissa de Sá, Octavio Aragão, Ana Lúcia Merege, Cirilo S. Lemos
Organização: Ana Lúcia Merege
Editora: Draco
Páginas: 248
Nota no Skoob: 3/5

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Interworld / The Silver Dream


Interworld

Infelizmente, às vezes descubro livros legais que não têm tradução para o português. É chato porque não dá pra compartilhar a empolgação, não dá pra recomendar pra muita gente... É o caso de Interworld, do Neil Gaiman e do Michael Reaves.

Confesso, claro que o que me chamou a atenção no 1o momento foi o nome do Neil Gaiman. Mas a premissa do livro se mostrou tão legal que eu leria e gostaria mesmo sendo de um autor que eu nunca ouvi falar. 

É a história de Joey Harker, que descobre que tem a habilidade de andar entre dimensões. Na história, existem incontáveis dimensões, cada uma com uma versão diferente da Terra e, consequentemente, versões diferentes dele mesmo. Versões essas que formam um exército com o objetivo de manter o equilíbrio entre a ciência e a magia no Altiverso (conjunto das Terras das diferentes dimensões - diferente de "multiverso", que seria o conjutno de dimensões E tudo o mais do universo por aí), já que organizações de ambos os lados estão em guerra pelo domínio dele: os HEX e os Binários.

Como é explicado no livro, magia e ciência são formas diferentes de se ver as coisas: magia é esperar que o Universo escute seu pedido, enquanto ciência é o Universo demandar que você o escute. Cada parte do universo pende para um desses lados, o que influencia em cada uma das versões da Terra do Altiverso.

O livro é super divertido e prende bastante o leitor. Dá pra encontrar referência de tudo (sacada genial que aproveita várias versões de Terras pra dar vários pontos de vista pras coisas). Em alguns momentos, achei bem parecido com animes japoneses, com direito a mascotinho divertido pro protagonista, etc e tal. Em outros, tinha um pouco de Star Trek, onde tudo é explicado cientificamente, mas de um jeito que a "audiência" entenda, e dentro da história. Também um pouco de Harry Potter, com adolescente protagonista entrando em enrascadas e crescendo - e ficando poderoso - com elas, um pouco de X-Men, onde cada uma das versões alternativas de Joe Harker tem "habilidades" específicas (Terras diferentes resultam em seres vivos diferentes), um pouco de Steampunk, histórias de piratas, e por aí vai.

Desconfio que cada leitor vai encontrar suas próprias referências e fazer associações diferentes, de acordo com seu próprio gosto, background, e por aí vai.

Gostei da parceria entre Neil Gaiman, que sabe contar histórias de fantasia como ninguém, sempre com um ar de que a gente já leu isso antes, ao mesmo tempo que está lendo algo completamente novo, e Michael Reaves, que já trabalhou com roteiros para Star Trek, Batman - Animated Series, Twilight Zone e por aí vai. Um misto de saber o que atrai o público com saber como contar algo legal e com qualidade pra ele. Também pode ter sido a parceria a responsável por manter o equilíbrio da história entre fantasia e ficção científica, o que faz sentido também com relação ao enredo (que fala sobre esse equilíbrio). 

Curti as formas de explicar os cenários também (dimensões absurdas, zonas do Altiverso que eram todas as dimensões ao mesmo tempo - o 'In Between' - , e zonas que não eram nada - o 'Nothing At All'): usando referências da cultura, como dizer que algo é uma mistura de Picasso com Dali e Pollock, ao mesmo tempo que dando nomes científicos, equações matemáticas ou inventando nomes que deem essa impressão. Aliás, o próprio protagonista menciona: uma das coisas mais legais de ser cientista e descobrir coisas é poder inventar palavras pra dar nome pra elas.

Disseram que a ideia original era uma série de TV, mas algumas ideias não entram na cabeça de produtores dessa mídia, então sobrou pros livros mesmo. Mas o que os produtores de TV não consideraram digno de atenção hoje em dia tem um "New York Times Bestseller" escrito na capa. Taí a dica, editoras brasileiras, publiquem uma tradução!

Nome: Interworld
Autor: Neil Gaiman & Michael Reaves
Páginas: 288
Editora: HarperTeen
Nota no Skoob: 5/5



The Silver Dream

Michael Reaves e Mallory Reaves escreveram a continuação de Interworld. O nome do Gaiman aparece na capa, mas apenas como criador original dos personagens e fatos principais. 

E, não querendo ser a óbvia puxa-saco, acho que fez falta, viu? Não que a história não seja boa, muito pelo contrário, mas faltou um certo "refinamento". 

Aqui, temos uma história com mais cara de Harry Potter e outros livros com heróis juvenis, passando por apertos (alguns muito tensos), sofrendo e apanhando, prometendo muito, descobrindo potenciais... E não mostrando que têm. Porque a história se preocupa tanto com ação que se esquece de colocar mais as impressões dos personagens, ou o efeito que a ação tem sobre cada um deles. 

Sabemos que a regra geral de histórias de heróis é ser modificado e crescer com os acontecimentos e dificuldades, não é? Pois não senti isso em The Silver Dream. Não sei se só pelo texto em si, com muito acontecimento, ou se também pelo final-sem-fim, onde se tem a impressão de um novo começo, um gancho pra continuação, mas que não funciona muito bem como gancho, deixando a sensação de que tá faltando coisa. Não sei nem dizer se acho que foi intenção dos autores ou não. 

De qualquer forma, a história funciona para o público tween/teen (como é indicado na capa), tendo algumas cenas "dramas highschool" (como ser excluído ou ter a popularidade ameaçada), guerras com armas laser e feitiços, jogos de pega-bandeira (onde outras coisas acontecem e pioram a situação, como se espera), e por aí vai. Um bom entretenimento sim, mas acho que senti falta da "magia" que a escrita do Neil Gaiman trás pras histórias...

EDIT: Os livros foram finalmente traduzidos e publicados no Brasil pela Rocco Jovens Leitores! Os títulos em português são Entremundos e Sonho de Prata.

Nome: The Silver Dream
Autor: Michael Reaves & Mallory Reaves (story by Michael Reaves & Neil Gaiman)
Páginas: 256
Editora: HarperTeen
Nota no Skoob: 3/4

sábado, 4 de janeiro de 2014

Fui uma boa menina?


Outro dos contos com temática natalina que a Editora Rocco liberou para download grátis. Também gostei e achei bastante criativo. 

Dessa vez, a história começa com uma moça escrevendo em seu diário o quanto ela não suporta o Natal. Faz a gente pensar no tanto de gente que não se sente bem na época e que acaba sendo mal visto e mal interpretado. Como assim não gostar de Natal? Todo mundo tem que comemorar!

Aos poucos, o leitor vai começando a entender o porque de a narradora não gostar da data, especificamente. O que aconteceu na vida dela para que ela se sinta tão incomodada? No caso dela, tem a ver com a família, a importância que davam aos negócios, e a forma como passavam o Natal até ela se "rebelar" e sair de casa, além da perda da mãe, no último Natal. Mas o que aconteceu exatamente?

E é aí que entra o fator interessante e surpreendente: quem é o pai dela? Quem era a mãe? O que eles fazem? (Digamos que os negócios da família são bem natalinos...) 

O conto tem o clímax no encontro dela com o pai, e a conversa que não só explica ao leitor o que aconteceu, como resolve as questões entre os dois, permitindo uma reaproximação. Tudo o que ela queria era ter sua cartinha de Natal atendida...

Nome: Fui uma boa menina?
Autora: Carolina Munhóz
Páginas: 16
Editora: Rocco
Nota no Skoob: 4/5

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A Caixinha Mágica


Essa semana vi que a editora Rocco estava anunciando download gratuito de alguns contos com temática natalina em formato digital. Como ler nunca é demais e de graça até injeção na testa (hahaha), baixei um deles, curiosa. Escolhi pelo título (depois da capa, é o que mais chama a minha atenção). Não me arrependi, e acho que vou procurar o outro livro da autora também!

O conto é "A Caixinha Mágica", de Luiza Trigo. Gente, achei tão... LINDO!!! 

Pra começar, não é uma história clichê de Natal. Começa com a Pri, protagonista, contando sobre como chegou no orfanato onde mora. A história se desenrola, e tal tal (não vou contar detalhes porque já é um conto curto, estragaria a graça), mas o que interessa é que, entre alguns outros objetos que ela herda da mãe, está uma caixinha de música misteriosa, com uma fada e um bilhete de "aos doze você terá uma surpresa".

E de fato, a surpresa é uma surpresa inclusive pro leitor, que entra no clima do orfanato, crianças desejando uma família (a história me fez pensar nessa parte também, quando questiona porque crianças maiores nunca são adotadas), protagonista interessada em um garoto, e nem sequer considera a possibilidade de algo diferente, belo e, principalmente, feliz (o que me faz pensar que pessoas com uma série de acontecimentos não muito legais na vida também tem essa tendência de esquecer de considerar as coisas boas).

Uma dica: essa surpresa é MÁGICA.

Nome: A Caixinha Mágica
Autora: Luiza Trigo
Páginas: 24
Editora: Rocco
Nota no Skoob: 5/5

P.S.: Pra baixar, você pode CLICAR AQUI. Mas além de baixar o arquivo com o epub, tem que baixar o aplicativo de leitura do site que você escolher, ok? Eu usei o da Saraiva.

A Gramática do Amor


Primeira leitura de 2014!!!

O que é o amor? Ele tem uma estrutura? Tem regras, pode ser bem definido? Precisa sempre doer ou pode ser tranquilo? É sempre contrariado, tem sempre final trágico, pode ser calmo e sem turbulências? 

Eu tenho o hábito de passear por livrarias e ficar olhando o que tem de legal. E, nesses passeios, fico olhando capas de livros, tentando adivinhar se as imagens tem alguma coisa a ver com o conteúdo (imagens: a melhor estratégia de marketing que já inventaram). Já comprei muito livro por impulso porque a capa e o textinho na orelha do livro me convenceram que seria legal.

Agora, tendo um Kobo e decidida a liberar espaço nas estantes (adoro livros mas não quero ser soterrada; na minha estante agora só vão ficar os autores favoritos - basicamente Gaiman e Tolkien *.*), comecei a anotar títulos de livros ou tirar fotos das capas, pra chegar em casa, pesquisar e ver se a compra vale mesmo a pena. Pode ser que valha, mas seja muito mais prático conseguir o livro digital também, né? 

Pois bem, numa dessas andanças em busca de livros com capas bonitinhas, descobri A Gramática do Amor. A capa é linda, mas o título me deixou com pé atrás, pareceu muito bobinho e "água com açúcar". Tirei foto, mas fiquei vários dias sem nem lembrar. Até que no dia 31 de dezembro, último dia de 2013, resolvi olhar sobre o que se tratava, encontrei um monte de comentários fantásticos e resolvi comprar. 

A Gramática do Amor conta a história de Irene, uma adolescente espanhola que vai estudar em um colégio interno na Cornualha. Lá, ela tem sua primeira decepção amorosa. E aí, toda uma nova vida se abre diante dela.

O professor de gramática, percebendo o estado da aluna, resolve ajudá-la dando aulas de uma nova matéria, a Gramática do Amor, onde usa grandes clássicos da literatura para fazer Irene refletir sobre o assunto. E aí surgem os questionamentos: o amor tem regras? Ele existe mesmo? 

Cada um dos aprendizados, dos insights de Irene acaba se coincidindo com novos acontecimentos em sua vida (porque ela não para, e é preciso seguir em frente, mesmo com o coração partido). Ela se vê, em alguns momentos, no papel de Jane Eyre, de Anna Kariênnina, do jovem Werther, do "comedor de gardênias" de O Amor nos Tempos do Cólera. Questiona as convenções sociais, toma consciência de seus "orgulhos e preconceitos", e aprende muito sobre o assunto. Mas mesmo ao final de todo o curso, se vê uma mera iniciante: pra aprender sobre essas coisas, só vivendo. E como tudo na vida, os rumos são inesperados. "Às vezes, o fim do caminho é apenas o começo de outro".

Os livros que Irene lê, sejam emprestados ou alugados na biblioteca, contém anotações feitas por algum leitor anterior, refletindo sobre os acontecimentos das histórias ou a atitude de alguns personagens. Essas anotações acabam servindo de guia de leitura para a menina, que tem sua atenção concentrada em trechos que passariam despercebidos não fossem comentários engraçadinhos ou declarações de amor. 

Na primeira vez que elas surgiram na história, foi como se algo me dissesse: pode rabiscar seu livro todo. Não gosto de rabiscar, anotar, sequer dobrar página. Pra mim, gente que vira a dobra do livro ao contrário pra ficar mais "fácil de segurar" poderia ser torturado hahaha. Mas Esse livro se mostrou uma exceção: sublinhei diversas passagens. Várias coisas pra me lembrar se algum dia chegar a ler de novo, ou se emprestar. 

A história dá tantas possibilidades, que cada um tira suas próprias conclusões. Parece óbvio, mas acho que a própria escolha de obras literárias citadas ressalta isso: cada um dos livros mostra um tipo de "amor".

Acredito que conclusões mudam, mas a princípio, a minha foi: não é sobre o amor, gente. É sobre a VIDA. Parece bobo em alguns momentos? Parece, ainda mais sendo a protagonista adolescente. Mas cada um dos apertos e momentos de vergonha de Irene (como se declarar para o professor) cria algum ponto de identificação. Todo mundo já viveu algo parecido, e vai continuar vivendo. A conclusão final de Irene? O importante é saber em que porto você quer desembarcar.

Nome: A Gramática do Amor
Autora: Rocío Carmona
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 264
Nota no Skoob: 4/5