sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A Gramática do Amor


Primeira leitura de 2014!!!

O que é o amor? Ele tem uma estrutura? Tem regras, pode ser bem definido? Precisa sempre doer ou pode ser tranquilo? É sempre contrariado, tem sempre final trágico, pode ser calmo e sem turbulências? 

Eu tenho o hábito de passear por livrarias e ficar olhando o que tem de legal. E, nesses passeios, fico olhando capas de livros, tentando adivinhar se as imagens tem alguma coisa a ver com o conteúdo (imagens: a melhor estratégia de marketing que já inventaram). Já comprei muito livro por impulso porque a capa e o textinho na orelha do livro me convenceram que seria legal.

Agora, tendo um Kobo e decidida a liberar espaço nas estantes (adoro livros mas não quero ser soterrada; na minha estante agora só vão ficar os autores favoritos - basicamente Gaiman e Tolkien *.*), comecei a anotar títulos de livros ou tirar fotos das capas, pra chegar em casa, pesquisar e ver se a compra vale mesmo a pena. Pode ser que valha, mas seja muito mais prático conseguir o livro digital também, né? 

Pois bem, numa dessas andanças em busca de livros com capas bonitinhas, descobri A Gramática do Amor. A capa é linda, mas o título me deixou com pé atrás, pareceu muito bobinho e "água com açúcar". Tirei foto, mas fiquei vários dias sem nem lembrar. Até que no dia 31 de dezembro, último dia de 2013, resolvi olhar sobre o que se tratava, encontrei um monte de comentários fantásticos e resolvi comprar. 

A Gramática do Amor conta a história de Irene, uma adolescente espanhola que vai estudar em um colégio interno na Cornualha. Lá, ela tem sua primeira decepção amorosa. E aí, toda uma nova vida se abre diante dela.

O professor de gramática, percebendo o estado da aluna, resolve ajudá-la dando aulas de uma nova matéria, a Gramática do Amor, onde usa grandes clássicos da literatura para fazer Irene refletir sobre o assunto. E aí surgem os questionamentos: o amor tem regras? Ele existe mesmo? 

Cada um dos aprendizados, dos insights de Irene acaba se coincidindo com novos acontecimentos em sua vida (porque ela não para, e é preciso seguir em frente, mesmo com o coração partido). Ela se vê, em alguns momentos, no papel de Jane Eyre, de Anna Kariênnina, do jovem Werther, do "comedor de gardênias" de O Amor nos Tempos do Cólera. Questiona as convenções sociais, toma consciência de seus "orgulhos e preconceitos", e aprende muito sobre o assunto. Mas mesmo ao final de todo o curso, se vê uma mera iniciante: pra aprender sobre essas coisas, só vivendo. E como tudo na vida, os rumos são inesperados. "Às vezes, o fim do caminho é apenas o começo de outro".

Os livros que Irene lê, sejam emprestados ou alugados na biblioteca, contém anotações feitas por algum leitor anterior, refletindo sobre os acontecimentos das histórias ou a atitude de alguns personagens. Essas anotações acabam servindo de guia de leitura para a menina, que tem sua atenção concentrada em trechos que passariam despercebidos não fossem comentários engraçadinhos ou declarações de amor. 

Na primeira vez que elas surgiram na história, foi como se algo me dissesse: pode rabiscar seu livro todo. Não gosto de rabiscar, anotar, sequer dobrar página. Pra mim, gente que vira a dobra do livro ao contrário pra ficar mais "fácil de segurar" poderia ser torturado hahaha. Mas Esse livro se mostrou uma exceção: sublinhei diversas passagens. Várias coisas pra me lembrar se algum dia chegar a ler de novo, ou se emprestar. 

A história dá tantas possibilidades, que cada um tira suas próprias conclusões. Parece óbvio, mas acho que a própria escolha de obras literárias citadas ressalta isso: cada um dos livros mostra um tipo de "amor".

Acredito que conclusões mudam, mas a princípio, a minha foi: não é sobre o amor, gente. É sobre a VIDA. Parece bobo em alguns momentos? Parece, ainda mais sendo a protagonista adolescente. Mas cada um dos apertos e momentos de vergonha de Irene (como se declarar para o professor) cria algum ponto de identificação. Todo mundo já viveu algo parecido, e vai continuar vivendo. A conclusão final de Irene? O importante é saber em que porto você quer desembarcar.

Nome: A Gramática do Amor
Autora: Rocío Carmona
Editora: Rocco Jovens Leitores
Páginas: 264
Nota no Skoob: 4/5

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