domingo, 26 de janeiro de 2014

The Annotated Sandman vol.2


Não é segredo pra ninguém que me conhece o quanto eu adoro o Neil Gaiman, né? Mas na maioria das vezes eu falo dos romances dele. Recomendo todos, muito bem escritos, criativos, fantásticos (nos dois sentidos) e inspiradores. Literatura de qualidade, sem puxar saco (e olha que ele merece)!

Mas nunca cheguei a comentar sobre Sandman por aqui, eu acho. Foi através dessa graphic novel gigantesca que o escritor ganhou projeção, fãs e a oportunidade de lançar mais livros lidos no mundo todo. Foi escrito no final dos anos 80, o que me permite falar que esteve na transição de uma era para outra. Com o fim da Guerra Fria, crescimento da globalização e um desenvolvimento absurdo da tecnologia, foi uma época beeeem movimentada, e Sandman soube se encaixar nesse mundo (olha eu aqui falando como se isso fosse há séculos, né... hahaah).

Antes de Sandman, Neil Gaiman tinha participado de algumas graphic novels menores, trabalhado em conjunto com outros escritores e artistas, e escrito matérias jornalísticas. Aí, tudo mudou: não só para ele, mas para a forma como a fantasia é vista hoje em dia. Foi um resgate de um super herói de quadrinhos esquecido e enterrado, vindo do início do século XX, baseado na figura do Senhor dos Sonhos, aquele que, segundo a lenda, joga areia nos olhos das crianças para que elas durmam e sonhem. (não é uma lenda muito famosa no Brasil. Pra exemplificar, é só lembrar daquele filme A Origem dos Guardiões, tem o Sandman lá!)

Na história do Neil Gaiman, tudo ganha outra abordagem. O Sonho não é o “senhor do sonho”, mas o Sonho em si. Tipo uma personificação. E ele tem outros 6 irmãos, também personificações de “aspectos” presentes no mundo, na humanidade (e em tudo mais que vier à mente, já que a história não se atém à Terra): a Morte, o Destino, o Desejo, o Desespero, Delirium e Destruição (sim, se fosse em inglês, seriam todos com D).

O que eu acho mais genial em tudo é que no meio das histórias e arcos, dá pra encontrar muitas referências, de todos os tipos: artísticas, filosóficas, históricas, e por aí vai. É quase como se Sandman fosse um resumo da história da humanidade. E, no fim das contas, Morpheus, o Sonho, é bem isso: humano. É orgulhoso, obscuro, antigo, e precisa superar suas próprias fraquezas ao longo da jornada. No fim do livro, o Sonho literalmente é outro.

E é incrível como esse ‘outro’ reflete muito bem os novos rumos da humanidade, como tudo aqui. Gosto demais de como Gaiman retrata a Morte, também. É a personagem MAIS SIMPÁTICA entre todas que a gente encontra quando lê. Ela está presente quando todos morremos, mas também como todos nascemos (deixando meio implícito que a Morte e a Vida são a mesma coisa, eu acho). Também curto muito o caso do desaparecimento de Destruição: um tempo atrás, se me lembro bem, no século XVII ou XVIII, ele abandonou sua função, porque acreditava que a humanidade dava conta dela sem a sua ajuda. Levando em conta que “destruição” aqui não tem a ver com fins (que são território da Morte), mas com mudanças e transformações.

Ah, eu poderia falar (ou escrever) sobre isso até o mês que vem. Poderia até escrever uma tese, e ainda faltaria muita coisa. Sandman é a representação de um século e de todos os caminhos que levaram até ele. E o final do século XX é, digamos, bem “cheio de coisas”, né?

Enfim, essa edição que eu li, o segundo volume da coletânea The Annotated Sandman – onde Leslie Klinger comenta e aponta as referências da história, com fatos, curiosidades e explicações – , tem dois grandes arcos, "Estação das Brumas" (onde Lúcifer se cansa do Inferno e decide abandoná-lo, entregando a chave para Morpheus) e "Um Jogo de Você" (onde vemos que todos temos mundos inteiros dentro de nós, só que aqui é do ponto de vista da Barbie – é, Barbie, a boneca hehehe), além de outras histórias curtas.


E eu cheguei à conclusão de que, pra mim, nenhuma edição em papel especial colorida com capa maravilhosa chega à altura de uma edição que explica tudo! Vou correr atrás das edições seguintes já!

Nome: The Annotated Sandman vol.2
Autor: comentários Leslie Klinger, história de Neil Gaiman
Editora: Vertigo
Páginas: 520
Nota no Skoob: 5/5

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