segunda-feira, 31 de março de 2014

Destrua Este Diário


Um diário com uma proposta diferente. Tá com raiva? Rabisque as páginas, dobra a orelha, arranque folhas, joga o diário no chão ou na parede. Tá feliz? Colora as letrinhas, faça desenhos alegres, passe perfume nele. Depois, observe o efeito de tudo isso.

Nas “instruções” do diário, a autora explica que dedica o livro a todos os perfeccionistas do mundo. Já eu acho que isso é limitador: esse diário devia ser receita de consultório de psicólogo pra qualquer pessoa, perfeccionista ou não (até porque existem graus diferentes nisso aí, né). Negócio é: eu resolvi comprar o livro por impulso, em um dia em que sentia vontade de extravasar não sabia o que, não sabia como. Sabia que lá no fundo, alguma coisa me dizia pra criar. Lembrei que minha mãe tinha dado o livro pro meu primo no Natal, e uma conhecida tinha postado fotos no instagram. Dito e feito: melhor compra do ano até agora (por apenas fintchi reais)!

Sei que só costumo comentar livros aqui no blog depois que os acabo, mas abri uma exceção pra Destrua Este Diário. Acho que cada um tem seu ritmo, e por mais que já tenhamos seguido todas as “instruções”, sempre dá pra inventar mais jeito de destruir (tem até uma página pra gente anotar novas ideias).

Os desabafos propostos pela autora são de outro tipo: no lugar de palavras e desenhinhos bonitinhos, que são coisas que a gente acaba peneirando e filtrando na hora de registrar em um diário normal (já que são feitas através do racional), aqui se incentiva colocar as emoções pra fora diretamente: rabisca apertando o lápis bem forte, rasgue, jogue no chão, pise em cima, leve pro chuveiro, amasse, rasgue, etc e tal ad eternum. O que eu propus pra mim foi: desobedecer as dicas da autora também é uma forma de destruir, então tem coisas que eu não faço, de birra mesmo. Mas claro, prestando atenção se estou desobedecendo por medo de arriscar ou porque não concordo mesmo.

Por exemplo? Inventei de jogar o diário num muro de chapisco. A autora não sugeriu isso, eu mesma pus na lista de alternativas de destruição. E doeu, viu? Nunca tive um livro com rasgos na capa e um lado amassado antes :S

Não estou muito afim de pingar comida e outras substâncias nele (sim, tem página pra isso), porque aí ele atrairia insetos e interromperia meu “trabalho”. Mas joguei no chão do chuveiro, dei uma borrifada de perfume, arrastei ele no chão, arranhei com objetos pontiagudos (preparem-se, pessoas que tem gastura), “calcei” o diário e por aí vai.

Mas o que mais me deu vontade de fazer no meio disso tudo foi colorir! Senti muita vontade de criar, de destruir alterando as páginas, de registrar imagens. Fui à livraria e comprei uma caixa de canetinhas e outra de lápis de cor só pra isso, e digo que foi uma decisão ótima! Gasto a tinta delas mesmo, não estou nem aí. A intenção agora não é cuidar do objeto que adquiri, não é acumular, não é sentir que tenho alguma posse, não é esconder. É colocar pra fora, é me expressar, é transformar em criatividade o que eu ando sentindo (o que corresponde perfeitamente ao que eu ando vivendo atualmente, com vontade de não guardar mais nada e falar o que penso/sinto sem medo, o que me fez concluir que consegui uma bela terapia, de verdade).

Recomendo a terapia da destruição pra todo mundo! Sem medo!

Sabe que eu curti esse desenhinho do coração versus o cérebro?

Tá tão empenado que eu não fiz nada pras páginas ficarem assim na foto, viu!


Esse aí foi divertido

Isso é meu BBcream. Da Loreal, só pra constar :P

QUANDO que eu ia imaginar que ia rasgar um livro pra fazer aviãozinho? 

Também curti esse desenho do mato versus prédios (não tem nas fotos, mas a parte de baixo eu fiz o sol versus a lua!)

Nome: Destrua Este Diário (Wreck this journal)
Autora: Keri Smith
Editora Intrínseca
Páginas: 224
Nota no Skoob: 5/5

domingo, 23 de março de 2014

Revista Trasgo 2


Acabei de ler a segunda edição da Revista Trasgo, uma publicação recente com a incrível e maravilhosa e *mil adjetivos pra expressar o quanto adorei a ideia* que faz uma coletânea de contos de fantasia e sci-fi, todos escritos por brasileiros. O tipo de coisa que eu mais adoro ler, e que nunca encontrei muito entre autores nacionais (ou pelo menos acho que não foram divulgados o suficiente pra eu chegar a conhecer mais facilmente).

Tenho descoberto autores do gênero de uns tempos pra cá, mas confesso que tive que buscar bastante – e não teria achado muita coisa se a internet não fosse o que é hoje (mas não era quando eu comecei a me tornar leitora ávida, há uns 15 anos atrás - há controvérsias sobre o tempo). Acho que a iniciativa da Trasgo é excelente exatamente por reunir autores em uma publicação com temáticas variadas, estilos de escrita diferentes e por aí vai. Dá pra ter vários gostinhos diferentes, várias reações, impressões e conclusões.

Quando eu li a edição piloto, fiz um post aqui comentando conto por conto. Dessa vez mudei de ideia: fica cansativo, e não acho que esse é o ponto. Cada um que leia a edição e tire suas próprias conclusões! Cada pessoa acaba elegendo seus favoritos de forma diferente, porque isso depende do gosto.

As minhas conclusões, dessa vez, estão um pouco mistas. A revista tem histórias fantásticas, mas algumas me desapontaram, confesso. Não necessariamente pelo conteúdo, mas pela estrutura: tenho concluído, depois de ler várias histórias diferentes por aí, que a ficção científica no Brasil não vai pra frente por um fator: o texto. Existem ideias geniais, personagens excelentes, mas faltam as entrelinhas, a sutileza, o implícito. Mas, principalmente, falta uma boa revisão do português em boa parte das histórias (e aqui eu não falo só dos contos que li na revista, mas mais genericamente mesmo).

Sem essas coisas aí, fica tudo muito duro, muito jogado. Parece que estou lendo um roteiro de cinema: a história pode até ficar legal depois que você imagina ela sendo filmada, com atores, com cenário, e por aí vai. Mas aí a gente é que tem que criar, porque não tem muito disso nas histórias, só fatos, acontecimentos repentinos, falas que surgem de um jeito brusco, sem a gente entender muito bem o que está por trás. Ok, os personagens são robôs, são alienígenas, são cientistas de um século no futuro que pensam logicamente, mas temos que lembrar que a ficção científica é um comentário/crítica da sociedade em que a gente vive, e é sim baseada em pessoas. E pessoas tem sutilezas, entrelinhas, tem coisas não ditas... E conversam de um jeito natural, nem sempre com “lhe” ou “sente-se”. Compro mais as histórias que escrevem um belo “senta aí” hahahaha

Tá, aproveitei a deixa pra comentar de uma forma mais genérica, mas a Revista, que é o assunto do post, não se resume a isso. Tanto é que eu não consigo dizer o quanto eu adorei “A Maldição das Borboletas Negras”! Parece que to ouvindo um sinhozinho contando a história de um monstro que passou por ali, vindo do mato, há um tempo, e causou uma bela confusão. Um causo. Com um “clima” de Ariano Suassuna, Guimarães Rosa e por aí vai, só com elementos bem brasileiros. Curti mesmo.

Também adorei “Rosas”, que me lembrou as aulas de Literatura do curso de Letras, que me dão saudade de vez em quando... E aqui vem tudo o que eu disse que sinto falta nas histórias de sci fi: sutileza, entrelinhas, coisas que não foram ditas mas estavam ali desde sempre. Uma bela “sacudida psicológica”. Só não saquei muito a relação com o tema de fantasia da Revista, porque pra mim ele teve uma pegada BEM realista... Mas sei lá, pode ser interpretação pessoal, né?


Enfim, bora todo mundo baixar o epub da Revista (a edição piloto também!) e conhecer o que anda sendo feito por aí!

Nome: Revista Trasgo 2
Nota no Skoob: 3/3
Site: http://trasgo.com.br/