sexta-feira, 2 de maio de 2014

Sobre Katniss, Elsas, Gwens e Khaleesis

Ontem, depois de assistir ao novo filme do Homem Aranha, me peguei pensando sobre a Emma Stone, uma atriz na faixa dos 20 e poucos que vem ganhando muito espaço e se destacando. E aí me vieram outras atrizes da mesma faixa etária, e comecei a pensar em como e por que elas se destacam. A Emma Stone aparece em muitos filmes de “comédia”, leves, mas também em filmes com drama. Mas acho que o que fez ela se destacar foi o ar sério e maduro, e como ela consegue contracenar com atores veteranos, sem parecer intimidada. Ou não. Na verdade, nem sei muito bem se estou falando algo certo. Sei que, de repente, meio veio a Jennifer Lawrence à mente, outra atriz que tem se destacado (mais do que outras, até) na faixa dos 20 e poucos anos.

O que eu pensei foi: a Emma Stone não chama atenção como a J-Law no quesito personagens “fortes”. Pra mim, ela tem mais cara de mocinha delicada, tipo a própria Gwen Stacy (aliás, ela foi a Gwen Stacy perfeita), namorada do Homem Aranha. E em outros papeis de mocinhas. “Mocinhas”.


 Foi aí que eu parei pra pensar nessa coisa de “personagens fortes”. No adjetivo “forte”.

A J-Law já apareceu em papéis considerados fortíssimos, se destacando e arrancando mil elogios pela interpretação. E nem to falando do Oscar que ela ganhou por O Lado Bom da Vida, que é um filme legal, mas nem tanto assim. Falo de filmes fantásticos e absurdos como O Inverno da Alma, onde ela impressionou de verdade (e não ganhou o Oscar). Mas ela é conhecida mesmo por causa da Katniss, protagonista de uma série de livros que virou filme muito famosa: Jogos Vorazes. Eu acredito que a Katniss ganhou mais atenção ainda porque veio logo após uma onda de filmes com mocinhas bobas e indefesas, e o contraste chamou atenção. Finalmente uma protagonista mocinha que “chuta bundas” pra servir de exemplo pra moçada.

Muda muita coisa na forma como essas mocinhas são vistas, principalmente se a gente pensar que não só elas, mas as atrizes que as interpretam, essas que estão começando a se destacar, se mostram promissoras e estão na faixa dos 20 e poucos anos, tem um poder enorme para influenciar o público na mesma idade que elas (ou mais novo). Público que se encaixa na expressão “futuro da humanidade”.

Mas a Gwen Stacy não luta, não mata, não atira flechas. É uma moça de família estudiosa que mora em Nova York e ganhou uma bolsa pra estudar em Oxford.

O que não faz dela uma mocinha “indefesa”. Mocinhas delicadas também podem ser fortes. A Gwen não fica parada se preocupando e esperando enquanto o namorado super herói combate o crime. Ela age. Vai atrás, se envolve, apresenta soluções que o próprio Homem Aranha não tinha considerado. E, quando ele tenta impedi-la de se envolver, preocupado, ela faz questão de afirmar: “IT’S MY CHOICE! MY CHOICE! MY CHOICE!”

Não precisa ser Katniss pra ser uma personagem feminina forte. Forte é a mensagem que a Gwen deixa: não interessam as consequências, o que interessa é que a vida dela é ela quem determina. – mais óbvio ainda quando Peter tenta terminar o namoro, mas antes que ele consiga, ela mesma termina, por impaciência. Hehehe

Já a própria Katniss não é vista fazendo esse tipo de escolhas. Ela inclusive se encolhe, em alguns momentos. E se quebra (e ainda vai se quebrar mais, pra quem só tá acompanhando os filmes). Ela se desespera, e pensa em fugir pra se livrar da situação em que vive. Mas é forte. Não porque é boa com arco e flecha, nem porque sobrevive a um jogo de matanças. É forte porque continua de pé e não se entrega – e isso fica mais evidente quando se tem acesso aos pensamentos dela, nos livros, que não podem ser demonstrados por conta das “circunstâncias ditatoriais”.  Não importa o quanto tentem mudá-la por fora, ela continua sendo a Katniss lá dentro, dona do que pensa.


E aí vem a Elsa: aquela que, ao se ver livres de amarras que ela mesma mantinha (ou pq foi ensinada, ou pq entendeu que assim seria mais seguro), resolve tomar as rédeas e viver a própria vida, longe da sociedade (que é o que a faz se conter e se podar). Elsa é a princesa da Disney (ou rainha, né :P ) que não precisa ser resgatada, não precisa de príncipe, não precisa de fada madrinha: desde que ela possa ser ela mesma, está tudo bem. Poderia, inclusive, se apropriar daquela frase famosa de outra personagem forte: “I’M NOT A PRINCESS, I’M A KHALEESI.”

Frase da Daenerys, outra princesa/rainha (ou Khaleesi hehe), personagem um pouco polêmica de Game of Thrones. Que costuma ser vista como chata, porque sempre que começa a se mostrar poderosa, faz algo errado, têm dúvidas e põe tudo a perder (ou quase). Sempre está com algum dilema, em dúvida quanto a paixonites, homens, com ser capaz de reinar, com seus medos. E é aí que, pra mim, ela se mostra uma personagem forte: é humana, tem medo, tem dúvidas, e mesmo assim conquista cidades, seguidores, admiradores, governa e “chuta bundas”.



Eu realmente não sei bem de onde surgiu isso na minha cabeça, nem qual a conclusão. Sei que ontem demorei a dormir porque fiquei com esses pensamentos. E que to achando legal ver tantos exemplos de personagens femininas fortes, mas que fogem do clichê de Lara Croft. Fortes de jeitos diferentes. Sem precisar ser arqueira ou enfrentar jogos de matanças. Só sendo quem são.

Outra coisa: nem ligo praquela regra de ter duas mulheres conversando sobre assuntos diversos, que dizem ser comprovação de que a história é feminista. Katniss fica o tempo todo entre Peeta e Gale, Gwen está o tempo todo com Peter Parker e Daenerys é cercada de conselheiros homens. Mas esse é o mundo que elas tem, e é o que elas fazem com isso que importa.  (ok, a Elsa segue a regra heheeh)

E bom, eu poderia ficar aqui o dia inteiro citando outras personagens, mas acho que o post ia ficar chato e gigante, então por hoje é só, pessoal! :P

Tudo isso porque eu fiquei pensando em que filmes eu já assisti com a Emma Stone. hahahahaah

2 comentários:

  1. Eu também já fiquei pensando nisso outras vezes.

    O mais interessante disso é como Hollywood aprendeu a olhar para o próprio umbigo e passou a corrigir a noção equivocada de "mulher forte" que implementou, principalmente nos anos 80/9 com personagens como Sarah Connor, Ellen Ripley e qualquer uma interpretada pela Michelle Rodriguez.

    Apesar de serem personagens interessantes dentro das propostas isoladas de seus filmes (especialmente em T2 e Aliens), esse tipo de mulher é unidimensional demais e fruto de uma imaginação eminentemente "de homens".

    O valor de Gwen, Elsa, Daenerys e Kaniss está no fato de serem mulheres agindo como mulheres e impondo-se como mulheres mesmo diante de universos preponderantemente masculinos.

    Ótimo texto, Redd!

    Max.

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