sexta-feira, 13 de junho de 2014

O Circo da Noite


“Você pode contar uma história que passe a morar na alma de alguém, se transforme em seu sangue e propósito. Essa história vai motivar e impulsionar e quem sabe o que ela poderá fazer por causa disso, por causa das suas palavras.”                Senhor A. H...

Enfim, a copa chegou, as férias vieram junto meio que forçadamente, e eu finalmente pude parar pra ler alguma coisa legal com calma. E, não sei se por sorte, acabei fazendo uma bela escolha!

Eu não sei bem como falar sobre esse livro, apesar de ter muitas coisas na cabeça que podem ser ditas. Enfim, é como um sonho. É mágico. É um pouco trágico, e é bonito. É encantador. Você pode ler cada capítulo as vezes meio perdido, sem saber como as coisas se conectam.

Mas no final, é tudo sobre o circo.

Mesmo que todas as resenhas e comentários falem sobre ser uma versão moderna de Romeu e Julieta. É sobre eles também, e é sobre um desafio no qual a mocinha e o mocinho estão presos. É sobre o sonho de várias pessoas, é sobre relógios, é sobre acreditar ou não em magia. De fato, o tal desafio/ parte romântica com um casal que não pode ficar junto é sim importantíssima. Mas porque eles são o circo. É sobre as pessoas que veem “mágica”, que veem o impossível na frente delas (de verdade), mas que chamam de ilusionismo bem calculado e pensado, porque simplesmente é inadmissível acreditar que aquelas coisas possam ser feitas de verdade. Então essas pessoas preferem sentir que estão sendo enganadas por truques de engenharia mesmo.

O livro é o circo. Não dá pra esquecer que o título dele é “O Circo da Noite”.

O mais legal, na minha opinião, é que o livro inteiro tem a estrutura do Le Cirque des Rêves (esse é o nome do tal circo): cada capítulo é uma tenda, que pode parecer um pouco desconexa com os anteriores. Como andar perdido pelo circo, esperando a próxima surpresa ao acaso. Até a cronologia é um pouco assim, alternando coisas do futuro com coisas do passado. Personagens de diversos cantos do mundo.

Mas no final, é simples assim: tudo o que aparece, tudo o que a gente lê é o circo. Cada personagem, cada período de tempo, tudo que antes parece meio solto uma hora vai se mostrar como parte de um conjunto.

Só que aí, no último capítulo (ok, esse último eu achei que quaaaase caiu na armadilha do Scooby doo, onde ficam explicando tudo o que aconteceu, mas conseguiu se salvar por pouco) a gente descobre que mais do que sobre o circo, é sobre histórias. Não só a história de cada personagem envolvido com o circo (não subestimem nenhum deles, sério), mas sobre a história que eles constroem juntos, ainda que sem querer.

Histórias tem poder.

Editado pra acrescentar:
- Tem Shakespeare no livro, muito Shakespeare. Do jeito óbvio e do jeito não óbvio.
- Ler o livro é entrar no circo. No sentido de ter todas as sensações que os frequentadores descrevem na história. Cada vez que eu pegava pra ler, me dava vontade de tomar chocolate quente com especiarias, maçã com caramelo, a "coisa com canela"... Dava pra visualizar cada tenda também :)

Nome do livro: O Circo da Noite
Autora: Erin Morgenstern (adorei esse sobrenome haaha)
Páginas: 368
Editora: Intrínseca
Nota no Skoob: 5/5 

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