segunda-feira, 28 de julho de 2014

Fim da Maratona Literária

Acabou a Maratona Literária. E gente, eu sou o fracasso desse desafio! Hahahahahaha

Negócio é: não sei se o problema é a Maratona em si ou o desafio que eu me propus, mas percebi que o jeito como tava não funciona pra mim. Ok, talvez o problema tenha sido o desafio especificamente.

O negócio é: eu não funciono com esse negócio de ler porque preciso ler (eu já sabia, mas acho que tinha esquecido e precisei da Maratona pra me lembrar). Não consigo ler um livro/conto/qualquer coisa porque preciso, porque tenho uma meta a ser alcançada, porque foi pré-estabelecido. Nem na faculdade de Letras eu fazia isso – eu confesso, eu lia resumo dos contos no Sparknotes 99% das vezes, simplesmente porque não conseguia ler as coisas para o prazo determinado. Muita coisa que era pra eu ter lido durante a faculdade eu acabei lendo depois, quando ia ser por prazer, porque EU QUIS E FIM.

(Oi, muito prazer, sagitariana com aquário, vocês não mandam em mim! :P)

O que aconteceu nesse sentido na Maratona foi ter decidido quais livros ler com antecedência. E aí eu acabava uma história e a vontade era ler uma próxima que fosse no estilo X, mas já estava pré-determinado que eu leria o estilo Y. E olha que a minha meta pra semana de Maratona era bem pequena, hein, 2 livros e meio!

E aí foi assim: acabei de ler o Anansi Boys (só metade dele foi pra Maratona, porque eu já tinha começado a leitura antes) e queria ler alguma coisa mais de fantasia. Mas o próximo da lista era uma Space Opera. Ok, li, gosto do gênero e usei isso como incentivo. Aí acabei de ler no clima de ficção científica, e o próximo da lista ia ser uma graphic novel com personagens da Marvel vivendo no período elisabetano.

Gente, eu não li esse último. Por pura preguiça. :S

Também acabei não participando dos desafios propostos nos blogs da Maratona, mas aí já era mais uma questão de eu estar na primeira semana de aula pós-férias, pegando repertório novo, resolvendo pepinos na secretaria com relação à matrícula errada (vocês que reclamam do acerto na UFMG não sabem o que é o sistema da UEMG. Hahahaha), começando aula de redação com um aluno novo e por aí vai. Enfim, uma semana cheia (não tão sem tempo, mas cheia de informação demais pra eu poder processar tudo hahah).

Conclusão do jogo: foi uma boa experiência. Primeira vez que participo de uma Maratona Literária, e deu pra ver como eu funciono nessa situação. Talvez na próxima eu pense num desafio melhor: já que eu prefiro ser espontânea pra escolher minhas leituras, quem sabe da próxima eu não escolho ler um livro só, daqueles bem grandes. To devendo terminar Os Miseráveis tem um bom tempo. hahahahaha

domingo, 27 de julho de 2014

Space Opera - Um Novo Começo


Acabei (bem em cima da hora) a segunda meta da Maratona Literária: a Space Opera “Um Novo Começo”.

Foi também a “estreia” do meu aplicativo Kindle, ou seja, a primeira vez que eu li qualquer coisa no celular. Eu costumava ter um certo preconceito por conta da tela ser brilhante e colorida e muito iluminada, já que essas coisas costumam me cansar muito fácil. Mas pelo menos o tamanho da tela dessa vez colaborou, porque uns tempos atrás eu arrumei um smartphone decente hahaha

Enfim, vamos à obra: “Um Novo Começo” mostra duas histórias paralelas com dois protagonistas: Jout e uma prisioneira humana entre ‘alienígenas’. Os trechinhos são apresentados alternativamente, até que no final as duas histórias se conectam. Na primeira história, os últimos humanos pousam sua nave no planeta Kepler, com intenção de colonizá-lo e fazer dele sua nova casa, após a destruição da Terra. Na segunda, uma prisioneira aguarda sua execução em uma prisão de segurança máxima alienígena, aparentemente pelo crime de ser humana.

Sabe toda vez que eu leio alguma coisa com cara de ficção científica e reclamo que falta o lado pessoal, as emoções, as entrelinhas, o lado humano? Pois é, aqui não falta. Aliás, o que mais tem aqui é isso: a ligação entre duas crianças, o relacionamento entre pai e filho, as memórias de uma prisioneira condenada à pena de morte.

Só achei algumas coisas nesse sentido meio corridas, tipo o final onde os capítulos e o interlúdio se entrelaçam. Achei um tiquinho repentino. Não sei, é a impressão que me deu. Meu lado paranoico que pensa em detalhes também ficou reparando em coisas menores, do tipo “como esse menino consegue passar assim tão fácil? Só tem recruta, não tem câmeras?” e por aí vai. Ou no início da história só existir um planeta habitável, mas depois ser revelado que existem outras espécies e que o capitão sabia disso. Isso não seria o mesmo que dizer que existem um monte de planetas habitáveis? O.o Ou então: mas só Kepler? Não sei quando a história foi escrita, mas acho que tem um tempo que já descobriram um monte de planetas “com potencial” por aí, só esperando confirmação (eu acho). Ou “porque esses dois povos querendo habitar o mesmo planeta não podem nem tentar entrar num acordo? São a mesma espécie, todo mundo terráqueo!”

Também achei que algumas explicações de coisas mais práticas pareceram meio repentinas, tipo do nada sabermos que existem sim outras civilizações por aí e o ‘chefão’ sabia disso. Sei que era um tipo de informação necessária pra ligarmos as duas histórias paralelas, mas não sei, quando processei a informação a história já estava acabando...

Eu vou confessar uma coisa pra vocês: o fato de a história ser da Karen Alvares e da Melissa de Sá, de quem eu já li outras coisas e com quem tenho algum contato via twitter e tal, o que faz com que eu não as veja como seres de outro mundo (rááá!) me fez ficar com um pé atrás pra escrever esse comentário, mais cheio de críticas do que de coisas legais. :S

Mas só pra esclarecer: eu sei que as histórias são como os autores a escrevem. Tudo o que eu falei aqui foram escolhas das autoras. E é óbvio que eu imagino que mais gente por aí vai discordar e talz. Escrevi apenas minhas impressões iniciais, como comentaria com um amigo que também tivesse lido (igual a gente costuma comentar filmes ao sair do cinema, ou seriados depois do episódio semanal). E é por isso que eu chamo meus textos nesse blog de COMENTÁRIOS, não de "resenhas"...

Autoras: Karen Alvares e Melissa de Sá
Páginas: 61
Editora: Draco

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Anansi Boys


Tem coisas que a gente precisa fazer de tempos em tempos. Tipo tirar férias. Ir a um restaurante muito bom. Dormir até meio-dia. Ou ler um livro do Neil Gaiman.

Foi assim que me senti lendo Anansi Boys: fazendo algo que eu não fazia há algum tempo, mas tava precisando. Pelo menos pra mim, histórias do Neil Gaiman dão um “refresco” na rotina, no mundo de sempre. Não só pela história, mas pela forma como ele apresenta o mundo. Em tempos de mísseis israelenses e guerra da Ucrânia, grandes personalidades partindo desse mundo e racionamento de água, é muito bom ser lembrada de que o mundo é muito mais do que a gente vê nos jornais. Existem mundos em cima de mundos, existem entremundos, entrelinhas, coisas implícitas, sugestões, influências, grandes viradas e tudo o mais que for possível imaginar.

E existem as canções.

“Songs remain. They last. The right song can turn an emperor into a laughingstock, can bring down dinasties. A song can last long after the events and the people in it are dust and dreams are gone. That’s the power of songs.” (Canções permanecem. Elas duram. A canção certa pode transformar um imperador em alguém digno de troça, pode derrubar dinastias. Uma canção pode durar até muito depois dos eventos e das pessoas que fazem parte dela se transformarem em pó. Esse é o poder das canções.)

E, seguindo uma mitologia/tradição (desculpem, não sei que palavra usar) vinda do oeste da África, todas as canções são de Anansi. Todas as HISTÓRIAS são de Anansi. E cada pessoa tem sua canção. Alguns aprendem a cantá-la, outros não a escutam, outros a vivem como compensação por não conseguirem aprendê-la. Mas no fim, todas elas pertencem a Anansi.

Mas o mais legal é que Anansi não é uma divindade solene que manda no destino das pessoas. Anansi é uma aranha que tece teias no mundo (e assim são as histórias: conectadas, todas levando a um centro, que seria o fim, o clímax, a meta de tudo).

Mas Anansi também é um “tiozão” (pq eu imagino ele assim hahaha) cara de pau, assanhado e pregador de peças, do tipo que é capaz de irritar pessoas ou levar o próprio filho ao ódio absoluto depois de passar por tanta vergonha – vergonha que pro pai é sempre alguma piada muitíssimo engraçada.  Anansi é o cara bon vivant, que sabe o que é bom, que só faz o que quer, que se dá bem no que faz. É o cara que tá acostumado a se livrar de enrascadas absurdas (cantando), e acabar se metendo em outras ainda maiores (cantando também).

Antigamente, as histórias eram do Tigre. Naquela época, as pessoas só se preocupavam em caçar e ser caçadas. Era um mundo selvagem. Agora não, agora as histórias são de Anansi, e agora as pessoas começaram a descobrir como se livrar dos problemas e das caçadas PENSANDO. Como disse nosso caro Anansi, muito melhor assim, não?

Anansi teve filhos, que obviamente herdaram algo dele (ainda que um demore a perceber isso).  E isso implica em herdar enrascadas também. O que nos leva ao enredo principal da história: Charlie Nancy (ou Fat Charlie, como o pai fez com que ele fosse conhecido pelo mundo, mesmo não tendo nada de “fat”), após uma vida tediosa e certinha, acaba se deparando com sua herança familiar (que inclui enrascadas). E aí, descobrindo um mundo novo que ele antes consideraria absurdo e impossível – imagine descobrir que o pai que você quer longe da sua vida era um deus –, cresce, descobre o próprio potencial, e se transforma em outro. 

Basicamente, mais uma releitura da saga do herói. Mas com uma bela pitada de Gaiman, o que faz toda a diferença. E, pensando em outros livros do autor, acabei achando que segue um estilo parecido com o de Neverwhere, tanto nos desafios quanto no tom da história, mais leve, engraçadinho, profundo (diferente de Deuses Americanos, que eu acho mais sério, de Stardust, que é mais "ingênuo", ou de Belas Maldições, muito engraçadinho mas menos "profundo"...)

E claro, um livro cheio de citações pra vida (pelo menos pra mim, que saí marcando todas hahahaha – não se preocupem, eu li em paperback :P).

“People take on the shapes of the songs and the stories that surround them, especially if they don’t have their own song.” (As pessoas tomam a forma das canções e histórias que as cercam, especialmente se eles não têm sua própria canção.)

“The world may be the same, but the wallpaper’s changed. Yes? People still have the same story, the one where they get born and they do stuff and they die, but now the story means something different to what it meant before.” (O mundo pode ser o mesmo, mas o papel de parede mudou. Sim? As pessoas ainda acreditam na mesma história, aquela onde elas nascem e fazem coisas e morrem, mas agora a história significa algo diferente do que costumava significar antes)

“They [stories] don’t mean a damn unless there’s people listenin’ to them.” (Elas [as histórias] não significam nada a não ser que tenha alguém escutando)

Ah! Só um esclarecimento: Anansi Boys faz parte do mesmo universo de Deus Americanos (se você leu esse livro, deve se lembrar do Mr. Nancy, né?), mas as histórias são independentes uma da outra. Dá pra ler qualquer um em qualquer ordem, embora eu ache mais legal ler Deuses Americanos primeiro, pois dá um panorama mais legal de como "funciona" essa coisa de deuses, deuses no mundo real, deuses que morrem mas continuam aí e por aí vai... :P

Nome: Anansi Boys
Título brasileiro: Os Filhos de Anansi

Autor: Neil Gaiman
Páginas: 400
Nota no Skoob: 5/5
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E essa foi a primeira parte da minha Maratona Literária! Hoje foi o dia “leve” da semana, 1º dia de aula e tal. A partir de amanhã a coisa volta a ficar mais tensa, mas vamo que vamo pro próximo item!

domingo, 20 de julho de 2014

Maratona Literária


Não, ainda não acabei a leitura atual. Esse post não é sobre ela.

Esse post é sobre a Maratona Literária!

Nunca participei disso antes. Na verdade, acabei de descobrir a existência desse desafio (foi pelo twitter da Karen Alvares). Mas achei que poderia ser divertido, além de ter ficado interessada em tentar algo que eu nunca fiz: desafiar a mim mesma.

Eu confesso, não gosto de desafios. Nunca fui fã de competições. Sempre que alguém me desafiava, eu entregava os pontos e falava "ok, você venceu, pode ficar feliz agora", meio que sem paciência. Nem é por idealismo, é por preguiça de disputas mesmo.

Mas desafiar a mim mesma é outra coisa. Não é uma disputa de egos, pra ver quem é melhor. É uma maneira de superar barreiras, de sair da zona de conforto, de ir além. Antes que eu possa dizer "ah, não vou dar conta", vou me propor o desafio e bora cumprir, sem chororô! hahahaha

Demorei bastante pra resolver fazer a inscrição na Maratona Literária por um motivo até bem bobo: não conseguia pensar no que propor como "auto-desafio". É, a ideia é essa mesma: você se propõe uma meta, eles só dão o prazo (e uns desafios extras ao longo desse prazo, só pra rolar alguma interação entre os participantes e tal).

Isso é legal porque torna o desafio adaptável - ninguém tem a mesma rotina e o mesmo tempo livre, né? Se você está de férias, dá pra se propor ler um milhão de coisas. Se você trabalha o dia inteiro, pode se propor ler umas 50 páginas (sei lá) além do que costuma conseguir com o tempo que tem. E foi por isso que curti a ideia.

Na conversa via twitter com a Karen Alvares, não só ela ficou tentando me convencer a participar, como me convenceu a ler mais um livro dela (hahahaha :D). E foi a partir da conversa que tive a ideia do meu desafio: plataformas diferentes. Então lá vai:

Essa semana eu volto às aulas na UEMG e aos ensaios do coral, o que vai me tomar bastante do tempo. Ou seja, não posso me propor nada pesado. Por isso, quis pensar em algo diferente: vou ler obras em plataformas diferentes. Ebook, graphic novel e romance "tradicional". Ao todo, vão dar 2 "livros" e meio:

- ANANSI BOYS, o tal "romance tradicional". Ele seria o meio livro, já que eu já comecei a leitura antes de saber do desafio, e não quero interromper (é muito bom!)
- SPACE OPERA - UM NOVO COMEÇO, o tal livro que a Karen Alvares me convenceu a baixar :P (a autoria é dela e da Melissa Sá). Ele seria o ebook (aproveitando pra estrear o app do Kindle no meu celular)
- 1602, graphic novel da Marvel, escrita por Neil Gaiman. É releitura, mas tem muito tempo que li e queria relembrar.

E é isso! A Maratona Literária está em vários blogs por aí, mas o link que eu peguei e usei pra me inscrever foi esse (clica no link que tem explicação pro que acontece)!!!

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Coração de Tinta


Aviso pra começar: acho que empolguei tanto falando sobre porque li o livro que acabei escrevendo uma introdução muuuuuuito grande. Se você não liga pra isso e só quer saber se o livro é bom e o que tem nele, pule essa parte!

Há muito tempo atrás, passeando pela locadora, vi um DVD que me chamou atenção pelo nome e por parecer ser um filme de fantasia. Mesmo sendo filme do Brendan Fraser (HUE), resolvi alugar.

Coração de Tinta.

Não posso falar muito do filme hoje em dia, confesso que já tinha esquecido ele quase todo. Depois de ler o livro então, eu correria o risco de confundir o que eu imaginei com o que eu vi. Só posso dizer que o livro me deixou com a impressão de que o filme é uma droga. Tipo versão Hollywood lado B de Super Xuxa contra o Baixo Astral. Hahahaha Pra escrever esse texto, recorri ao Google pra lembrar que atores faziam alguns personagens e descobri que o Capricórnio era o Andy Serkis de um jeito muito ridículo. ARGH. Hahaha (reitero: tenho que assistir de novo pra ver se a memória tá me enganando :P)

O motivo de eu ter tido vontade de ler o livro mesmo assim foi que, além de ele ter uma temática que quem me conhece já tá cansado de saber que me atrai, eu descobri que ele é alemão. E eu tive a minha época de estudar alemão (to tentando ressuscitar algumas coisas agora nas “férias da copa”), e achei que seria o livro perfeito pra ler e treinar a língua, já que ler sobre o que a gente gosta ajuda, né. Só que eu não conseguia achar ele em alemão sem ter que importar pagando um absurdo, além de eu não ter (e me recusar a fazer até o dia em que precisar MESMO) cartão de crédito internacional, pra evitar gastos, o que também me impossibilitou de comprar o ebook em alemão, que eu só achava em euros. Acabei adiando a leitura imensamente por causa disso.

Só que toda hora começava a aparecer algo sobre a Cornelia Funke, autora do livro, em coisas que eu lia ou via por aí. E cada vez que eu via ela falando sobre literatura e afins, sentia que precisava ler o livro dela pra entender o lado prático do que ela falava. Até que, no final do ano passado, fiz um curso online chamado “The Future of Storytelling”, oferecido pela Fachhochschule Potsdam, que incluía depoimentos e aulas de várias personalidades, incluindo a própria Cornelia Funke (que no curso falava sobre um livro interativo dela criado para ipad, Mirrorworld).

E aí, vasculhando os confins da internet, consegui o ebook em inglês, que eu acabei de ler. :P

Chegando ao fim essa enooooorme introdução sobre como eu cheguei nesse livro, vamos enfim às impressões:

Curti IMENSAMENTE! Não só pelo conteúdo, mas também pela forma como tudo é trabalhado e apresentado. A estrutura do livro é uma coisa muito bem feita, e dá pra ver como cada coisinha foi bem pensada e considerada. Resumindo: é nítido o quanto foi um trabalho bem feito.

É um livro sobre um livro, e sobre livros em geral. Um “metalivro” hahaha. Isso quer dizer que tudo dentro da história tem que/pode ser comparado com livros em si, seja no aspecto físico e material, seja no conteúdo. E, sendo um livro “infanto-juvenil” (bem grandinho pra crianças, eu acho), muito desse paralelismo pode ser feito com outras histórias de fantasia infanto-juvenis também (ou não). Tanto é que no início de cada capítulo vem uma pequena citação de alguma história, desde A Ilha do Tesouro, passando por As Mil e Uma Noites e Peter Pan, até O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Nárnia e Onde Moram os Monstros, sempre relacionada com a ação que está para ser apresentada.

A história fala sobre personagens que saíram de um livro, Coração de Tinta, e o problema que isso causa na vida da família de Mo (Mortimer), Meggie e Elinor. Mais especificamente, fala sobre um vilão cujo coração é negro como a tinta, e que, saído do livro, passa a “executar suas vilanices” no “mundo real” (apesar de “real” ser algo bem relativo na história. Tudo ali é real, só que com origens em mundos diferentes). É legal também ver que, mesmo tendo coração negro, Capricórnio é sempre descrito como sendo pálido e sem cor, refletindo a falta de sentimentos como medo ou remorso, exibindo a sua frieza.

A gente vê o tempo todo esses personagens saídos do tal livro (e de outros também, como a Tinker Bell) se relacionando com as pessoas do nosso mundo, onde tudo acontece. Depois de algumas páginas, mesmo tendo aprendido a gostar de alguns dos “nativos do Coração de Tinta”, dá pra perceber a diferença entre uns e outros. Enquanto Capricórnio, Basta e outros (alguém pode me dizer como traduziram Dustfinger na edição brasileira?) tem características quase poéticas, mas muito bem definidas, algumas quase clichês, as pessoas reais, como a mocinha Meggie, têm mais camadas, mais dilemas, mais “humanidade”.

Aliás, preciso falar que eu gostei muito da forma como a autora trata Meggie, que é a personagem que mais recebe foco na história, uma menina de apenas 12 anos. Meggie passou a vida com o pai, acreditando que a mãe tinha abandonado a família, até descobrir que ela tinha sido sugada para dentro do Coração de Tinta (mas a resenha da história vocês podem achar em qualquer lugar, só digitando o título do livro no Google). Eu diria que, mesmo que considere Capricórnio o protagonista (tanto do livro de verdade quanto do fictício – é só lembrar que o título da história faz referência a ele), é com Meggie que o leitor pode se identificar, e é dentro da cabeça dela que se consegue entrar mais fácil.

Mas não é uma mocinha ingênua e romantizada, como as que costumamos ver em livros do estilo – aliás, no próprio livro dá pra ver Elinor tentando comparar Meggie a alguma heroína de histórias de aventura, mas se decepcionando porque só conseguia pensar em heróis, nenhuma mocinha valente como a sobrinha. Meggie é ingênua sim, mas do jeito que meninas de 12 anos costumam ser. Mesmo assim, é atrevida às vezes, teimosa, e se pega sentindo ciúmes da própria mãe ao perceber o quanto o pai sente falta dela, concluindo que não tem como sentir falta de alguém que nunca conheceu (ok, já deixo vocês aliviados falando que o sentimento muda quando as duas se encontram pessoalmente :P). 


Enfim, ainda to na fase de digestão da leitura, que foi longa. O que mais me chamou atenção foi o fato de tudo não só girar em torno de livros, mas de ser feito como um, quase como uma aula sobre como escrever histórias e criar personagens. É bem legal, inclusive, quando Mo e Meggie vão atrás do autor de Coração de Tinta (o fictício) e este se mostra empolgadíssimo em conhecer seus personagens, ainda que sejam vilões temíveis. Depois pretendo ler as sequências (tem mais dois livros) e ver se isso continua. Mas já digo que toda essa questão sobre citações, livros, personagens e mundos se cruzando fazem com que, mesmo sendo uma história de fantasia infanto-juvenil, seja bem interessante mesmo pra adultos, e não tão clichê e boba. Vale a leitura! (ah é, e se imaginar nas paisagens da costa italiana durante a leitura também é bem legal, viu!)

Nome do Livro: Coração de Tinta (eu li em inglês, então é Inkheart. O original é Tintenherz)
Autora: Cornelia Funke
Páginas: 416 (no ebook)
Nota no Skoob: 4/6