quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Antologia da Literatura Fantástica


Há uns dias atrás a Cosac Naify fez uma promoção com descontos maravilindos, e claro que eu quis aproveitar. Como estava sem verba pra uma compra gigantesca, acabei ficando só com esse livro, que vale por vários e é daqueles que a gente quer exibir na biblioteca pessoal. :P

Na verdade, comprei sem saber muito o que esperar. Minhas expectativas se basearam apenas no título e nos autores: “Antologia da Literatura Fantástica” me fez pensar em um apanhado de contos de um dos meus estilos favoritos reunidos, e a chance de conhecer mais contos que eu nunca ouvi falar. “Adolfo Bioy Casares, Jorge Luis Borges e Silvina Ocampo”, os organizadores, me fizeram pensar em garantia de qualidade na seleção e nas traduções (que eles mesmos fizeram).

Bom, essa é a primeira vez que escrevo aqui sobre um livro que não acabei de ler. Aliás, não li nem a metade. Antologias não são pra ser devoradas, são pra ser “degustadas”. Um dia a gente pega o livro e lê um conto, digere, processa a informação, decide o que achou... em outro dia a gente pega outro. Em alguns dias pegamos vários ao mesmo tempo, dos curtinhos, por curiosidade e empolgação. E por aí vai.

Uma das primeiras coisas que noite quando comecei a ler os primeiros contos é que eu tava com MUITA SAUDADE de literatura bem escrita, viu? Digo ‘bem escrita’ no sentido de cuidado com palavras, alguma sensação de cuidado com as palavras escolhidas e não só com o conteúdo da história. Vou ter que confessar pra vocês que, investindo muito em livros de autores atuais, esse quesito as vezes anda muito sumido, quase descuidado mesmo.

Ok, em alguns contos o estilo vai parecer bem rebuscado, cansativo e exagerado, mas a gente tem que lembrar que pode ser característica da época (até agora, os contos que li são do século XIX ou do início do século XX, época em que tudo tinha que ser racional, rebuscado, poético e científico ao mesmo tempo, e cheio de expressões em francês – quando os personagens são “cultos”). Mas não consideraria isso algo ruim. No máximo me faz alertar: não é pra leitores “jovens”, é pesado e eu recomendaria a leitura somente depois que a pessoa já tiver costume e gosto e hábito e tudo o mais, uma certa “fluência pra ler”, sabe?

A edição brasileira fez uma tradução de tudo a partir da tradução dos organizadores (que escreveram em espanhol, né), pra manter o estilo e as intenções deles. Super válido. Mais a capa dura, mais a fitinha pra marcar página, mais as margens azuis que deixam o livro colorido e bonitão... Muita qualidade!

Outra coisa: acho que TALVEZ, tendo em vista que hoje em dia a fantasia tá ganhando um espaço cada vez maior, é muito válido lembrar que o termo “literatura fantástica” não se refere aos Harry Potter e histórias de fadas da vida. Ou melhor, não somente a esse tipo de história. Literatura Fantástica diz respeito a qualquer história onde aconteça algo no mundo real que não pode ser explicado por esse mundo real, pelo menos não com as leis da física que conhecemos no momento em que o conto foi escrito. Pode ser desde histórias de fantasmas, até ficção científica, até contos das mil e uma noites, até um quadro que envelhece no lugar do dono dele, até uma história normal por 500 páginas com o personagem voando para o céu na última. Esse tipo de coisa.

Por que eu quis falar isso? Pra ninguém achar que vai comprar o livro e encontrar um monte de histórias de fadas. Hahahaha Tá mais pra Faustos da vida, algumas lendas folclóricas de diversos países, pactos com o diabo e por aí vai. É a estranheza em algum momento que conta.

Super recomendo o livro pra quem se interessar não só pelo estilo, mas por ler coisa boa no geral! Ainda que só você só leia um conto e guarde o livro por 20 anos, ele sempre vai estar lá co mais contos rapidinhos a hora que der na telha! :P 

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