quarta-feira, 24 de setembro de 2014

If I Stay


Um dia desses vi uma entrevista com a Chloë Moretz sobre o novo filme dela, Se Eu Ficar, e me interessei pela história. Consegui o ebook (agora to com a “política” de só arrumar livro físico se eu realmente fizer muita questão e for uma edição especial, porque, GENTE, NÃO TEM ESPAÇO :O) em inglês, e acabei de ler agora.

Não sei bem o que dizer. Não queria fazer um textinho propaganda, com um resumo clichê da história – isso vocês vão encontrar muito fácil por aí, ainda mais porque o filme tá aí. Então vou me ater ao que eu sempre considerei a intenção do blog: falar minha impressão inicial, minha sensação lendo a história.

Como muitas chamadas já devem ter dito por aí, Se Eu Ficar mostra um dia na vida de Mia Hall logo após sofrer um acidente de carro que levou sua família inteira. Em coma no hospital, ela acompanha tudo o que acontece (numa daquelas experiências extracorpóreas ou algo assim, sei lá como chamam) enquanto tem que decidir se fica ou se acompanha seus pais e seu irmão mais novo. Nisso, o livro vai intercalando cenas do hospital com memórias que surgem relativas a cada pessoa que aparece pra visitá-la, mostrando o peso que cada uma tem pra sua decisão.

É uma história para o público jovem, mas bem profunda. No começo, pode ser que algum leitor ache que a Mia está bem demais pra quem acabou de viver uma tragédia, que ela consegue organizar muito bem os pensamentos, narrar acontecimentos e por aí vai. Mas aos poucos, a gente vai entendendo que não é bem assim: no estado em que está, ela ainda parece um pouco “entorpecida”, ao mesmo tempo que em estado suspenso. Enquanto não decide, ela também não “vive” (trocadilho sem querer hehehe) a dor, as informações, os acontecimentos. É como se ela estivesse esperando mesmo.

De um lado, o fato de ter perdido os pais e o irmão. De outro, o violoncelo (e eu preciso dizer, como alguém da Música, que achei muito legal o modo como a relação dela com o instrumento aparece, como algo bem natural, que surgiu e ganhou importância aos poucos, sem planejamento, mas que é uma parte poderosíssima em sua vida – Mia é tão talentosa que um dos fatores de peso é a probabilidade muito forte de ela ir estudar na Juilliard School, escola hiper tradicional na área, sonho de muita gente), e Adam, o namorado que vive em um mundo totalmente diferente do dela, mas que em momento algum duvidamos que deveria estar com ela.

Não sei até que ponto o filme consegue transmitir o peso e a profundidade de tudo o que Mia pensa e “sente”, pois aqui acontece o mesmo que em Jogos Vorazes: o livro está em primeira pessoa, o que consegue fazer com que tenhamos acesso aos pensamentos da personagem e perceber quando ela age de uma forma contraditória ao que pensa/sente. Ali, deu no que deu: Katniss heroína adolescente com romancezinho bobo fazendo adolescentes suspirarem, ao invés de uma menina quebrada e envelhecida pela dureza que a cerca, etc e tal. Veremos. Ignoraram tudo o que tem de decente em Jogos Vorazes pra comparar com Divergente (esse sim, livro adolescente bobo e ingênuo), e tenho minhas desconfianças de que Se Eu Ficar acabe sendo jogado no grupo dos dramas adolescentes que A Culpa é das Estrelas encabeça (o livro é legal, mas o "auê" em torno do filme não). Não curto essas coisas, que eu considero deturpações – poxa, tem bem mais que um romancezinho nessas histórias! –, mas sei que faz parte, né?

E não, o fato de ter um namorado com cara de relacionamento perfeito não faz com que vire romance malhação, pelo menos na minha opinião. Adam está na história por um motivo: desorganizar a “ordem natural das coisas” na vida de Mia. A história deixa bem claro que sem ele, Mia teria tido uma vida tranquila e “normal”, seguido pra Juilliard, se transformado numa grande violoncelista e por aí vai, ou mesmo não ter dúvida se ficaria depois do acidente. Ele é um peso em um lado da balança, um algo a mais que um simples namorado de colégio – como a mãe de Mia diz, uma complicação que é boa, mas que veio cedo demais para Mia, que tem 17 anos e está bem na fase de fazer escolhas e mudanças na vida (significativo, não?)

Enfim, eu curti bastante o livro! Só teve um momento que eu achei meio forçação de barra: quando a amiga da família, que é enfermeira, surge quase como um milagre e resolve todo o “problema” burocrático do hospital, que obviamente tem regras de visitação e tal, depois de todo um showzinho (no sentido literal) pra burlar essa questão.  Mas isso é pequeno, dá pra relevar :)

Historinha curiosa que aconteceu quando eu decidi ler o livro: não prestei atenção no nome da autora e peguei o primeiro ebook com o título If I Stay que encontrei. O resultado foi um livro até bem escrito, mas que (não sei bem se entendi direito) se envolve com um professor na faculdade, e com um cara que conheceu na balada, incentivada pelo amigo gay imensamente sedutor ou algo assim, com um clima bem "apimentado". Larguei quando percebi que era o livro errado, mas procurei algum comentário na internet pra saber do que se tratava e achei engraçado :P

Nome: If I Stay
Autora: Gayle Forman
Páginas: 272
Nota no Skoob: 4/5

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