sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Sandman - Os Caçadores de Sonhos


Eu gosto das entrelinhas. Gosto do que é implícito. Do que não é revelado logo de cara, do que está por trás. Costumo ver essas coisas como as verdades escondidas por aí. Pra mim, o mundo não é o assalto, a corrupção, os crimes e sacanagens que os noticiários exibem. “Pé no chão” e “realismo” não são julgar tudo que existe com base no que o jornal ou os outros falam.

Pra mim, a realidade está nas fantasias. Sim, nas fábulas, nas lendas, nos mitos (principalmente naqueles que repetem padrões). Está nas histórias que as pessoas contam desde sempre, nos sonhos que elas têm (dormindo ou acordadas), no que motiva as ações de todo mundo.  Não sei explicar porquê, sempre foi assim pra mim.

Talvez seja por isso que eu goste tanto das coisas que o Neil Gaiman escreve. Quando eu leio, tenho a impressão de que ele pensa assim também, e tenta entrar nesse mundo que fica atrás das cortinas, debaixo do tapete, atrás das névoas, ver o que acontece, o que ele faz. E, muitas vezes, parece que ele consegue mostrar pra gente um pouquinho do que tem lá. Nenhum livro conseguiu me dar uma sensação desse tipo mais do que American Gods – que inclusive inspirou uma tatuagem minha, sobre os deuses virem do coração.

Mas acho que até hoje é difícil superar Sandman. É, aquela história que muita gente torce a cara porque é em quadrinhos (graphic novel, na verdade), porque foi publicada pela mesma editora do Superman (a Vertigo, selo que publica Sandman, pertence à DC Comics), porque tem personagens considerados fantasiosos e bobos demais.

Só que bastou eu ler o Annotated Sandman (versão da graphic novel com explicações, fundamentações e interpretações para cada detalhe) pra ver que tem mais coisas ali do que a gente imagina (foi uma leitura bem demorada até, porque tinha explicação pra cada quadro da história. E eu só tenho 2 volumes, hein).

Enfim, esse post é sobre um pedaço específico de Sandman, que é subdividida em diversos arcos (ou histórias mesmo).

É sobre “Os Caçadores de Sonhos”.

Eu não conheço muito sobre a mitologia/imaginário japonês, que inspira essa história, mas sempre tive a impressão de que é tudo mais bonito, mais intenso, mas ao mesmo tempo delicado e sutil. E “Os Caçadores de Sonhos” é exatamente isso.

A edição que eu li (comprei na FNAC) é em português e em formato de prosa, com o texto dividindo espaço com ilustrações (lindas). É uma adaptação da história que foi publicada há alguns anos em forma de quadrinhos mesmo.

Nela, Gaiman reconta uma lenda antiga japonesa, mas claramente adaptando tudo ao universo de Sandman, onde sonhos não são “só” sonhos. Um monge e uma raposa se envolvem, mas precisam enfrentar os sonhos e a morte e, no final, aprendem lições. E não sabemos claramente que lições são essas, só que elas estão lá, podem ter certeza. Cada um tira as suas, da mesma forma que cada um enxerga o Sonho de uma maneira própria...

Nós, leitores, também tiramos lições. São as que a gente aprende todo dia ouvindo histórias, lendas, mitos. Lições que sempre estiveram por aí, mas nem todo mundo presta atenção.

É uma história linda, recomendo muito! Li em uma manhã, numa “sentada” só!


A edição é capa dura, papel de qualidade e precinho muito amigável (vinte e poucos reais)! Nunca li a versão em quadrinhos, mas ouvi falar que essa versão em prosa dá um show e está muito melhor! Também dá um ótimo presente – pra quem ainda faltou algum :P

Nome: Sandman - Os Caçadores de Sonhos
Autor: Neil Gaiman
Ilustrações: Yoshitaka Amano
Páginas: 132
Editora: Panini (no Brasil)
Nota no Skoob: 5/5

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