domingo, 22 de fevereiro de 2015

Labirinto


Há tempos que estou com vontade de ler um daqueles livros que a gente não consegue largar, de tão bom. Se for uma saga de vários volumes então, melhor ainda!

Nisso, vasculhando meu Kobo (que tem diversos livros que não sei de onde vieram: recebi alguns epubs de amigos, catei alguns gratuitos pela internet, comprei outros, então nunca sei qual surgiu como), encontrei um tal de Labirinto, de uma escritora chamada Kate Mosse. O nome era legal, a capa era legal, o release na internet era legal, e as primeiras páginas, explicando o contexto e dando um panorama histórico da época das cruzadas e o papel dos cátaros nisso era ainda mais legal. 

Sério, quando vi que o livro era sobre a guerra entre o norte e o sul do que hoje chamamos de França, com direito a cavaleiros, castelos e um bocado de referências históricas (ou seja, não necessariamente inventadas aleatoriamente) sobre isso, quase pulei de alegria. Até lembrei de uma aula de história da música há um tempo atrás, falando sobre os trovadores e tradições do norte e do sul. 

E sim, o livro me deixou morrendo de vontade de me enfiar num avião pra França agora pra conhecer Carcassonne, Toulouse e castelos. 

MAS...

Cara, desculpem falar assim, mas achei o livro péssimo. :( Uma mistura de Código Da Vinci com romance clichê água com açúcar mal escrito. Tirando todo esse contexto histórico e o fato de que a autora até pensou em um enredo bom, o resto é horrível. Pra mim, uma aula de literatura: não adianta você ter o enredo, saber de onde o personagem sai, pra onde ele vai, quem ele encontra no meio do caminho e tal se você tem personagens péssimos e mal desenvolvidos, e cada cena necessária pra levar ao seu objetivo é escrita cheia de clichês. Tem até uma hora em que a história pula DO NADA no tempo: num capítulo o intendente Pelletier tá lá ajudando seu senhor a manter Carcassonne durante um cerco, no capítulo seguinte o intendente Pelletier morre de doença do cerco, DO NADA. 

E desculpem, nem vou considerar isso um spoiler, porque não afeta a história principal.

Também tive antipatia da motivação de um outro personagem. Deve ser mais fácil falar que o cara é vilão porque ele é um religioso ferrenho cego que só quer obedecer o que ele acha que a "verdadeira" igreja quer do que ele ser um cara complexo, que discorda dos seus antagonistas, ou que teve algo no seu passado, e por aí vai, né? 

Isso e o fato de ser tudo sobre a busca do Graal fizeram virar uma cópia ruim de livro do Dan Brown (não que Código da Vinci seja perfeito, né, mas pelo menos é mais bem amarrado).

E depois que já estava no meio do livro, quase largando de lado (mas resistindo porque quis saber como seria o desfecho praquela bagunça), descobri que é uma trilogia (Trilogia Languedoc). Tenso. Vai ser igual Divergente: li o primeiro, achei ruim, não quero saber do resto. :S

Ah, talvez eu esteja exagerando. Admito a possibilidade. Mas é a decepção e a vontade de ler alguma coisa boa que me prenda, sabe? (George Martin, cadê o 6o livro, meu filho?) Não curto fazer post detonando livro, mas desde o começo me propus a usar esse blog pra dar opinião como se estivesse comentando episódio de seriado com amigos. Não é uma crítica, talvez tenha gente que leu e gostou e discorde. Infelizmente, eu não curti. :(

Se alguém souber de mais livros com temática parecida (a França medieval, cruzadas, templários, cátaros, não o graal, hein), me indica, por favor!

Nome: Labirinto
Autora: Kate Mosse
Páginas: 580
Editora: Suma de Letras
Nota no Skoob: 2/5

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Birdman


Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) [Birdman]

Quando acabei de ver esse filme, me senti tão confusa (bom, não sei se é bem essa palavra) que não sabia se tinha gostado ou não. O filme tem vários momentos que fazem a gente se perguntar "MAS HEIN?", e várias vezes faz a gente acreditar que vai numa direção, pra depois seguir em outra. Meio que dizendo que esse não é um filme clichê, o que é engraçado, porque o tema é justamente um ator/celebridade em crise, querendo desesperadamente se sentir amado e com um fundinho de arrependimento de ter largado os filmes de um super herói que o levou ao estrelato.

E o filme tira sarro de tudo: do ridículo dos super heróis, da celebridade tendo que lidar com o próprio ego ao mesmo tempo em que é absurdamente insegura, do que é "arte" e o que faz um grande ator (e não celebridade), da velhice (Riggan está o tempo todo exibindo sinais de decadência ou velhice, como se estivesse tentando se convencer de que SÓ POR ISSO ele não é mais o Birdman no cinema).

Em alguns momentos, me fez lembrar de Cisne Negro, onde a bailarina *vai ao extremo* (olha eu tentando evitar spoilers hahaha) por causa de sua arte. Só que esse filme não é isso (lembra do que eu escrevi aí em cima?). Isso seria previsível em uma discussão sobre arte. O que eu achei é: esse filme é uma metáfora. As alucinações de Riggan são mostradas como reais, e a gente só sabe que são alucinações porque elas não se encaixam no universo da história: se um super herói mexe objetos com a mente num filme de super herói, a gente acredita, mas esse é um filme sobre os bastidores de histórias de super heróis, ou seja, claro que ninguém consegue mexer objetos com a mente!

Mesmo o final não é o que parece ser. Não acredite, não leve nada aqui ao pé da letra, seria uma leitura errada. São metáforas!

Agora, já passado algum tempo desde que assisti, já tendo "digerido" melhor a história, posso dizer que gostei sim! Ele é meio "WHADAFUCK", mas que filme de super herói não é, né? Genial isso.

Não entendo nada de Oscar e cinema, mas fiquei o filme inteiro com impressão de que se entendesse ele seria um prato cheio. As cenas são ligadas, tipo um plano só, lembrando a dinâmica de uma peça teatral (o filme se passa na Broadway), a trilha sonora é 90% composta por uma bateria tocando jazz (tensa pra caramba, faz parecer que "vai dar m***"), com algum instrumental erudito em momentos chave, e por aí vai...


P.S.: Não preciso dizer o quanto foi sensacional terem escolhido um ex-Batman (Michael Keaton) pro papel, e toda a cronologia fazer sentido na vida real, né? E se eu falar que também tem o Hulk (Edward Norton) na história, a Gwen Stacy (Emma Stone) e um Homem Aranha aleatório que aparece dançando meio sem sentido em várias cenas do filme (às vezes com outros heróis por perto), além de uma menção rápida ao Iron Man no início do filme (sacou a indireta, né, senhor Robert Downey Jr?). Sim, nonsense total. hahahah  

Ah é, e tem o Zack Galifianakis magrelo e razoavelmente sério (na medida em que o filme deixa ele ser sério, né), isso foi estranho...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O Jogo da Imitação e Amantes Eternos

E hoje tem dois filmes que curti bastante!



O Jogo da Imitação (The Imitation Game)

Ontem fui ao cinema com azamiga, num daqueles momentos espontâneos :P O filme escolhido foi esse, não só por estar na lista dos indicados ao Oscar, mas por ter o Benedict Grasinha Cumberbatch.

Posso dizer que ADOREI, me indignei e me surpreendi. Não preciso dizer que o Cumberbatch tá fantástico, porque nunca vi nada feito por ele em que ele não esteja fantástico (saudades, Sherlock!). Curti o formato do filme, que faz referência à máquina que os nazistas utilizavam para criptografar mensagens: o filme tem cenas de várias épocas diferentes misturadas, e só no final você consegue juntar e entender o que levou ao quê, quem era Alan Turing e o que fez ele ser quem é. Antes disso a gente até se deixa levar pela temática da 2a Guerra, pela corrida contra o tempo pra vencer a guerra, e por aí vai. 

Mas o "enigma" revela outra coisa: essa história não é sobre a guerra, é sobre Alan Turing, computadores e homossexualidade. É sobre como esconder a importância desse matemático também fez com que outras coisas fossem empurradas pra debaixo do tapete: milhares de gays sendo presos e/ou condenados a "tratamentos" de castração química porque ser gay era ilegal, como a guerra foi vencida pela estatística (e foi irônico ver o Tywin Lannister - pq eu nunca vou conseguir chamar ele por outro nome - dizendo com orgulho que "guerras se vencem com hierarquias, organização e obediência CAHAM), e como nem se desconfiava, mas a discussão sobre inteligência artificial já estava a todo vapor, já que foi uma máquina e a forma de pensar dela que ajudou a quebrar a Enigma, outra máquina que ajudava os nazistas até então. 

Enfim, a lição que ficou é: tem muito mais coisa do que as pessoas imaginam por baixo dos panos, e muita gente genial acaba sofrendo por causa e como consequência disso. 

Não vi ainda muitos outros filmes do Oscar (mas pretendo me atualizar esse fim de semana), não sei se merece os prêmios mais do que eles. Mas o Cumberbatch... Tá fantástico, já falei?



Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive)

Esse é um filme de vampiros, sobre vampiros. Mas não se engane: ser sobre vampiros também faz com que seja sobre a humanidade. Esses vampiros aqui são diferentes. Nada daquela coisa poser, gótica, cheia de couro, roupa de vinil e maquiagem pesada. Esses são mais sutis. Mais elegantes. Até na forma como tomam sangue: servido em uma pequena taça de licor, com todo o requinte. Eles não atacam pessoas a não ser que não tenham escolha, porque isso traria muito trabalho em questões burocráticas. 

Esses vampiros também tem outras coisas muito mais interessantes. Viveram milênios acompanhando diversas mudanças históricas, guerras, transformações, revoluções. E isso teve efeitos diversos: enquanto Eve (Tilda Swinton) é uma vampira bem humorada, que ama a vida, seus livros, seus amados e o mundo, Adam (Tom Hiddleston) é um músico depressivo, com tendências suicidas e que põe a culpa pela sua infelicidade nos "zumbis" (ou seja, nós, humanos). 

E achei super legal ver que eles parecem muito mais ligados à Terra/terra: reconhecem plantas pelo nome científico, sabem a idade das coisas só pelo toque (como descobrir a fabricação de um instrumento super antigo só de encostar na madeira), sentem uma emoção extremamente profunda (mas sem exageros) com um poema ou uma música... Discutem sobre ciência e cientistas, além da forma como a humanidade lida com estes, e mostram que entendem do assunto (Adam fez a instalação elétrica da própria casa sozinho). E participaram da história muito mais do que os "zumbis" imaginam: Shakespeare só 'existiu' com a ajuda de Marlowe, que é um vampiro. Schubert deve sua inspiração aos toques (e composições) de Adam, assim como Goethe, Shelley, e diversas personalidades...


domingo, 15 de fevereiro de 2015

Histórias Cruzadas



Gente, por que eu nunca vi esse filme antes? Fantástico!

Posso dizer que achei a tradução em português extremamente apropriada. Se o título original não fosse referência direta a um livro dentro da história (além de ser o título do livro que inspirou o filme, né), poderia dizer que 'histórias cruzadas' faz ainda mais sentido. O filme fala lida e fala sobre histórias. Mesmo que em primeiro plano estejam as histórias das maids negras no Mississipi dos anos 1960, posso dizer que temos bem mais, temos histórias sobre todo mundo. Sobre o inferno que era a vida de pessoas negras naquele contexto (não que hoje seja uma maravilha, né), sobre brancos mesquinhos que dão vontade de entrar na tela e estapear, sobre alguns outros brancos que se mostram bem abertos e receptivos, apenas não tão conscientes da verdadeira situação de seus empregados negros - e aqui achei super interessante que as duas personagens que entram nessa descrição o fazem talvez por um pouco de ingenuidade, que é o que as mantêm abertas a outros pontos de vista.

Mas mesmo toda a disponibilidade e abertura que Skeeter (Emma Stone) e Celia  (Jessica Chastain - ADOREI) têm não são suficientes pra que elas tenham a verdadeira noção do que é a vida  de suas "ajudantes" (o título "The Help" tem a ver com o termo usado pra se referir às empregadas, como se elas estivessem lá pra ajudar, sempre bem dispostas, sem poder esperar uma boa remuneração e direitos devidos por seus serviços). Nós, expectadores, temos uma pequena noção graças à ViolaDavis e Octavia Spencer (nuh!). Confesso, diversas vezes durante o filme tive vontade de chorar, já desde o comecinho. Mas sei que nem ia chegar perto do choro das personagens do tipo no mundo real.

Se é uma das coisas que esse filme ajuda a entender - principalmente durante a cena final, em que Aibileen (Viola) encara Hilly (Bryce Dallas), a "vilã", enquanto esta não consegue disfarçar o quanto suas feridas estão expostas - é que força e grandeza são coisas que estão dentro das pessoas, e muitas vezes não estão em quem se orgulha e conta vantagem disso. Me fez pensar naquele outro sentido da palavra "raça": tem que ter muito disso pra resistir, sobreviver e seguir em frente em um mundo duro e injusto. E no filme isso fica mais evidente quando se contrasta as relações entre as empregadas negras, e as de suas patroas brancas: as primeiras intensas, como pessoas se unindo pra resistir juntas, e as segundas quase quebrando, engolindo ameaças e se anulando por medo de desagradar exigências sociais.


Mas o que mais curti nesse filme foi que ele ensinou isso com um clima mais "pra cima" do que dramas trágicos feitos pra ganhar Oscar (o que, aliás, me fez pensar em outro aspecto: esse é um filme bem feminino, e não falo apenas por conta da maioria de personagens mulheres). A intenção aqui não é virar novela, com exibicionismo de tragédia, pelo contrário. É ressaltar a força mesmo. Um filme de cabeça erguida.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Destino de Júpiter




Eu ADORO space operas (sue me! :P ). Tava esperando pra ver esse filme há mais de um ano, de tanto que empolguei com o visual das fotos e teaser que foram divulgados aos poucos, anunciando a estreia. E gente, ainda não sei se posso bater um martelo dizendo que o filme é bom ou ruim, mas eu adorei! E já que empolgo tanto com o estilo, hoje exagerei e vou falar demais (mas sem spoilers!):

O negócio é: como outros filmes dos irmãos Wachowski, tem pontos fortes e fracos. E esses pontos também seguem o mesmo padrão de outros filmes deles (que eu vi): roteiro com buracos, corrido em algumas partes, mas um universo maravilhosamente rico, cheio de possibilidades.

Acho, inclusive, que o universo do filme deveria ser mais aproveitado e que permite diversas sequências e spin offs. O filme me pareceu um pouco corrido , e talvez ficasse melhor se fosse dividido, mas aproveitei mesmo assim. Foi muito rápido pra Jupiter Jones (Mila Kunis) descobrir, se espantar e aceitar tudo naturalmente, sabe? Acho que faltou uma fase de negação, de “não é possível que isso seja de verdade”.

Depois dessa parte, a história “sai da Terra”, apresentando outros planetas, outros personagens e explicando o contexto de tudo que está acontecendo. E é aí que vira um terreno fértil pra milhares de outras histórias. Há um UNIVERSO inteiro por aí (sim, essa é a palavra que melhor descreve), e a humanidade é maior do que imagina.

Só que muito provavelmente, todo esse universo cheio de possibilidades não vai ser explorado. A história foi um pouco bagunçada, algumas coisas ficaram sem respostas, e por aí vai.

Mas falemos do que pode ser aproveitado:

Filosofando...

Como em Matrix, rola uma discussão política e filosófica aqui, mesmo que ela esteja um pouco escondida por trás das cenas de ação.

Basicamente, em O Destino de Júpiter, a Terra é uma fazenda, e os terráqueos são o gado. Existem interesses puramente comerciais por trás de toda a disputa da história, existe uma pirâmide social claramente injusta e abusiva, e briga de nobres onde todos que estão em ‘cargos inferiores’ pagam o pato.

A burocracia existe em todos os cantos do universo. E como sempre, uma coisa chata, que dá mais trabalho do que deveria, que irrita, que tem cara de má vontade, que não anda. E o filme ainda mostra isso em cenas cômicas, bem no estilo “rir pra não chorar”.

Existem diversos tipos de exploradores (nos vários sentidos da palavra), e cada um tem sua motivação. Existem diversas consequências - ou não -, também. Muita gente pode ser punida sem merecer, e muita gente pode escapar ileso por causa de um sobrenome. 

E mais um monte de outras coisas que podem quase passar despercebidas, mas que estão lá:

Visual

Gente, visualmente eu achei o filme LINDO. É tudo extremamente colorido, mas sem o exagero de um Speed Racer. Muito fundo azul (do céu), muito dourado (da realeza, mas também dos planetas). E é legal ver o contraste dos cenários: a Terra é exatamente o que já conhecemos, com prédios de concreto, casas, ruas e por aí vai. Um outro planeta é verde, com construções que parecem saídas de um conto de fadas. Uma nave espacial parece um castelo dourado cheio de detalhes requintados. Uma outra construção, escondida em júpiter é dourada e rica, mas lembra também fábricas e refinarias. E por aí vai. (aliás, as naves são fantásticas! não sei se seriam funcionais, mas bonitas elas são hehehe)

Mas o mais legal foi a burocracia: ela é steampunk, gente! Hahahaha Perfeito: mesmo com toda a tecnologia de uma civilização avançadíssima, ela é emperrada, uma máquina sem óleo, enferrujada, que quase não funciona. Genial.

Resumindo:
  1. Eu realmente queria ver o filme de novo, pra prestar mais atenção nesses detalhes escondidos, nos símbolos por trás da história. Eles contam mais do que o enredo em si. 
  2. Obviamente invejei Jupiter Jones, porque eu também queria um Channing Tatum patinando no ar me resgatando hahaha 
  3. A história mesmo é quase um conto de fadas sobre como Jupiter tem uma vida extremamente sem graça lavando privadas, mas que é interrompida por um monte de percalços, que transformam tudo completamente, terminando em realeza e romance.
  4. O final dá muito “pano pra manga”: a Terra, como é dito, inesperadamente ganha a possibilidade de um futuro imprevisível, sendo dona de si mesma. O que pode ser promissor ou não. O destino dirá :P
  5. O elenco tem, além da Mila Kunis e do Channing Tatum, Sean Bean, Eddie Redmayne (esse cara tá com tudo, hein?) e mais um monte de gente legal. Curti!
  6. Não assisti muitas coisas da Mila Kunis, mas curti a cara e o jeito dela de moça normal e espontânea, de gente como a gente. Ajuda a gente a acreditar mais na personagem!
  7. Eu ia achar muito legal ver mais coisas sobre esse universo criado pelos Wachowski. Acho que precisa ser mais explorado!
  8. Edit - outra coisa legal é que deram um jeito de tudo isso parecer totalmente "possível": a civilização e as regras "lá de fora" não negam o mundo que conhecemos, nosso dia a dia e por aí vai. Juntando isso com o que falei aí da Mila Kunis, dá perfeitamente pra imaginar  que poderia estar acontecendo com alguma mocinha em algum lugar do mundo... (entrem na brincadeira, gente! hahaha)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Filmes de férias - parte 3


A Dama na Água (Lady in the Water)

Levei anos pra ver esse filme porque lembro que todo mundo criticou quando estreou. Só que recentemente minha curiosidade falou mais alto.
Sério, a história desse filme é LINDA. Prato cheio pra fantasia bem feita. Só que foi extremamente mal feito, mal usado, e em alguns momentos bem ridículo, e isso estragou o filme e a forma com que ele foi visto. A impressão que me deu é que o Shyamalan queria brincar com alguns "efeitos" (ou defeitos) cinematográficos e usou o filme pra isso, sem pensar se era a história adequada. Fiquei extremamente incomodada com o tom de chacota, de besteirol e até de filme trash que ele usou durante o filme inteiro, além de tudo ter sido conduzido de formas hiper previsíveis, mesmo as que pareciam não ser (tipo um personagem narrando o que ele achava que aconteceria com ele). Decepcionei, queria ver a temática da ninfa da água e seu resgate mais bem aproveitada!



Um Sonho Possível (The Blind Side)

Enquanto tava todo mundo concentrado no Superbowl, lá fui eu resolver ver filme. Juro que foi pura coincidência escolher um sobre futebol americano hahahaha
Achei muito bom! Daqueles filmes bonitinhos emocionantes que restauram a fé na humanidade. Em vários sentidos: um garoto que cresceu nas piores condições possíveis conseguiu "milagrosamente" uma chance de ter uma vida melhor, uma madame perua republicana aprendeu que existem mais coisas na vida do que ela imaginava, e por aí vai. E bom, pra vocês que não viram o filme (devem ser poucos, né) e gostam de futebol americano: o tal garoto é Michael Oher, jogador gigantesco que antes era do Ravens, agora não sei onde tá (e eu só sei que o Ravens existe porque já vi amiga citando o nome haahahah).
Enfim, um filme muito legal e bem humorado, indico pra quem tá num dia ruim (ou não!)



Um Dia (One Day)

Tenho preguiça desse tipo de história, mas resolvi ver por curiosidade, de tanto ver o livro por aí ou ouvir gente comentando. No começo, fiquei com a impressão de que o filme era sobre pessoas com problema de confiança em áreas diferentes, mas fazendo com que elas mesmas se boicotem e nem tentem correr atrás das coisas. Eu já tava meio que tomando o filme como possível inspiração pra quando eu ficar desanimada ou com preguiça de botar a mão na massa, mas aí veio uma cena repentina, que eu não esperava (não li nada sobre o filme antes), mas que no final acabou parecendo bem clichê de filme romântico água com açúcar. E foi exatamente o que o filme virou pra mim: romantismo água com açúcar altamente preguiçante. Anne Hathaway é ótima, mas PRA MIM não deu...

Também andei assistindo The Grand Budapest Hotel (viajado, sem noção e muito divertido haha), The Place Beyond the Pines (não assistam se não quiserem perder a fé na humanidade), Os Pinguins de Madagascar (nem chega aos pés do Madagascar original, mas enfim)...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Psicanálise dos Contos de Fadas


Quase um mês lendo o mesmo livro: pesadinho, muita informação pra processar (e quanta informação eu processei, viu!)

A leitura da vez foi A Psicanálise dos Contos de Fadas, de Bruno Bettelheim. É óbvio que fui atraída pela parte dos "contos de fadas" e pela ilustração do lobo com a chapeuzinho vermelho na capa, vocês me conhecem :P

Preciso dizer que cada vez que alguém acusar contos de fadas de inútil ou bobeira, que cada vez que falarem "vou criar meus filhos com realismo e respondendo tudo como a realidade é", eu vou mandar ler o livro. Só pra ter um gostinho: vocês não fazem ideia do trauma que é pra uma criança ouvir uma explicação realista sobre algumas coisas, ainda mais porque ela não desenvolveu ainda o pensamento abstrato e ainda está lidando com algumas angústias internas que nós, adultos, já não temos faz tempo. Ou seja, não traumatizem as crianças! hahaha

O interessante do livro foi não só explicar que os contos de fadas ajudam as crianças a processar e elaborar conflitos internos que são normais da idade (mas que se não tiverem estímulo podem virar traumas e outros problemas do tipo) como também exemplificar COMO alguns contos de fada fazem isso e com QUAIS conflitos internos. 

Aliás, curti uma coisa que eu meio que já sabia (tenho birra): Perrault estragou todos os contos em que ele pôs a mão, pelo menos no sentido relacionado à proposta do livro. Transformou todos em lições moralistas e superficiais pra agradar a corte (que era o público dele) e "educar" mocinhas. Aí a Disney foi lá, usou a versão dele pra maioria de seus filmes, e isso, de certa forma, fez com que mais pessoas tomassem antipatia pelos contos e parassem de incentivar o contato de seus filhos com eles.

Também foi interessante conhecer outras versões e abordagens de personagens mais que conhecidos.

Sério, eu não gostava da Branca de Neve, porque pra mim ela era aquela mocinha besta e medrosa que não faz nada no filme da Disney hahahaha Mas conhecendo outras versões, algumas mais "originais", passei a curtir bastante a história! - devo ressaltar que 'original' é um termo difícil para contos de fadas, já que eles existem desde a antiguidade, sendo contados através dos séculos e sofrendo alterações pra se adequar ao povo que os mantêm. 

Inclusive, ser recontado ao longo dos anos, sempre oralmente - essa parte é importante, ser oral tem mais efeito do que escrito! - é o que fez com que os contos ganhassem um papel importantíssimo no sentido psicanalítico do livro, porque eles puderam se adequar, acrescentando ou retirando detalhes conforme fosse necessário. E acreditem, há um motivo pra cada objeto na história, pra cada explicação ausente, pra cada sacanagem, cada animal ou ambiente, e por aí vai. Cada coisinha tem seu significado, assim como a forma como é apresentada na história.

E o mais importante, seja pra história em si, seja pra elaboração dos sentimentos e angústia das crianças: um final feliz, uma recompensa para os desafios vencidos, e uma punição - violenta, sim - para quem quebrou a ordem natural das coisas. 

Bom, claro que aqui eu comentei algumas coisas que me chamaram mais atenção (eu poderia comentar o dia inteiro, mas o post ia ficar insuportável, né), e acabou ficando muita coisa de fora. Leiam e tirem conclusões próprias, seja pra contestar ou reafirmar! Uma coisa que achei muito legal também foi pensar em mim mesma criança, como eu lidei com algumas questões mencionadas no livro e como alguns contos que eu já conhecia me ajudaram, ou outros que eu não conhecia poderiam ter ajudado. Recomendo a leitura!

Nome: A Psicanálise dos Contos de Fadas
Autor: Bruno Bettelheim
Editora: Paz e Terra
Páginas: 440
Nota no Skoob: 4/5

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Contos de Fadas


Na onda da leitura escolhida para o mês de janeiro, acabei decidindo ler outro livro: a coletânea Contos de Fadas, da editora Zahar.

Como ia ler um livro explicando contos de acordo com a psicanálise (motivo de eu ficar tanto tempo sem postar - comentário já já!), achei muito útil preparar essa leitura conhecendo os contos como eram contados antigamente, e não só de acordo com a versão da Disney. E gostei de essa coletânea ainda mostrar versões diferentes do mesmo conto, como a "Chapeuzinho Vermelho" de Perrault e a dos irmãos Grimm.

Vamos às impressões:
(eu poderia dizer 'spoilers!', mas acho que não existem mais spoilers quando se fala de contos de fadas)

- Sabe todo esse papo de contos de fadas serem machistas, bobos, etc e tal? É culpa do Perrault. hahahaha Não por ele ter sido assim intencionalmente, mas porque era parte da sociedade onde ele estava inserido, e ele ter sido um escritor da corte. Tudo que ele fez foi para agradar a nobreza e dar lições de moral. Inclusive cortar detalhes importantes. Fica de registro histórico, mas podem ignorar se quiserem um conto simplesmente pra curtir.

- Branca de Neve é uma chata que sempre me irritou na Disney, a única versão que eu conhecia até agora. Começou a me irritar também em Once Upon a Time, mas enfim. Na versão original, ela é uma adolescente normal, até simpática, e o melhor é que ela também tem defeitos, o que a deixa bem mais humana e interessante. Vocês sabiam que a Rainha Má faz 3 tentativas pra pegá-la e ela cai nas 2 primeiras por pura vaidade (sempre salva pelos anões)? E ela não acorda com beijo de príncipe, só pra constar. Agora sim! :)

- A Bela Adormecida dorme por 100 anos. Fazer ela dormir por uns minutinhos só pra fazer sentido ela já ter conhecido o príncipe antes quebra todo o sentido da história, viu, Disney? *aqui eu já to influenciada pelo livro da psicanálise hahaha*

- Como já dito, a Chapeuzinho Vermelho do Perrault é péssima, até porque a história acaba quando o lobo a come. Assim, do nada, subitamente. Fiquei indignada! hahaha Peguem a versão dos irmãos Grimm, muito melhor!

- "A Bela e a Fera" é o conto mais legal de todos, fim. Até na versão moralista do século XVIII. :D

- Hans Christian Andersen fez histórias muito bonitinhas, mas não são contos de fadas no sentido tradicional. São histórias bonitinhas. :P

- "A Pequena Sereia" é um conto LINDO. Sério, vocês podem curtir o filme da Disney, mas ele não chega aos pés do conto original hehehe

- Gente, não tenho nada contra a Disney. Ela fez A Bela e a Fera, O Rei Leão, Pocahontas e Frozen, e eu sempre serei grata por isso hahahaha Mas as versões do estúdio são tão simplórias perto de algumas das versões originais...

Entre outras coisas.


Fiquei ainda mais curiosa com versões antigas de alguns contos, e muito afim de ter uma coletânea dos Irmãos Grimm! (desde que com as 1as versões que eles compilaram, já que eles também editaram vários contos pra adaptar ao que eles consideravam "infantil")

Outra coisa que curti é que o livro contém várias ilustrações dos contos, todas tradicionais e famosas, de autores como Arthur Rackham, George Cruikshank, Gustave Doré, entre outros. 

É uma coletânea bem básica, boa pra quem quiser só conhecer os contos de uma forma mais leve. A edição tem capa dura e é ótima pra enfeitar a estante :D

Lista dos contos que estão no livro: "Cinderela ou O sapatinho de vidro", "Pele de Asno", "O Gato de Botas ou O Mestre Gato", "O Pequeno Polegar", "Chapeuzinho Vermelho" (2 versões), "Barba Azul", "A Bela e a Fera", "A Bela Adormecida", "Branca de Neve", "Rapunzel", "João e Maria", "A roupa nova do imperador", "O Patinho Feio", "A pequena vendedora de fósforos", "A Pequena Sereia", "A princesa e a ervilha", "João e o pé de feijão", "A história dos três porquinhos" e "A história dos três ursos".

A apresentação do livro é de autoria da Ana Maria Machado e o livro tem as fontes dos contos no final.

Nome: Contos de Fadas
Autores: diversos
Editora: Zahar
Páginas: 288
Nota no Skoob: 3/5