terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Psicanálise dos Contos de Fadas


Quase um mês lendo o mesmo livro: pesadinho, muita informação pra processar (e quanta informação eu processei, viu!)

A leitura da vez foi A Psicanálise dos Contos de Fadas, de Bruno Bettelheim. É óbvio que fui atraída pela parte dos "contos de fadas" e pela ilustração do lobo com a chapeuzinho vermelho na capa, vocês me conhecem :P

Preciso dizer que cada vez que alguém acusar contos de fadas de inútil ou bobeira, que cada vez que falarem "vou criar meus filhos com realismo e respondendo tudo como a realidade é", eu vou mandar ler o livro. Só pra ter um gostinho: vocês não fazem ideia do trauma que é pra uma criança ouvir uma explicação realista sobre algumas coisas, ainda mais porque ela não desenvolveu ainda o pensamento abstrato e ainda está lidando com algumas angústias internas que nós, adultos, já não temos faz tempo. Ou seja, não traumatizem as crianças! hahaha

O interessante do livro foi não só explicar que os contos de fadas ajudam as crianças a processar e elaborar conflitos internos que são normais da idade (mas que se não tiverem estímulo podem virar traumas e outros problemas do tipo) como também exemplificar COMO alguns contos de fada fazem isso e com QUAIS conflitos internos. 

Aliás, curti uma coisa que eu meio que já sabia (tenho birra): Perrault estragou todos os contos em que ele pôs a mão, pelo menos no sentido relacionado à proposta do livro. Transformou todos em lições moralistas e superficiais pra agradar a corte (que era o público dele) e "educar" mocinhas. Aí a Disney foi lá, usou a versão dele pra maioria de seus filmes, e isso, de certa forma, fez com que mais pessoas tomassem antipatia pelos contos e parassem de incentivar o contato de seus filhos com eles.

Também foi interessante conhecer outras versões e abordagens de personagens mais que conhecidos.

Sério, eu não gostava da Branca de Neve, porque pra mim ela era aquela mocinha besta e medrosa que não faz nada no filme da Disney hahahaha Mas conhecendo outras versões, algumas mais "originais", passei a curtir bastante a história! - devo ressaltar que 'original' é um termo difícil para contos de fadas, já que eles existem desde a antiguidade, sendo contados através dos séculos e sofrendo alterações pra se adequar ao povo que os mantêm. 

Inclusive, ser recontado ao longo dos anos, sempre oralmente - essa parte é importante, ser oral tem mais efeito do que escrito! - é o que fez com que os contos ganhassem um papel importantíssimo no sentido psicanalítico do livro, porque eles puderam se adequar, acrescentando ou retirando detalhes conforme fosse necessário. E acreditem, há um motivo pra cada objeto na história, pra cada explicação ausente, pra cada sacanagem, cada animal ou ambiente, e por aí vai. Cada coisinha tem seu significado, assim como a forma como é apresentada na história.

E o mais importante, seja pra história em si, seja pra elaboração dos sentimentos e angústia das crianças: um final feliz, uma recompensa para os desafios vencidos, e uma punição - violenta, sim - para quem quebrou a ordem natural das coisas. 

Bom, claro que aqui eu comentei algumas coisas que me chamaram mais atenção (eu poderia comentar o dia inteiro, mas o post ia ficar insuportável, né), e acabou ficando muita coisa de fora. Leiam e tirem conclusões próprias, seja pra contestar ou reafirmar! Uma coisa que achei muito legal também foi pensar em mim mesma criança, como eu lidei com algumas questões mencionadas no livro e como alguns contos que eu já conhecia me ajudaram, ou outros que eu não conhecia poderiam ter ajudado. Recomendo a leitura!

Nome: A Psicanálise dos Contos de Fadas
Autor: Bruno Bettelheim
Editora: Paz e Terra
Páginas: 440
Nota no Skoob: 4/5

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