domingo, 15 de fevereiro de 2015

Histórias Cruzadas



Gente, por que eu nunca vi esse filme antes? Fantástico!

Posso dizer que achei a tradução em português extremamente apropriada. Se o título original não fosse referência direta a um livro dentro da história (além de ser o título do livro que inspirou o filme, né), poderia dizer que 'histórias cruzadas' faz ainda mais sentido. O filme fala lida e fala sobre histórias. Mesmo que em primeiro plano estejam as histórias das maids negras no Mississipi dos anos 1960, posso dizer que temos bem mais, temos histórias sobre todo mundo. Sobre o inferno que era a vida de pessoas negras naquele contexto (não que hoje seja uma maravilha, né), sobre brancos mesquinhos que dão vontade de entrar na tela e estapear, sobre alguns outros brancos que se mostram bem abertos e receptivos, apenas não tão conscientes da verdadeira situação de seus empregados negros - e aqui achei super interessante que as duas personagens que entram nessa descrição o fazem talvez por um pouco de ingenuidade, que é o que as mantêm abertas a outros pontos de vista.

Mas mesmo toda a disponibilidade e abertura que Skeeter (Emma Stone) e Celia  (Jessica Chastain - ADOREI) têm não são suficientes pra que elas tenham a verdadeira noção do que é a vida  de suas "ajudantes" (o título "The Help" tem a ver com o termo usado pra se referir às empregadas, como se elas estivessem lá pra ajudar, sempre bem dispostas, sem poder esperar uma boa remuneração e direitos devidos por seus serviços). Nós, expectadores, temos uma pequena noção graças à ViolaDavis e Octavia Spencer (nuh!). Confesso, diversas vezes durante o filme tive vontade de chorar, já desde o comecinho. Mas sei que nem ia chegar perto do choro das personagens do tipo no mundo real.

Se é uma das coisas que esse filme ajuda a entender - principalmente durante a cena final, em que Aibileen (Viola) encara Hilly (Bryce Dallas), a "vilã", enquanto esta não consegue disfarçar o quanto suas feridas estão expostas - é que força e grandeza são coisas que estão dentro das pessoas, e muitas vezes não estão em quem se orgulha e conta vantagem disso. Me fez pensar naquele outro sentido da palavra "raça": tem que ter muito disso pra resistir, sobreviver e seguir em frente em um mundo duro e injusto. E no filme isso fica mais evidente quando se contrasta as relações entre as empregadas negras, e as de suas patroas brancas: as primeiras intensas, como pessoas se unindo pra resistir juntas, e as segundas quase quebrando, engolindo ameaças e se anulando por medo de desagradar exigências sociais.


Mas o que mais curti nesse filme foi que ele ensinou isso com um clima mais "pra cima" do que dramas trágicos feitos pra ganhar Oscar (o que, aliás, me fez pensar em outro aspecto: esse é um filme bem feminino, e não falo apenas por conta da maioria de personagens mulheres). A intenção aqui não é virar novela, com exibicionismo de tragédia, pelo contrário. É ressaltar a força mesmo. Um filme de cabeça erguida.

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