quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O Jogo da Imitação e Amantes Eternos

E hoje tem dois filmes que curti bastante!



O Jogo da Imitação (The Imitation Game)

Ontem fui ao cinema com azamiga, num daqueles momentos espontâneos :P O filme escolhido foi esse, não só por estar na lista dos indicados ao Oscar, mas por ter o Benedict Grasinha Cumberbatch.

Posso dizer que ADOREI, me indignei e me surpreendi. Não preciso dizer que o Cumberbatch tá fantástico, porque nunca vi nada feito por ele em que ele não esteja fantástico (saudades, Sherlock!). Curti o formato do filme, que faz referência à máquina que os nazistas utilizavam para criptografar mensagens: o filme tem cenas de várias épocas diferentes misturadas, e só no final você consegue juntar e entender o que levou ao quê, quem era Alan Turing e o que fez ele ser quem é. Antes disso a gente até se deixa levar pela temática da 2a Guerra, pela corrida contra o tempo pra vencer a guerra, e por aí vai. 

Mas o "enigma" revela outra coisa: essa história não é sobre a guerra, é sobre Alan Turing, computadores e homossexualidade. É sobre como esconder a importância desse matemático também fez com que outras coisas fossem empurradas pra debaixo do tapete: milhares de gays sendo presos e/ou condenados a "tratamentos" de castração química porque ser gay era ilegal, como a guerra foi vencida pela estatística (e foi irônico ver o Tywin Lannister - pq eu nunca vou conseguir chamar ele por outro nome - dizendo com orgulho que "guerras se vencem com hierarquias, organização e obediência CAHAM), e como nem se desconfiava, mas a discussão sobre inteligência artificial já estava a todo vapor, já que foi uma máquina e a forma de pensar dela que ajudou a quebrar a Enigma, outra máquina que ajudava os nazistas até então. 

Enfim, a lição que ficou é: tem muito mais coisa do que as pessoas imaginam por baixo dos panos, e muita gente genial acaba sofrendo por causa e como consequência disso. 

Não vi ainda muitos outros filmes do Oscar (mas pretendo me atualizar esse fim de semana), não sei se merece os prêmios mais do que eles. Mas o Cumberbatch... Tá fantástico, já falei?



Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive)

Esse é um filme de vampiros, sobre vampiros. Mas não se engane: ser sobre vampiros também faz com que seja sobre a humanidade. Esses vampiros aqui são diferentes. Nada daquela coisa poser, gótica, cheia de couro, roupa de vinil e maquiagem pesada. Esses são mais sutis. Mais elegantes. Até na forma como tomam sangue: servido em uma pequena taça de licor, com todo o requinte. Eles não atacam pessoas a não ser que não tenham escolha, porque isso traria muito trabalho em questões burocráticas. 

Esses vampiros também tem outras coisas muito mais interessantes. Viveram milênios acompanhando diversas mudanças históricas, guerras, transformações, revoluções. E isso teve efeitos diversos: enquanto Eve (Tilda Swinton) é uma vampira bem humorada, que ama a vida, seus livros, seus amados e o mundo, Adam (Tom Hiddleston) é um músico depressivo, com tendências suicidas e que põe a culpa pela sua infelicidade nos "zumbis" (ou seja, nós, humanos). 

E achei super legal ver que eles parecem muito mais ligados à Terra/terra: reconhecem plantas pelo nome científico, sabem a idade das coisas só pelo toque (como descobrir a fabricação de um instrumento super antigo só de encostar na madeira), sentem uma emoção extremamente profunda (mas sem exageros) com um poema ou uma música... Discutem sobre ciência e cientistas, além da forma como a humanidade lida com estes, e mostram que entendem do assunto (Adam fez a instalação elétrica da própria casa sozinho). E participaram da história muito mais do que os "zumbis" imaginam: Shakespeare só 'existiu' com a ajuda de Marlowe, que é um vampiro. Schubert deve sua inspiração aos toques (e composições) de Adam, assim como Goethe, Shelley, e diversas personalidades...


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