domingo, 31 de maio de 2015

Os Pilares da Terra


Quando peguei pela primeira vez o paperback de The Pillars of the Earth, levei um sustinho com o tamanho: 991 páginas com letrinhas miúdas. Mas a sinopse era interessante, eu tava com vontade de ler algo no estilo... E li.

Já nas primeiras páginas a impressão é a de que eu tava lendo um livro enorme, só que não no sentido material: era como se fosse um livro sobre a história do mundo, grande, longa, muito, muito profunda. Engraçado que agora que falei isso me lembrei que em um trecho da história um monge tenta escrever um livro contendo a história do mundo hehehe

É tudo muito bem detalhado, muito bem descrito. Tanto que, assim que a gente “engata” a leitura, é como se acionasse um holograma que projetasse o mundo daquela história ao nosso redor. Eu parava de ler – a vida continua e a gente tem que cumprir compromissos, né? – e já me sentia mal, queria “voltar pra Kingsbridge”. A vida tava estressante? Me deixa ir pro terreno onde estavam construindo a catedral, por favor!

A Catedral de Kingsbridge: por mais que tentem apontar algum personagem, é ela a protagonista. Tudo gira ao redor da sua construção, projeção, planejamento e afins. Mesmo que digam “mas o fulano aparece desde muito antes de sabermos que ela vai ser construída na história”, esse fulano ainda não é tão protagonista quanto ela: ele só está ali antes pra gente entender o percurso que o levou à construção. O mesmo pro que acontece depois: os personagens podem até seguir outros caminhos, mas só o fazem porque a Catedral possibilitou isso.

E tem de tudo: cavaleiros, nobres sem escrúpulos, gente da Igreja que é bonzinho, gente da Igreja que é “o capeta em pessoa” (haha perdão pelo trocadilho!), rei, rainha, descendente de rei, princesa no castelo, herdeiros de nobres que eram nobres (duplo sentido!), mocinha que se ergue depois da tragédia, mulher super forte e foda (uh, desculpe o vocabulário :P), artesãos, intelectuais, etc etc etc...

E masons.

Desculpem, não consigo simplesmente chamá-los de “pedreiros”. A palavra em português já tomou o sentido de “homem que trabalha em construção”, e hoje em dia está muito atrelada a certas características específicas que não são necessariamente as que aparecem no livro. Pelo menos pra mim, Tom Builder e seus homens (e Jack, que ‘herda’ seu lugar) são mais do que pedreiros. Eles não só projetam e constroem uma Catedral, eles fazem isso estabelecendo toda uma rede de organização, uma comunidade, regras de comportamento na sociedade e por aí vai. (desculpem, não estou desmerecendo os pedreiros, só tentando dizer que no livro a palavra tem um significado que vai além da profissão hehehe)

É, bem maçonaria feelings. Aliás, vocês sabem que a maçonaria veio desse pessoal e da forma como estruturavam seu trabalho e suas equipes, né? E tudo isso é descrito com tantos detalhes, e de um jeito tão interessante! Tinha a equipe dos masons, dos carpinteiros, dos escultores... Cada um com suas lodges (ou lojas :P).

(só deixando claro que se pra vc “maçonaria” é coisa do demônio que nem ensinam em alguns lugares aí, pare de ler isso aqui, por favor)

Tive a impressão de estar lendo um livro do tamanho do mundo e que funcionava como a vida: não, nem sempre as coisas dão certo. Não, a humanidade não está se perdendo (até o autor faz uma piadinha com isso quando dois personagens tentam imaginar se um dia existirão cidades sem muralhas contra invasões e riem achando essa ideia absurda). Não, a vida não é justa. Não, as coisas não são nunca como a gente planeja. Sim, as coisas dão certo, mas de um jeito diferente do que o que a gente quer. Sim, pessoas boas cruzam nosso caminho muitas vezes, e sim, às vezes a gente nota. Nem tudo pode ser planejado, mas a gente pode planejar muita coisa. Não vai acontecer como planejado, mas pode ser que resulte em algo interessante. Um detalhe minúsculo pode ser insignificante, mas pode ter consequências absurdas. Um personagem figurante pode ser justamente quem vai te dar alguma ideia – mesmo sem querer – pra mudar sua vida.

E não, não consigo listar todas essas “liçõezinhas” que tirei do livro. Se conseguisse, eu teria quase um manual da vida hahaha


Sobre a série:

Antes de ler o livro eu já tinha ouvido falar da série, mas nunca assisti. Já no final da leitura, quando já tinha minha própria imagem na cabeça de como seriam todos os personagens, resolvi ir pro Google ver como foi a caracterização e a escalação de atores. E aí algumas coisas me chamaram atenção, mesmo sem assistir ainda:

1-    Porque tanta atenção ao Earl Bartholomew? Ele quase nem aparece! Aposto que é só porque na série é o Donald “Presidente” Sutherland :P (o cara até conseguiu aparecer no pôster, não faz sentido!)
2-   Eu sei que é bobo cobrar coisas de aparência de personagem, que adaptação não tem que seguir à risca 100% do que tá no livro (as vezes não tem nem como), mas eu acho uma extrema falta de atenção e uma péssima escolha quando qualquer adaptação pra filme ou série resolve ignorar A característica MAIS citada durante a história inteira de algum personagem. Tipo os cachos da Aliena, que estão em praticamente todas as páginas (tá, exagerei, mas vocês pegaram a ideia). Aí me bota uma moça de cabelo liso e curto. Ok, galera...
3-    Mas tudo bem, já tive meu momento nerd falando “a Aliena é a Agent Carter, caraaaa!”
4-   Tenho birra desse cara que fez o Tom Builder, não sei por quê. Já vem de vários filmes hahaha
5-   Pela primeira vez na vida, duvidei da escolha do Eddie Redmayne. Ele não tem nada a ver com o Jack da minha cabeça. Mas sei lá, não assisti a atuação, e o Eddie é o Eddie. Ele é foda :P
6-    O Richard é Finnick!!! (playboy mimado ¬¬)


Sobre o livro ter 991 páginas e não, não dá pra comparar com ler 5 livros enormes do George Martin:

Quando eu li As Crônicas de Gelo e Fogo, eu gastei poucos dias com cada volume. Ia vidrada de capítulo em capítulo, louca pra saber o que ia acontecer. Mas não, não dá pra fazer isso lendo The Pillars, ou você vai achar um saco e não entender nada. É chato ficar lendo o tanto que construir uma janela maior que o normal exige cálculos matemáticos, mas também é interessante quando você descobre que isso pode fazer uma Igreja cair... Cada detalhezinho ínfimo conta, então vale muito a pena ir com calma. E não me arrependi, porque depois de tanto tempo lendo o mesmo livro, to me sentindo órfã :S

Enfim, agora quero ir pra Inglaterra e pra França visitar catedrais medievais góticas e ficar reparando em arquitetura!


(enquanto eu escrevia esse testamento sobre o livro, meu notebook deu pau, reiniciou e só recuperou metade do texto. Pois é, tenso. Desabou, que nem uma certa Igreja... hahaha)

Nome: The Pillars of the Earth (Os Pilares da Terra)
Autor: Ken Follett
Páginas: 991
Editora: Penguin Group
Nota no Skoob: 5/5