quarta-feira, 15 de julho de 2015

Navio Dragão

Foto do meu instagram com as recompensas que eu recebi!


Ontem chegou aqui em casa dois livrinhos muuuuito legais: Navio Dragão e Carne, os dois resultantes de um projeto da Rebeca Prado no Catarse (uma plataforma de crowdfunding, esse negócio que muita gente anda discutindo por aí).

Receber o envelope de um jeito meio inesperado (porque eu esqueci que isso ia chegar hahaha) me fez pensar em algumas coisas.

A primeira é que eu adoro ficar caçando projeto pra apoiar no Catarse. Não sei se é só impressão, mas sempre acho que as coisas relacionadas à quadrinhos, livros, artes em geral estão mais concentradas lá.

A segunda é que cada projeto que eu vejo dando certo me empolga bastante, mesmo que eu nem conheço as pessoas envolvidas. Sabe, vou contar um “segredo” (não tão segredo assim haha) pra vocês: eu adoro essa área de criação e sempre tive vontade de entrar no meio dela. Sempre quis ser escritora, só pra poder tirar ideias que só ficam na minha cabeça e falar que fiz algo com elas. Só que como eu também tenho outras vontades e planos, esse lado fica um pouco abandonado ou guardado, e eu vou investindo nas “coisas de gente grande”.

Eu criei esse blog só pra poder fazer comentários sobre coisas que eu leio e nem sempre acho alguém pra comentar (não é fácil achar quem leu o mesmo livro que você como é fácil achar quem tenha visto o mesmo filme, né). Só que meu gosto sempre tende pra histórias de fantasia, ficção científica e coisas que exercitam bastante a imaginação das pessoas. E que, cada vez mais, eu vejo que são tidas pelas pessoas por aí como “coisa de criança”. Não existe um fã de quadrinhos ou literatura fantástica – só pra dar exemplo – que não tenha ouvido alguma pergunta ou comentário parecido com “que dia você vai crescer?”

Isso tudo me faz pensar que as vezes as pessoas boicotam a criatividade, a imaginação. O que pra mim é tristíssimo. Uma parte de mim ainda não desistiu de um dia botar minhas ideias de historinhas pra fora da minha cabeça e dividir com o mundo. Vai levar um tempinho só porque eu sou uma pessoa só e por enquanto to focando em treinar pra dividir outras coisas artísticas (eu sou cantora. Uma área artística só é pouco hehehe). A outra parte de mim resolveu que até lá vai apoiar e incentivar e dar a maior força possível pra quem já tá tentando dividir histórias. EU AMO HISTÓRIAS. Pra mim elas são a base de tudo.

E é por isso que eu me empolgo tanto com a seção de Quadrinhos do Catarse :P (Também fico imensamente feliz de ver que boa parte das coisas que eu pego por lá vem de BH, olha que lindeza!). Também é por isso que ano passado comecei uma jornada em busca de histórias de fantasia escritas por brasileiros. Por mais que umas não tenham me feito cair de amores, achei muito legal ver isso acontecendo, gente insistindo mesmo com dificuldades. Também é uma forma de ver diversidade, de ver um estilo que não é muito estabelecido no Brasil (pode não ser todo mundo, mas aposto que muita gente preferia ter lido uma Alice no País das Maravilhas ou um Harry Potter do que José de Alencar na quinta série) começar a ganhar espaço.

Resumindo: acompanhar e tentar apoiar como der esses projetos me ajuda a manter um pezinho firme no mundo das “coisas de criança”. Não quero nunca tirar ele de lá. :P

A terceira coisa que eu pensei é o quanto a Lif (personagem principal das tirinhas do Navio Dragão) acabou me ensinando sem querer. To tentando medir as palavras pra não parecer que to simplesmente puxando saco, mas rolou de verdade uma identificação e um aprendizado. 

A Lif é uma viking que fala o que vêm à cabeça, só que na maioria das vezes o que tem na cabeça dela não é algo que as pessoas considerariam agradável. Ela não se encaixa no protocolo, como disse a Júnia Prado no Prólogo do livro. Soa grossa, não sabe usar aquelas regrinhas básicas de convivência na sociedade, ser vista como gentil e simpática, como “toda mocinha deveria ser”. Me fez lembrar uma época em que muita gente me “apelidou carinhosamente” de hostil, porque na minha timidez e jeito travado, mantinha meio que sem querer/perceber a cara fechada, ou fazia algum comentário meio sem filtro (pois é hahaha). Nunca curti, sempre vi isso como algo que eu precisava corrigir, e acabei corrigindo bastante de uns anos pra cá, de fato. 

Mas o que a Lif me fez ver é que muito do que as pessoas fazem a gente achar que é um problema ou uma fraqueza pode ser, na verdade, a sua força, a sua marca. Achei fantástico o que a autora, a Rebeca Prado, conseguiu pegando uma série de características que (eu to chutando, hein! Não conheço a moça hahaha) provavelmente ela também tem que lidar, transformando dificuldades em uma obra super divertida, bonita (gente, eu adoro desenho e coisa colorida hahaha). Pegando uma série de coisas e transmutando tudo em algo produtivo, criativo e dividindo com o mundo. E levando ao extremo de um jeito engraçado (tipo evitar que a vila seja invadida simplesmente aparecendo no campo de visão dos invasores hahahah).

Não sei se foi sem querer ou pensado, mas também é genial que  a Lif seja justamente viking, um dos povos mais estereotipados como violentos, invasores e bárbaros na cultura ocidental (o que ninguém pode comprovar, já que eles não faziam registros e tudo o que sabemos sobre eles vêm do relato de outros povos).

Sobre a edição: adorei o livro, o formato, a qualidade de tudo. Não tem cara de “recompensa por colaboração”, mas de um produto bem pensado e feito com cuidado, que faz a gente querer continuar acompanhando o projeto mesmo depois de encerrada a campanha de colaborações. Adorei os brindes, principalmente a revista do Carne (o cachorro da Lif, gente!). E adorei a seção de colaboradores, com versões da Lif feitas por diversos ilustradores. Me desculpem todos vocês que fizeram versões fantásticas, mas a Miley Lif pendurada no machado reinou absoluta. hahahaha

Nome: Navio Dragão e Carne
Autora: Rebeca Prado
Páginas: 120
Nota no Skoob: 5/5

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