segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Cinderella, No Limite e O Regresso


Cinderella

Faz um tempão que to com o filme pra assistir mas enrolava. Confesso, tava com preconceito porque não curti muito essas adaptações recentes de filmes da Disney pra live-action. Falem o que quiser, mas achei a Malévola forçadíssima, estilo "angelina-fodona-vamos-ser-girl-power-uhuuu", e a Branca de Neve eu nem comento. A da Lily Collins até ficou "divertidinha", mas aquele outro filme (que é mais do caçador do que dela) só tem uma única coisa que não é péssima, a Charlize Theron. hahaha 
O negócio é que eu tava afim de assistir algum filme leve e que me entretesse, e a Cinderella conseguiu fazer isso e ainda me deixar com astral pra cima. É daqueles contos de fadas com mágica, beleza e inocência, com visual e efeitos lindos contribuindo pra isso. Acho que só não vemos as meninas vestidas de Cinderella dominando o mundo porque o filme deu o azar de sair na mesma época que Frozen... 
O roteiro teve algumas coisas que eu achei desnecessárias, tipo a discussão sobre o príncipe ter que se casar com uma princesa, obrigatoriamente. Acho que colocaram aquilo pra tentar dar mais veracidade pra história, já que os casamentos da realeza envolvem política no mundo real. Mas esse filme não precisava de veracidade, principalmente depois de colocar referências à diversas versões antigas da história, fugindo da obrigatoriedade de se parecer com o filme da Disney de 1950. Até a música que a personagem canta nessa versão - dilly dilly! - é mil vezes melhor que a música do rouxinol na animação antiga. Podiam trocar isso por dar mais atenção ao galho que o pai traz para a filha (que, em alguns contos, vira uma árvore que se torna a "base" da fada madrinha, os desejos e a magia da história), ou pro ensinamento da mãe, que é o que mantém Cinderella firme mesmo com os sofrimentos. Gostei também que o nome "Cinderella" teve explicação, com direito a brincar com o trocadilho da palavra "cinder" e o nome da personagem, Ella, e não foi tão jogado.
Enfim, confesso que o tanto que eu não dava atenção à Cinderella-desenho-da-Disney eu dei pra esse filme. Me fez gostar da personagem, parabéns! (e que vestido maravilhoso é esse, olha ele rodopiando na valsa, cara!)




No Limite (The Edge)

No início de janeiro, quando estava na praia, vi um trechinho rápido do filme na tv da pousada e anotei o nome pra assistir depois (eu tinha que curtir as férias, né, gente?) Por que eu quis ver? Porque ANTHONY HOPKINS, fim. 
Além da vibe anos 1990 (que eu adoro porque me lembra infância - alô Kevin!) e do ator mais legal de todos os tempos Hollywoodianos, fiquei apaixonada pela paisagem! Gente, quero ir pras montanhas do Alaska também! Sem me perder, claro. A história não era tão surpreendente, eu ia adivinhando o que estava por vir toda hora, mas acho que a intenção era outra mesmo: acompanhar a tensão entre os dois personagens e sua evolução ao longo do filme. Curti!



O Regresso (The Revenant)

Eu não vou muito com a cara do Leonardo Dicaprio (não, nem na época do Titanic), não sei porque, mas admito que ele faz uns filmes bons. Se ele vai ou não ganhar o Oscar eu não sei (e confesso que se ganhar eu vou achar que foi só por pressão da torcida), mas curti o filme! Pela sinopse eu imaginei uma perseguição mais clichê e cheia de ação, mas esqueci que o filme era do Iñarritu e que esse cara só faz filme pra concorrer ao Oscar. A fotografia é linda, as imagens da floresta, da natureza selvagem (já contextualizando a história) são maravilhosas. 
E preciso dizer que fiquei um bom tempo olhando pra cara do Tom Hardy e falando "esse cara é maluco! MA-LU-CO!", além de ter certeza que ele tá muito mais Mad Max aqui do que no filme do Mad Max (que eu curti demais, deixo claro). 
Também fiquei prestando atenção em algumas coisas que o Leandro Karnal falou no facebook, como a cena do cavalo ser freudiana, os índios não serem romantizados e a natureza ser sempre neutra, entre outras coisas, e acabei achando o filme mais interessante do que eu esperava!
Mas o ponto é todo pro Iñarritu, viu!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Rei do Inverno


No final do ano passado, ganhei um exemplar de O Rei do Inverno, de Bernard Cornwell, primeiro volume da série As Crônicas de Artur. Foi meio que a vida falando "vai, filhinha, para de falar que tem vontade e lê isso logo". Tinha uma outra leitura na frente, um festival inteiro que não me deu tempo nem de respirar (que dirá ler), mas de volta e, enfim de férias, li, em uma semana. 

Tô órfã. Preciso dos próximos volumes! O saldo bancário não me deixa fazer estripulias no momento pra comprar, então tenho que traçar estratégias. Por enquanto, to no dilema "comecei a ler em portugês, será que vou estranhar muito se arrumar um epub em inglês?" 

Veremos.

Só posso dizer que essa versão da história do famoso Rei Artur (que aqui não é exatamente "rei" e talz) é tão bem escrita e bem contada que me fez comprar como se fosse a versão real. Claro que não existe versão real da história de Artur, já que ninguém tem nenhuma informação além de discussões sem fim e polêmicas, mas de vez em quando alguém acerta o jeito de contar e consegue quase nos convencer.

Acho que o que o Cornwell fez de melhor pra conseguir conquistar o leitor nesse sentido foi não só colocar um narrador que presenciou os fatos desmentindo as lendas romantizadas (ele já tem que ficar dizendo que Lancelot não era o bravo cavaleiro das histórias, Camelot tinha outro nome, e por aí vai), mas contar os fatos "originais" com tanta precisão, oferecendo uma alternativa que parece menos fantasiosa do que as que estamos acostumadas. É muito mais legal ler sobre Artur como um cara com qualidades extraordinárias, que fazem a gente querer conhecer ele pessoalmente imediatamente, mas ainda assim, um cara real, com defeitos, do que imaginar um semideus na Terra...

Também curti a forma como mostram as religiões. Toda vez que vemos uma versão da história, o Cristianismo passa como um trator maligno varrendo tradições pacíficas idealizadas sem consideração, tipo novela mexicana. Sabemos que o Cristianismo foi imposto de uma forma não muito legal no mundo, sabemos que a Idade das Trevas tem esse nome porque foi "treta" e por aí vai, mas tava me incomodando essa romantização das crenças antigas, esse clima de "vamos todos ser wicca e fingir que as coisas daquele povo se aplica à nossa vida hoje em dia". 

No livro não é assim. Cornwell coloca tanto o Deus único como os Deuses pagãos como dois lados de uma moeda, cada um com vantagens e defeitos, e sempre mostrando que eles são tão humanos quanto as pessoas que acreditam neles. Algumas coisas funcionam ou não pras pessoas, mas tudo ainda obedece a forma de pensamento deles, que é simplória ao ponto de "se um soldado chega numa fazenda e quiser pegar tudo lá pra ele, ele pode, porque ele é mais forte e fim". 

Pra mim, foi também uma forma legal de pensar no tanto que a humanidade "evoluiu", por mais que as pessoas adorem gritar "já deu, para o mundo que eu quero descer" e por aí vai. Pelo menos hoje em dia as pessoas se questionam do porque fazem algumas coisas... hahaha

Enfim, comecei o texto achando que não ia conseguir escrever nada, mas acabei falando até demais, né? Pois quero as sequências. Não me mandem ler livros até eu conseguir ler o que acontece com o pessoal. :P

Nome: As Crônicas de Artur - O Rei do Inverno
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 546
Editora: Record
Nota no Skoob: 5/5