sábado, 6 de fevereiro de 2016

O Rei do Inverno


No final do ano passado, ganhei um exemplar de O Rei do Inverno, de Bernard Cornwell, primeiro volume da série As Crônicas de Artur. Foi meio que a vida falando "vai, filhinha, para de falar que tem vontade e lê isso logo". Tinha uma outra leitura na frente, um festival inteiro que não me deu tempo nem de respirar (que dirá ler), mas de volta e, enfim de férias, li, em uma semana. 

Tô órfã. Preciso dos próximos volumes! O saldo bancário não me deixa fazer estripulias no momento pra comprar, então tenho que traçar estratégias. Por enquanto, to no dilema "comecei a ler em portugês, será que vou estranhar muito se arrumar um epub em inglês?" 

Veremos.

Só posso dizer que essa versão da história do famoso Rei Artur (que aqui não é exatamente "rei" e talz) é tão bem escrita e bem contada que me fez comprar como se fosse a versão real. Claro que não existe versão real da história de Artur, já que ninguém tem nenhuma informação além de discussões sem fim e polêmicas, mas de vez em quando alguém acerta o jeito de contar e consegue quase nos convencer.

Acho que o que o Cornwell fez de melhor pra conseguir conquistar o leitor nesse sentido foi não só colocar um narrador que presenciou os fatos desmentindo as lendas romantizadas (ele já tem que ficar dizendo que Lancelot não era o bravo cavaleiro das histórias, Camelot tinha outro nome, e por aí vai), mas contar os fatos "originais" com tanta precisão, oferecendo uma alternativa que parece menos fantasiosa do que as que estamos acostumadas. É muito mais legal ler sobre Artur como um cara com qualidades extraordinárias, que fazem a gente querer conhecer ele pessoalmente imediatamente, mas ainda assim, um cara real, com defeitos, do que imaginar um semideus na Terra...

Também curti a forma como mostram as religiões. Toda vez que vemos uma versão da história, o Cristianismo passa como um trator maligno varrendo tradições pacíficas idealizadas sem consideração, tipo novela mexicana. Sabemos que o Cristianismo foi imposto de uma forma não muito legal no mundo, sabemos que a Idade das Trevas tem esse nome porque foi "treta" e por aí vai, mas tava me incomodando essa romantização das crenças antigas, esse clima de "vamos todos ser wicca e fingir que as coisas daquele povo se aplica à nossa vida hoje em dia". 

No livro não é assim. Cornwell coloca tanto o Deus único como os Deuses pagãos como dois lados de uma moeda, cada um com vantagens e defeitos, e sempre mostrando que eles são tão humanos quanto as pessoas que acreditam neles. Algumas coisas funcionam ou não pras pessoas, mas tudo ainda obedece a forma de pensamento deles, que é simplória ao ponto de "se um soldado chega numa fazenda e quiser pegar tudo lá pra ele, ele pode, porque ele é mais forte e fim". 

Pra mim, foi também uma forma legal de pensar no tanto que a humanidade "evoluiu", por mais que as pessoas adorem gritar "já deu, para o mundo que eu quero descer" e por aí vai. Pelo menos hoje em dia as pessoas se questionam do porque fazem algumas coisas... hahaha

Enfim, comecei o texto achando que não ia conseguir escrever nada, mas acabei falando até demais, né? Pois quero as sequências. Não me mandem ler livros até eu conseguir ler o que acontece com o pessoal. :P

Nome: As Crônicas de Artur - O Rei do Inverno
Autor: Bernard Cornwell
Páginas: 546
Editora: Record
Nota no Skoob: 5/5

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