sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Mestre Gil de Ham


Está aí um livro que ficou muito tempo na minha lista de “quero”, mas só acabei comprando na BlackFriday do ano passado: Mestre Gil de Ham. (Aproveitei e comprei também Kullervo e Beowulf, porque não sou de ferro e faltavam eles na minha coleção tolkeniana)

As pessoas precisam saber que Tolkien é mais do que Hobbit e O Senhor dos Anéis, e que poucos autores conseguem ser tão bons contadores de histórias do que ele. Pra mim esse é o fator mais importante: saber contar. Já existem livros demais com histórias complexas e cheias de detalhes e personagens, mas que o autor não sabe guiar a gente nem prender nossa atenção. Já larguei livros por causa disso, como quando apelei com a mania do Christian Jacq de fazer uma pergunta retórica por parágrafo e abandonei A Pedra da Luz no meio (depois tentei dar outra chance e comecei a ler Mozart, mas também não dei conta. Cinco livros de Ramsés já foram traumatizantes o suficiente).

Eu sei que O Senhor dos Anéis é uma leitura um pouco pesada pra quem não está acostumado, que tem nomes e detalhes demais, que é uma história longa. Mas para aqueles que tem essa dificuldade, recomendo experimentar os livros menores do Tolkien, principalmente os que ele escreveu baseando-se em histórias que contava para os próprios filhos. Mestre Gil de Ham é um deles, assim como Roverandom. Uma história independente, bastante curta, com aventuras, dragões, gigantes e reis avarentos, e um protagonista que não tem nada de herói clichê, já que Mestre Gil é um fazendeiro que gosta de ter paz, de comer (e engordar também), e de ter uma boa reputação, mesmo que ela não venha necessariamente por iniciativa própria.

Pra quem gosta do universo da Terra Média, também é legal notar alguns elementos em comum. Mestre Gil mora no Pequeno Reino, onde as pessoas têm nomes longos em latim e muita coisa nos faz lembrar da Inglaterra, mas que também dão uma dica de estar inserida na Terra Média que ouvimos falar pouco. É como se estivéssemos tendo uma amostra de como é que os homens comuns (como os hobbits) veem o mundo: existem dragões, gigantes, ameaças, mas elas estão muito distantes e há coisas mais urgentes pra se preocupar, como cuidar do rebanho que garante a mesa farta, não ter muitas perturbações e ter uma boa reputação. A necessidade de se livrar da ameaça do gigante ou do dragão vem muito mais do fato de eles quebrarem a rotina do que por serem ameaçadores por si só.


Uma simplicidade gostosa de ler, uma história ótima para ouvir.

Nome: Mestre Gil de Ham
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Martins Fontes

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

The Sleeper and the Spindle


Confesso que depois de tanto tempo sem atualizar o blog eu perdi até o ânimo de escrever. To me forçando a pegar o ritmo de novo :P

A leitura da vez foi The Sleeper and the Spindle, do Neil Gaiman (traduzido no Brasil como A Bela e a Adormecida). Livro que, desde que foi anunciado pelo autor, eu já incluí na lista de PRECISO AGORA, ME DÁ! Ano passado, sem querer, acabei encontrando uma única edição em inglês com capa dura perdida na Geeks, da Livraria Cultura, e claro que comprei (e ainda ganhei um desconto porque a capa externa, de papel vegetal, tinha uns rasgadinhos).

O livro é ilustrado pelo Chris Riddel, e se for pensar no estilo, dá pra imaginar como é por dentro, né? Bem no estilo dos livros de contos de fadas do século XIX (seguindo a linha Stardust, também do Gaiman). As páginas são lindas, assim como a capa.

Mas não fica por aí. A história é linda!

Quando o livro foi anunciado e começou a chegar nas prateleiras, descreviam assim: uma história onde a Branca de Neve encontra a Bela Adormecida, e onde ela decide seu próprio destino. Imaginei uma releitura dos contos com uma visão feminista. Rá! Como eu fui bobinha... Subestimei justo o Gaiman! - de certa forma, isso foi ótimo, porque eu pude me impressionar e deixar ser surpreendida, e me apaixonar pelo livro a cada página.

Pra começar, nem Branca de Neve nem Bela Adormecida são devidamente identificadas dessa forma. Aliás, nomes são coisas perdidas pelo tempo nessa história. O que identifica, descreve e guia cada elemento é a magia. Magia de que são feitos os anões, e que faz com que a Rainha não caia na maldição do sono que vem de um reino razoavelmente próximo do seu, mas quase inalcançável, já que ela mesma já dormiu por um ano num caixão de cristal antes de ser despertada e assumir o trono.

Talvez por seu passado e por suas memórias - além das expectativas -, ela decide ir para o tal reino acabar com a maldição do sono, que está crescendo e ameaça chegar às suas terras. E lá descobre uma velha sem nome, vivendo sozinha no castelo onde, na mais alta torre, dorme uma jovem muito bela.

E, pra não dar spoilers, só vou dizer que NÃO É NADA DO QUE VOCÊ ESTÁ PENSANDO, que o final é imprevisível, que as aparências enganam, que não existe o "para sempre", pois há sempre escolhas a serem feitas. 

Mas tudo é lindo justamente por isso! :)

Nome: The Sleeper and the Spindle 
Autores: Neil Gaiman e Chris Riddel
Editora: Bloomsbury Childrens (Rocco, no Brasil)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Partes 1 e 2)

 

E lá vamos nós!

Depois de um ano dedicado às leituras do TCC, finalmente consegui voltar a ler ficção e coisas que me dão na telha. Gente, é tão difícil voltar ao ritmo de leitura depois de um tempo parada? To custando a me dar o direito de parar um tempo e só ler por prazer, porque fico com a sensação de que deveria estar fazendo alguma outra coisa mais urgente.

Eu sempre digo que não existe não ter tempo pra ler, existe não querer ler. E comprovei que é verdade, mas descobri outras coisas envolvidas no “não querer”. A gente tem sim alguns momentos do dia em que pode muito bem ler um capítulo de um livro, mas pra isso precisa se dar esse direito. Parece que com todas as coisas da vida corrida, a gente sente culpa de estar ali parada focada num mundo imaginário. Acaba que ler se torna um aprendizado e uma terapia, força a gente a se dar um minuto sem contato com o “lá fora”.

Mas aí chegou o Natal e o Reveillon, época em que a gente tem que parar mesmo, porque nada mais funciona. Foi a vida dizendo “relada, pode ficar um pouco quieta aí só lendo”. E eu, que não estava lendo mas continuava comprando livros, resolvi começar um que comprei na Black Friday e tem estado bastante na boca do povo: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. Só animei de escrever agora, não sei porque. Mas tá aí:

Decepção.

Eu estava começando a ler Animais Fantásticos e Onde Abitam, porque empolguei com o filme, que achei lindo. Foi uma volta àquele clima de magia de quando a gente lia ou via os filmes do Harry Potter com 13 anos (só que agora a gente tem 30). Achei que teria isso com o livro novo.

Só que não. Achei sem graça, sem um pingo de magia, e cheio de buracos. Pra quem curte ficção científica então, tem umas coisas absurdas, tipo mudarem o passado três vezes e no final o Harry lembrar do que aconteceu em um cenário que foi mudado, sendo que ele não tinha relação. Sem contar a falta de criatividade. Sério, gente? Se passaram décadas e o único vilão que vocês conseguem ainda é o Voldemort?

Uma amiga comentou que o livro tem cara de fanfic. Pois eu achei a melhor descrição: fãs da história quiseram contar uma nova baseada no mesmo universo, mas não necessariamente conseguiram alcançar aquela atmosfera que só JK Rowling consegue. Não é uma história tão ruim, mas decepciona porque cria muita expectativa.


E também não entendi como que JK Rowling assinou o livro mesmo assim. Talvez por amizade. Sei lá. Só sei que recomendo não ler com muita expectativa. Podem ler por curiosidade, mesmo, podem ler porque querem, mas sem expectativa, ok?

Nome: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada (Partes 1 e 2)
Autores: John Tiffany & Jack Thorne
Editora Rocco