sábado, 27 de maio de 2017

Mitologia Nórdica


Quando eu era criança eu adorava ler livros sobre mitologia. Adorava as histórias, os contos sobre deuses, as aventuras, os desafios que eles venciam. Mas gostava de mitologia em forma de narrativas, porque era assim que eu conseguia entrar no mundo deles e me divertir. Na época, só tinha acesso a livros das mitologias mais conhecidas por aqui: grega e egípcia. Lembro que fiquei extremamente empolgada quando a lista de materiais que minha mãe deveria comprar pra escola na 5a série incluía um livro sobre os Egípcios.

Se naquela época eu já tivesse um livro como esse Mitologia Nórdica, do Neil Gaiman, acho que teria ficado enlouquecida com esse novo mundo que tem se aberto mais para nós de uns anos para cá. Mesmo aqueles que já tinham contato com histórias de fantasia e quadrinhos há décadas talvez não tenham ideia do quanto da mitologia nórdica está presente e nos influencia. 

Acho que uma das coisas que mais me chama a atenção é que os deuses de Asgard não são "perfeitos", no sentido de exatos e com características específicas. Não sei se consigo me expressar bem aqui, mas é como se eles tivessem mais facetas, mais "coisas por trás", que a gente não consegue imaginar. Odin não é só o Pai de Todos e mais poderoso, ele também é o deus das artimanhas, cheio de truques, nem sempre justo e bonzinho, mas sábio o suficiente para ser o maior deles. Loki não é bom nem mau, e ao mesmo tempo em que mete todos em encrencas, também os salva delas. 

Nesse livro, Neil Gaiman conta histórias dos deuses, muitas desconhecidas por nós aqui no sul, mas que muitos nórdicos já devem ter ouvido diversas vezes, em volta de uma fogueira, na cama, em um acampamento, e por aí vai. É como se o autor quisesse pegar algo que é corriqueiro para alguns e contasse de uma forma fácil para o mundo, para que essas histórias nunca se percam. E esse algo já foi algo muito maior, com detalhes que estão perdidos para sempre, pois não existem tantos registros das crenças dos povos antigos da Escandinávia como existem de gregos e egípcios, por exemplo, pois povos como os Vikings não registravam coisas escritas, e a gente sabe muito pouco sobre eles.

O livro é bastante acessível e fácil de ler, e isso faz com que seja bem abrangente em termos de público-alvo: adultos vão curtir, crianças também, e tanto pais podem ler para os filhos quanto amigos podem comentar sobre ele em bate-papos. 

Além disso, a edição brasileira está de parabéns, com capa grossa, papel bom, digna de ser exibida na estante (isso não costumava acontecer com outros livros do Gaiman, mas parece que estão investindo agora que ele está ficando mais famoso, graças às adaptações para filmes e séries como American Gods).

Mais que recomendado!

Nome: Mitologia Nórdica
Autor: Neil Gaiman
Editora: Intrínseca
Páginas: 288

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O Senhor dos Anéis


Depois de muitos anos, resolvi reler O Senhor dos Aneis.

Essa não foi a primeira releitura que fiz da trilogia. Antes da pausa de muitos anos eu já havia lido e relido algumas vezes. Mas posso dizer que, talvez por conta dessa pausa, foi bem diferente agora. Não só relembrar coisas que eu já tinha esquecido – até porque vejo os filmes pelo menos uma vez por ano, e acaba que muita coisa deles ficou mais na memória do que dos livros –, mas também receber informações com outra cabeça. Acho que se pegar os livros pra reler com 70 anos vou acabar lendo tudo com ainda mais diferenças. Talvez seja assim com qualquer livro.

O negócio é que muita coisa que antes eu achava de leitura pesada, que eu demorava pra avançar, dessa vez foi fácil. Uma das partes que mais me entreteu no 1º livro dessa vez foi justamente o capítulo do Tom Bombadil, que antes me dava nervoso antes mesmo de começar.

Também me assustei com algumas passagens que atualmente ficariam mais polêmicas, considerando que estão aumentando as discussões e atenções em cima de temas como feminismo, política, homossexualidade e por aí vai. Talvez ninguém nunca tenha dado atenção antes, mas nessa leitura eu fiquei indignada com uma fala do Aragorn pra Eowyn. POIS É, do Aragorn, o mocinho.

E a Éowyn, então, ficou ainda mais fantástica dessa vez. Assim como o Gandalf e o Faramir. E mesmo o Aragorn, ficou mais solene e majestoso. É óbvio, mas mesmo assim dá vontade de ficar repetindo como o livro parece diferente e ainda mais empolgante depois de muito tempo de lado.

Ao final, senti como se eu fosse o Sam. Nunca tive isso nas outras leituras: ficar ali, parada no porto, acenando e observando aquele mundo incrível ir embora pra um outro plano enquanto eu retorno ao mundo real. Linda releitura!

(Confesso, relutei muito em incluir essa leitura aqui no blog. Não só por ser releitura, mas porque é um daqueles livros que a gente põe no topo da lista de preferidos sem necessariamente saber explicar o motivo. Não é porque Tolkien era o cara, não é porque é enorme e complexo e tem mundos e línguas próprias, não é por ter anos e gerações de fãs, etc etc. É porque é um livro que mexe lá no fundo. E a cada leitura, mais coisas são remexidas, e mais coisas são mostradas e descobertas. Por isso nem entrei em detalhes, só preferi comentar sobre como foi bom reler depois de um bom tempo sem tocar nos livros :D )